Política e Cultura no Vale do Jequitinhonha: um estudo de caso sobre o associativismo comunitário quilombola de Moça Santa/Chapada do Norte
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Klemens Augustinus Laschefski
Nilma Lino Gomes
Rosselvelt José dos Santos
Nilma Lino Gomes
Rosselvelt José dos Santos
Resumo
O processo de democratização e abertura política da década de 1980 foi de grande importância do ponto de vista das experiências político-sociais e culturais. Este momento político possibilitou a mobilização dos movimentos sociais e grupos até então invisibilizados, desprovidos de direitos e reconhecimento. Neste contexto, os movimentos sociais se fortaleceram e as aspirações por uma sociedade mais justa e igualitária ganharam forma na reivindicação de direitos, deixando importantes marcas e conquistas na Constituição da República de 1988. Assim, as lutas sociais que marcaram estas últimas décadas criaram um espaço público informal, descontínuo e plural, por onde circulam reivindicações diversas. Espaço público no qual se elaborou e se difundiu uma consciência do direito a se ter direitos. Esse processo é alimentado, em nível local, pela gestação de uma consciência crítica sobre as condições sociais e históricas de subalternidade por parte dessas populações, possibilitando uma atuação mais coerente diante das condições do tempo presente. Por outro lado, o despertar deste novo cenário, marcado por uma democracia aberta ao reconhecimento formal e legal dos direitos sociais, convive cotidianamente com a violência; os direitos político-democráticos conquistados por si só não representam a garantia de aplicação da lei. É neste contexto que as populações quilombolas encenam suas lutas e é a partir desse foco que nos propomos a refletir, neste trabalho, sobre os rumos e possibilidades (embora incertas) de sua atuação, que objetiva, em maior âmbito, a concretização da igualdade e da justiça social. Nas áreas rurais do Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais, é possível verificar inúmeras comunidades quilombolas organizadas em associações, que reivindicam para si políticas públicas de inclusão social, legalização de terras, reconhecimento e valorização de suas culturas, saberes e identidades. O objetivo desde trabalho será discutir a emergência da organização política quilombola, enfocando o seu núcleo de ação coletiva as associações nas comunidades que formam o território de Moça Santa, município de Chapada do Norte/MG. De modo geral, pretender-se-á identificar os diversos papéis que podem exercer as associações comunitárias, como a elaboração de uma consciência crítica das condições sociais e históricas de um grupo e, de forma mais ampla, a construção e fortalecimento da sociedade civil, tendo em vista o aprofundamento da democracia e a emancipação social de segmentos marginalizados, excluídos. Percebeu-se que a partir de uma consciência crítica de suas condições sociais e históricas, os povos quilombolas têm promovido a construção de uma política cultural, em que são observadas uma série de mudanças, tais como a expansão da fronteira institucional, a ampliação de temas na esfera pública, e, sobretudo, a redefinição das noções convencionais de cidadania, representação política e participação.
Abstract
Assunto
Quilombos Jequitinhonha, Rio, Vale (MG e BA), Política e cultura Jequitinhonha, Rio, Vale (MG e BA), Sociedade civil
Palavras-chave
sociedade civil, território, comunidades quilombolas