Informação e conhecimento tradicional indígena: uma análise da produção científica em Ciência da Informação no Brasil
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Maria Guiomar da Cunha Frota
Rubens Alves da Silva
Lorena Tavares de Paula
Rubens Alves da Silva
Lorena Tavares de Paula
Resumo
Este trabalho se propõe a estudar as relações de poder estabelecidas em torno da produção e da representação dos saberes indígenas por instâncias hegemônicas definidoras dos padrões universais de valorização do conhecimento tido como científico e acadêmico. Para tanto, define a produção científica em Ciência da Informação como campo de pesquisa, investigando-o a partir do seguinte objetivo geral: analisar a representação dos saberes indígenas na produção científica da Ciência da Informação Brasileira de 2005 a 2020. Fundamenta-se por meio de revisão histórico-conceitual acerca dos conhecimentos mobilizados e preservados pelas
comunidades indígenas, comparando-os à lógica da epistême acadêmica a fim de evidenciar a existência de paradigmas e modelos dominantes que normalizam a colonialidade dos saberes tradicionais, inclusive no contexto da Ciência da Informação
Brasileira. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa documental, de matriz quali-quantitativa centrada em abordagem bibliométrica visando investigar a presença e o tratamento da temática “conhecimento tradicional indígena” na produção científica da
Ciência da Informação brasileira. Para a coleta de dados realizou-se levantamento bibliográfico com recorte temporal de 2005 a 2020 na Base de Dados Referenciais de Artigos de Periódicos em Ciência da Informação (BRAPCI), na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BTDB) e em anais do Encontro Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Ciência da Informação (ENANCIB) e da Sociedade Brasileira para Organização do Conhecimento (ISKO-Brasil). Como resultado, foi possível observar a existências de lacunas operacionais que orientam as ações informacionais sobre essa categoria de saberes, muitas delas decorrentes das
limitações dos instrumentos globais de representação dos saberes indígenas na Ciência da Informação. Sugere-se, ao final, que mudar esse cenário implica repensar os diferentes aspectos epistemológicos, históricos, políticos, econômicos, tecnológicos, sociais e culturais que orientam as dinâmicas de produção do conhecimento e da informação no país.
Abstract
This work proposes to study the power relations established around the production and representation of indigenous knowledge by hegemonic instances that determine the universal standards for attributing value to the knowledge considered scientific and academic. To this end, it defines scientific production in Information Science as a research field, investigating it with the following general objective: to analyze the representation of indigenous knowledge in the scientific production of Brazilian Information Science from 2005 to 2020. It is based on a historical-conceptual review of the knowledge mobilized and preserved by indigenous communities, comparing them to the logic of the academic episteme in order to highlight the existence of paradigms and dominant models that normalize the coloniality of traditional knowledge, including in the context of Brazilian Information Science. Methodologically, this is documentary research, with qualitative-quantitative matrix centered on a bibliometric approach employed to investigate the existence and treatment of the theme “indigenous traditional knowledge” in the scientific production of Brazilian Information Science. For data collection, a bibliographic survey was carried out with a time frame from 2005 to 2020 in the Reference Database of Journal Articles in Information Science (BRAPCI), in the Brazilian Digital Library of Theses and Dissertations (BTDB), and in the annals of the National Meeting of Research and Postgraduate Studies in Information Science (ENANCIB) and the Brazilian Society for Knowledge Organization (ISKO-Brazil). As a result, it was possible to observe the existence of operational gaps that guide informational actions on this category of knowledge, many of them resulting from the limitations of the global instruments of representation of indigenous knowledge in Information Science. Finally, it is suggested that changing this scenario implies rethinking the different epistemological, historical, political, economic, technological, social and cultural aspects that guide the dynamics of knowledge, and information, production in the country.
Assunto
Ciência da informação, Cultura popular, Indígenas, Produção científica – Brasil
Palavras-chave
saberes tradicionais, conhecimentos indígenas, ciência da Informação Brasileira – produção científica, abordagem bibliométrica, colonialidade dos saberes, informação e protagonismo social, conhecimento tradicional indígena