Como progredir de sombra: O herói de Budapeste

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Resumo

No romance Budapeste, Chico Buarque retoma o artifício literário do duplo, experimentando seus diversos recursos e lugares-comuns de modo frenético e vertiginoso. Assim como Jorge Luis Borges restaura com ironia “o fatigado tema do duplo”, antes elaborado por mestres como Edgar Allan Poe e Robert Louis Stevenson, Chico o renova por meio da paródia e do pastiche. Entretanto, seu procedimento parte de uma inversão do esquema original: o herói de Budapeste não é alguém que vai vivenciar o inquietante encontro com um duplo; como ghostwriter, José Costa é ele próprio o duplo de seus vários clientes. Desse modo o romance apresenta uma audaciosa crítica às formas contemporâneas da individualidade.

Abstract

In his novel Budapest, Chico Buarque revisits the literary device of the double, experimenting with its various resources and commonplaces in a frantic and vertiginous manner. Just as Jorge Luis Borges ironically revisits "the weary theme of the double" as it was developed by earlier masters like Edgar Allan Poe and Robert Louis Stevenson, Chico Buarque refreshes it through parody and pastiche. However, his approach begins by inverting the original concept: the protagonist of Budapest is not someone who will encounter the uncanny meeting with a double; as a ghostwriter, José Costa himself is the double of his many clients. In this way, the novel boldly offers a powerful critique of contemporary forms of individuality.

Assunto

Buarque, Chico, 1944- - Budapeste - Critica e interpretação

Palavras-chave

Duplo, Ironia, Paródia, Pastiche, Crítica, Indivíduo moderno

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https://revistas.usp.br/ls/article/view/231844

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