Se é a tia Nastácia quem cozinha, por que o livro de receitas é da dona Benta? trabalho e racismo na cozinha doméstica

dc.creatorFelipe Gouvêa Pena
dc.creatorLuiz Alex Silva Saraiva
dc.date.accessioned2023-05-26T18:03:48Z
dc.date.accessioned2025-09-09T00:21:14Z
dc.date.available2023-05-26T18:03:48Z
dc.date.issued2018-11
dc.identifier.issn2177-3866
dc.identifier.urihttps://hdl.handle.net/1843/54003
dc.languagepor
dc.publisherUniversidade Federal de Minas Gerais
dc.relation.ispartofSeminários em Administração - SEMEAD
dc.rightsAcesso Aberto
dc.subjectEmpregados domésticos
dc.subjectTrabalho
dc.subjectRelações raciais
dc.subjectCulinária
dc.subject.otherRelações raciais
dc.subject.otherTrabalho
dc.subject.otherCozinha doméstica
dc.titleSe é a tia Nastácia quem cozinha, por que o livro de receitas é da dona Benta? trabalho e racismo na cozinha doméstica
dc.typeArtigo de evento
local.citation.epage15
local.citation.issue21
local.citation.spage1
local.description.resumoIntrodução A desvalorização profissional associada ao racismo dirigido à maioria negra das empregadas domésticas faz com que o trabalho doméstico seja tomado como “naturalmente desqualificado” ou mesmo como invisível, tal como no clássico infantil “Sítio do Picapau Amarelo” em que Dona Benta assina o livro de receitas mesmo sendo Tia Nastácia a cozinheira. Esta relação social de subordinação, encoberta pelo discurso da democracia racial, distancia os sujeitos, mas não explicita o jogo de poder baseado em racismo, silêncio e exploração econômica das empregadas domésticas. Problema de Pesquisa e Objetivo Com o intuito de problematizar um conjunto de relações raciais, o presente artigo teve como objetivo analisar como um grupo de sujeitos problematiza e constrói uma argumentação para responder a questão “se quem cozinha é a Tia Nastácia, por que o livro é da Dona Benta?”. Fundamentação Teórica As interseções entre gênero e raça (Carneiro, 2003) associam ser empregada doméstica a ser negra, com todos os desdobramentos dessa construção (Barbosa, 2012). Nas relações cotidianas foi sendo instituída uma espécie de “cordialidade racial” (Freyre, 2003), um tipo de tolerância limitada ancorada ao patrimonialismo e ao clientelismo nas relações sociais. Tal “cordialidade” é discutida em Pena e Saraiva (2017) é formulada para tentar encobrir a hierarquia de “castas raciais” estabelecidas em país ainda moldado pelas premissas da escravidão (Conceição, 2009). Metodologia Para responder ao problema de pesquisa, esta pesquisa, qualitativa do tipo descritiva, foi feita por meio de entrevistas individuais em profundidade com 15 sujeitos de pesquisa entre patrões de classe média alta, donas de casa e empregadas domésticas da cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais. Os dados foram observados à luz da análise do discurso, com o intuito de observar as dimensões silenciadas, explícitas e implícitas, particularmente como ele pode ser um processo de materialidade das ideologias dominantes ou como um referencial para a manifestação de forças. Análise dos Resultados Os fragmentos discursivos das empregadas domésticas, das donas de casa e dos patrões convergem para uma visão de que a Tia Nastácia, em função de sua condição de empregada doméstica, do seu desprestígio racial e da possível limitação intelectual, seria incapaz de descrever suas próprias receitas: no máximo seria uma executora da concepção de outra pessoa, esta sim qualificada: Dona Benta. Por isso esta venderia a ideia com maior legitimidade, pondo em segundo plano o racismo que condena uma pessoa a ser desqualificada e promove outra, automaticamente, a qualificada. Conclusão Em linhas gerais, os entrevistados percebem o que está sendo questionado, mas legitimam as razões que atribuem o livro a Dona Benta. As empregadas domésticas são construídas socialmente como inferiores em função de aspectos raciais, do trabalho marginalizado, e da invisibilidade social que automaticamente lhes desqualificam e as colocam em um papel secundário, aviltado, incapaz, portanto, de sistematizar receitas em um livro. Todo o racismo estrutural da situação é “naturalizado”, escondendo a desvalorização da empregada doméstica no país. Referências Bibliográficas Barbosa, L. (2012). Os donos e as donas da cozinha. In: M. Freitas & M. Dantas (Org.). Diversidade sexual e trabalho (p 171-201). São Paulo: Cengage. Carneiro, S. (2003). Mulheres em movimento. Estudos Avançados, 17(49), 117-133. Conceição, E. B. (2009). A negação da raça nos estudos organizacionais. Anais do Encontro da ANPAD, Rio de Janeiro, RJ, Brasil, XXXIII. Freyre, G. (2003). Casa-grande & senzala (48a ed.). Recife: Global. Pena, F. G. & Saraiva, L. A. S. (2017). Territórios da cozinha sob a ótica de empregadas domésticas. Revista de Gestão Social e Ambiental, 11(n.spe.), 91-106.
local.publisher.countryBrasil
local.publisher.departmentFCE - DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS ADMINISTRATIVAS
local.publisher.initialsUFMG

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