“Tentar reimaginar o mundo, talvez?”: leituras, interações e produção de sentidos a partir de Homens pretos (não) choram
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Dissertação de mestrado
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Primeiro orientador
Membros da banca
Lucianna Sousa Furtado Brito
Nealla Valentim Machado
Nealla Valentim Machado
Resumo
O objetivo desta dissertação é observar as interações articuladas entre diferentes sujeitos, tendo como ponto de partida os contos do livro Homens Pretos (Não) Choram, de Stefano Volp (2022). Propomos a formação de três encontros de leitura, nos quais os participantes comentaram a respeito das suas respectivas experiências e impressões sobre as narrativas, trazendo à tona também as próprias vivências em termos de raça, gênero, sexualidade e classe, borrando as fronteiras que separam ficção e realidade. Metodologicamente, construímos tabelas digitais para observar cada conto em suas especificidades, buscando também os pontos de encontro e divergência entre eles. Nos interessava perceber quem era representado nas narrativas e de quais formas isso era apresentado pelo autor. Com isso, selecionamos dois contos para serem discutidos em cada um dos encontros de leitura, estes organizados por eixos temáticos, sendo eles: 1) paternidade negra, 2) relações afetivo-sexuais e 3) mercado de trabalho. As discussões de cada encontro foram gravadas, mediante apresentação e aprovação da proposta junto ao Conselho de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais, para facilitar o processo de escrita da dissertação e promover maior fidelidade às falas dos participantes. Em nossa análise, foi possível perceber que os relatos em torno das masculinidades negras apontam, principalmente, para lugares de abandono e distanciamento emocional, além de enfatizarem a perspectiva da repressão do choro com base nas experiências vividas pelos participantes. Durante os encontros, os contos que evidenciam opressões geraram mais engajamento, despertando relatos e reflexões entre os interlocutores, enquanto as narrativas com perspectivas de cura e união familiar, por exemplo, acabaram rendendo menos interações. De forma mais ampla, também foi possível perceber que os participantes, ao iniciarem suas falas, destacaram os seus respectivos pertencimentos sociais, evidenciando marcadores de opressão ao enfatizar o lugar de onde eles falam, em diferentes perspectivas: desde o momento em que comentaram sobre suas relações com o livro e a literatura até quando discorrem sobre relações familiares e a inserção no mercado de trabalho. O achado da pesquisa evidencia uma forte consciência de si, por parte dos interlocutores, e da sociedade brasileira na qual estão inseridos, reconhecendo que os atravessamentos sociais influenciam diretamente na forma com que são vistos e tratados por outros sujeitos. Este tipo de consciência também se faz presente nas falas a respeito dos homens negros, nas quais os participantes demonstram entender as opressões específicas que se constroem em torno de tais corpos. Os relatos dão origem a uma espécie de compreensão racional do fato, mas que não ameniza, de forma alguma, as violências experienciadas e trazidas à tona. Apesar disso, as falas evidenciam que a dor não se encerra nela mesma, já que os relatos são carregados de um desejo de fazer diferente ao elaborar novos caminhos para pensar a respeito das masculinidades negras.
Abstract
Assunto
Comunicação - Teses, Masculinidade - Teses, Negros - Teses, Interseccionalidade (Sociologia) - Teses, Volp, Stêfano, 1990-. Homens pretos (não) choram
Palavras-chave
Masculinidades negras, Literatura, Representação, Interseccionalidade
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