Colônia Santa Isabel: (Re)reconstruindo espaços e lugares de memória para percursos de visitação
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Bernardo Jefferson de Oliveira
Reinaldo Guilherme Bechler
Flora Rodrigues Gonçalves
Letícia Julião
Reinaldo Guilherme Bechler
Flora Rodrigues Gonçalves
Letícia Julião
Resumo
O presente estudo tem por objetivo analisar os espaços de memória da Colônia Santa Isabel, na cidade de Betim, Minas Gerais. A Colônia configura-se como um conjunto urbano criado em 1931, com o intuito de segregar, de forma compulsória, os doentes acometidos pela hanseníase. Com o fim do isolamento na Colônia Santa Isabel, no início da década de 1980, é marcante o abandono da localidade por parte do Estado. O que desencadeou a ocupação irregular dos prédios resultando na descaracterização de grande parte de seu acervo arquitetônico, culminando na falsa máxima de inutilidade das edificações. De forma tardia, no ano de 2020, esse impacto foi minimizado com o tombamento do complexo urbano da Colônia Santa Isabel, como Patrimônio Cultural do Município de Betim. Dessa forma, visando contribuir para a preservação e proposição de novos usos do espaço, o presente trabalho teve como objetivo principal a construção de um roteiro de visitação para a Colônia Santa Isabel. Compreende-se que a colônia é atravessada por espaços físicos que guardam memória do que foi no período do isolamento, bem como de memórias produzidas pela população que lá viveu e ainda vive destacando-se, sobretudo, as memórias traumáticas constituídas no período de isolamento. Com base na análise da bibliografia sobre a história da Colônia Santa Isabel, a história cultural do urbano e suas adaptações, entrecruzada à metodologia de história oral, mapeou-se os espaços de memória por meio das edificações ou resquícios ainda existentes na colônia. Além disso, através dos relatos dos antigos internos, remonta-se às várias etapas que constituíram o isolamento em Santa Isabel com ênfase nas vivências, nos processos de ocupação, sociabilidades e nos mais diferentes usos desse conjunto urbano no tempo. Num duplo movimento de ressignificação das memórias e reflexões sobre os estigmas e traumas trazidos pela experiência do isolamento, mas, especialmente, as histórias de superação e interação com
o espaço.
Abstract
This study aims to analyze the memory spaces of Colônia Santa Isabel, in the city of
Betim, Minas Gerais. The Colony is an urban complex created in 1931, with the aim of
compulsorily segregating patients affected by leprosy. With the end of isolation in
Colônia Santa Isabel, in the early 1980s, the abandonment of the locality by the State is
remarkable. This triggered the irregular occupation of the buildings, resulting in the
mischaracterization of a large part of its architectural collection, generating the false
maxim of the uselessness of the buildings. Lately, in 2020, this impact was minimized
with the listing of the urban complex of Colônia Santa Isabel, as Cultural Heritage of the
Municipality of Betim. Thus, aiming to contribute to the preservation and proposition of
new uses of space, the present work had as main objective the construction of a visitation
itinerary for Colônia Santa Isabel. It is understood that the colony is crossed by physical
spaces that keep memory of what was in the period of isolation, as well as memories
produced by the population that lived and still lives there. We highlight, above all, the
traumatic memories constituted in the period of isolation. Based on the analysis of the
bibliography on the history of Colônia Santa Isabel, the cultural history of the urban area
and its adaptations, intertwined with the methodology of oral history, memory spaces
were mapped through buildings or remnants still existing in the colony. In addition,
through the reports of former inmates, we go back to the various stages that constituted
the isolation in Santa Isabel, with an emphasis on experiences, occupation processes,
sociability and the most different uses of this urban complex over time. In a double
movement of resignification of memories and reflections on the stigmas and traumas
brought by the experience of isolation, but, especially, the stories of overcoming and
interaction with space.
Assunto
Colônia Santa Isabel (Betim, MG), Educação, Museus e escolas, Patrimônio cultural - Aspectos educacionais, Museus - Aspectos educacionais, Memória, Hanseníase - Hospitais, Hanseníase - História, Betim (MG) - Educação
Palavras-chave
Colônia Santa Isabel, hanseníase, memórias traumáticas, história oral, roteiro de visitação