Autoinscrever(-se): narrativas de uma professora e estudantes pretas
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Self-enroll: narratives of a black teacher and students
Primeiro orientador
Membros da banca
Libéria Rodrigues Neves
Laureci Ferreira da Silva
Laureci Ferreira da Silva
Resumo
Este estudo apresenta uma reflexão sobre a ausência da Literatura Negra Brasileira na formação
intelectual, histórica e social da professora, a autora deste estudo, e de 10 estudantes do 9º ano,
todas mulheres e adolescentes pretas da Escola Jesus Cristo, local de trabalho da docente e de
estudo das alunas. Nesta instituição, foram desenvolvidas experiências com a Literatura Negra
Brasileira, em virtude do reconhecimento de que ainda existe exclusão e silenciamento, no
processo de formação, quanto aos textos escritos por pessoas negras, especialmente, autoras.
Reconhece-se a importância dessas referências no processo de construção das identidades das
pessoas que compõem o estudo. Nesta investigação, buscou-se encontrar caminhos para
transformar esse cenário por meio do contato com alguns desses gêneros textuais e da criação
de autonarrativas. O ato de escrita surge como oportunidade para nos autoinscrever, enquanto
mulheres e adolescentes pretas. Nesse sentido, obras das autoras Carolina Maria de Jesus, com
o livro Quarto de despejo: diário de uma favelada, e Conceição Evaristo, com Olhos D’água,
foram disparadoras do produto pedagógico dessa pesquisa, que consistiu em 8 encontros,
intitulados Tessituras de Fios. A abordagem metodológica desta pesquisa foi autoetnográfica,
pois essa abordagem possibilita um olhar de dentro para fora, voltado para a vivência das
participantes, compondo significados, interpretações e autonomia na escrita. Além disso,
também teve caráter colaborativo, por entender que a coletividade gera a emancipação das
pessoas envolvidas na pesquisa, bem como a utilização da etnografia escolar pelo movimento
constante da prática para a teoria e em um retorno à prática para transformá-la. Houve, ainda, o
uso da cartografia, que permite estabelecer pontes na dinâmica do percurso, por meio de
registros, reconhecimento de identificações, da possibilidade de perceber o inigualável e
revelados nos encontros e desencontros do processo, enquanto ele acontece. Por fim, foi
utilizado, como método de escrita, a escrevivência. Assim, a pesquisa revelou que a Literatura
Negra Brasileira na formação histórica, política e social de mulheres e adolescentes pretas
representa um ato de resistência identitária. Essa ação propicia mudanças de atitude a partir da
aprendizagem coletiva e experiências autonarrativas, compondo a “escrevivência” sobre as
inquietações de nossas vidas como mulheres e adolescentes e pretas.
Abstract
This study presents a reflection on the absence of Black Brazilian Literature in the intellectual,
historical and social formation of the teacher, the author of this study, and of 10 9th grade
students, all black women and teenagers, at the Jesus Cristo School, where the teacher works
and the students study. At this institution, experiences with Black Brazilian Literature were
developed, due to the recognition that there is still exclusion and silencing, in the educational
process, regarding texts written by black people, especially authors. The importance of these
references in the process of constructing the identities of the people who make up the study is
recognized. In this investigation, we sought to find ways to transform this scenario through
contact with some of these textual genres and the creation of self-narratives. The act of writing
emerges as an opportunity to self-inscribe ourselves, as black women and teenagers. In this
sense, works by authors Carolina Maria de Jesus, with the book Quarto de despejo: diário de
uma favelada, and Conceição Evaristo, with Olhos D’água, were triggers for the pedagogical
product of this research, which consisted of 8 meetings, entitled Tessituras de Fios. The
methodological approach of this research was autoethnographic, as this approach allows for an
inside-out look, focused on the participants’ experiences, composing meanings, interpretations
and autonomy in writing. In addition, it also had a collaborative character, understanding that
collectivity generates the emancipation of the people involved in the research, as well as the use
of school ethnography, through the constant movement from practice to theory and a return to
practice to transform it. There was also the use of cartography, which allows for establishing
bridges in the dynamics of the path, through records, recognition of identifications, the
possibility of perceiving the unique and revealed in the encounters and disagreements of the
process, as it happens. Finally, writing was used as a writing method. Thus, the research
revealed that Brazilian Black Literature in the historical, political and social formation of black
women and adolescents represents an act of identity resistance. This action fosters changes in
attitude based on collective learning and self-narrative experiences, composing the “writing
experience” about the concerns of our lives as black women and adolescents.
Assunto
Educação - Relações raciais, Educação - Relações étnicas, Negras - Identidade racial, Professoras - Narrativas pessoais, Literatura brasileira - Escritoras negras, Escritoras negras brasileiras, Literatura brasileira - Estudo e ensino
Palavras-chave
Autonarrativas, Autoras negras, Escrevivência, Literatura negra brasileira