A carga de dengue nos países da América do Sul e no Brasil entre os anos de 1990 e 2019: estimativas do Global Burden of Disease
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Dissertação de mestrado
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Primeiro orientador
Membros da banca
Francisco Rogerlândio Martins de Melo
Valdelaine Etelvina Miranda de Araújo
Valdelaine Etelvina Miranda de Araújo
Resumo
A dengue é a arbovirose urbana de maior relevância nas Américas, além de se constituir como
um dos principais problemas de saúde pública no mundo, por ser uma doença infecciosa, mas
não contagiosa. O seu padrão endêmico-epidêmico é verificado a cada três a cinco anos nas
Américas. Alguns dos fatores relacionados ao estabelecimento e à transmissão da doença no
continente americano são o clima tropical; disponibilidade de criadouros em áreas urbanas para
o Aedes aegypti; crescimento populacional; migração; cobertura insuficiente de saneamento
básico; além da desigualdade socioeconômica. Em decorrência desse cenário, estudos em
epidemiologia utilizando bancos de dados para a geração de estimativas sobre a perda de saúde
da população a nível global, nacional ou local com relação a doenças e seus fatores de risco,
tornam-se relevantes, em especial para a dengue. Sendo assim, o presente estudo teve como
objetivo analisar a carga de dengue no Brasil e demais países da América do Sul por meio das
métricas estimadas pelo Estudo de Carga Global de Doenças (GBD) entre os anos de 1990 e
2019 a fim de descrever, comparar e mapear as estimativas de anos de vida ajustados por
incapacidade (DALY), anos de vida perdidos por morte prematura (YLL), anos de vida
perdidos por incapacidade (YLD) e as taxas de incidência. Na América do Sul, Brasil,
Colômbia, Paraguai e Suriname apresentaram as maiores taxas de incidência, DALY, YLL e
YLD para a arbovirose nos anos de estudo. De modo geral, o maior e menor valor do percentual
de mudança na taxa de DALY entre os anos do estudo foi visto na Colômbia (176,36%) entre
1996 e 2000 e Argentina (2,48%) entre 2006 e 2010, respectivamente. Para o Brasil, os estados
de Goiás, Maranhão e Mato Grosso do Sul apresentaram maiores taxas de incidência, DALY,
YLL e YLD. Rio Grande do Sul e Santa Catarina foram as unidades da federação com menores
taxas de incidência, DALY, YLL e YLD. O maior e menor valor do percentual de mudança nas
taxas de DALYs, nos anos de estudo, foi verificado em Goiás (403,64%) entre os anos de 2006
e 2010 e na Paraíba (0,54%) entre os anos de 2001 e 2005. O sexo masculino e as faixas etárias
de menores de um ano e 80 ou mais, foram os de maior valor para a taxa de DALY, nos países
da América do Sul, enquanto no Brasil e unidades federativas o sexo feminino e as mesmas
faixas etárias apresentaram maior valor. O presente estudo apontou elevadas taxas de DALY
para indivíduos dos dois sexos, de diferentes faixas etárias, nos países da América do Sul e no
Brasil. Estudos que descrevem a dinâmica epidemiológica da dengue, frente aos indicadores de
carga de doença, podem auxiliar no desenvolvimento de políticas públicas que ajudem nos
âmbitos que carecem de melhorias, como o controle vetorial, infraestrutura e nos sistemas de
saúde
Abstract
Dengue is the most relevant urban arbovirus in the Americas, in addition to being one of the
main public health problems in the world, as it is an infectious disease, but not contagious. Its
endemic-epidemic pattern is verified every three to five years in the Americas. Some of the
factors related to the establishment and transmission of the disease in the American continent
are the tropical climate; availability of breeding sites in urban areas for Aedes aegypti;
population growth; migration; insufficient coverage of basic sanitation; in addition to
socioeconomic inequality. As a result of this scenario, studies in epidemiology using databases
to generate estimates on the loss of health of the population at a global, national or local level
in relation to diseases and their risk factors, become relevant, especially for the dengue.
Therefore, the present study aimed to analyze the dengue burden in Brazil and other countries
in South America through the metrics estimated by the Global Burden of Disease (GBD) Study,
between the years 1990 and 2019, in order to describe, compare and map estimates of disability adjusted life years (DALY), years of life lost to premature death (YLL), years of life lost to
disability (YLD), and incidence rates. In South America, Brazil, Colombia, Paraguay and
Suriname had the highest incidence rates, DALY, YLL and YLD for arboviruses in the years
studied. Overall, the highest and lowest value of the percentage change in the DALY rate
between the years of the study was seen in Colombia (176.36%) between 1996 and 2000 and
Argentina (2.48%) between 2006 and 2010, respectively. For Brazil, the states of Goiás,
Maranhão and Mato Grosso do Sul had higher incidence rates, DALY, YLL and YLD. Rio
Grande do Sul and Santa Catarina were the states with the lowest incidence rates, DALY, YLL
and YLD. The highest and lowest value of the percentage change in DALYs rates, in the years
of study, was verified in Goiás (403.64%) between the years 2006 and 2010 and in Paraíba
(0.54%) between the years 2001 and 2005. The male sex and the age groups of less than one
year and 80 or more, were the ones with the highest value for the DALY rate, in the countries
of South America, while in Brazil and federative units, the female gender and the same age
groups had the highest value. The present study showed high DALY rates for individuals of
both genders, of different age groups, in South American countries and in Brazil. Studies that
describe the epidemiological dynamics of dengue, compared to disease burden indicators, can
help in the development of public policies that help in areas that need improvement, such as
vector control, infrastructure and health systems.
Assunto
Parasitologia, Dengue/epidemiologia, América do Sul, Incidência
Palavras-chave
Epidemiologia, Carga de doença, DALY, Dengue, América do Sul, Brasil