Aspectos clínico-patológicos associados a eventos tromboembólicos venosos em pessoas diagnosticadas com neoplasias malignas não hematológicas: um estudo caso controle

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Dissertação de mestrado

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Resumo

INTRODUÇÃO: Tromboembolismo venoso (TEV) apresenta incidência elevada em pacientes oncológicos e é importante causa de morbimortalidade nesse grupo. Fatores relacionados ao paciente, ao câncer ou mesmo aos tratamentos empregados podem associar-se com um maior risco de eventos trombóticos venosos. Entretanto, o tema ainda é pouco compreendido e pouco estudado na população brasileira. OBJETIVOS: Avaliar comparativamente aspectos demográficos, histopatológicos e clínicos em pacientes com neoplasias sólidas que apresentaram ou não TEV. Avaliar possíveis fatores associados a eventos tromboembólicos venosos. Analisar as características dos eventos tromboembólicos venosos identificados. MÉTODOS: Trata-se de um estudo observacional, retrospectivo, etiológico, tipo caso controle, não pareado. Foram selecionados pacientes diagnosticados com câncer entre 2014 e 2019, acompanhados no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais, um serviço público de referência em oncologia. Casos foram definidos como pacientes com diagnóstico de TEV (desfecho) e controles aqueles sem eventos trombóticos. A exposição avaliada foi a realização de algum tratamento oncológico específico (quimioterápico, endócrino, radioterápico ou cirúrgico). Variáveis de relevância clínica foram selecionadas para análise univariada (idade, sexo, estadiamento da doença, sítios tumorais conforme escore de Khorana, realização de tratamento oncológico específico, realização de tratamentos conhecidamente trombogênicos) e potenciais fatores de confusão foram adicionados para análise multivariada. Todos os dados foram coletados por meio de revisão de prontuários médicos. RESULTADOS: Foram incluídos 91 pacientes no grupo casos e 182 no grupo controles (1:2). Ambos os grupos foram semelhantes em relação às características demográficas, histopatológicas e clínicas, porém o grupo casos apresentou maior taxa de mortalidade (30,8% versus 15,9%, p=0,04). Em análise univariada, estadiamento avançado foi associado a maior risco de TEV (OR 1,85; IC 95% 1,04-3,30; p=0,036) e tratamento com hormonioterapia foi fator protetor (OR 0,41; IC 95% 0,21-0,82; p=0,010). Após adição de fatores confundidores, análises multivariadaa mantiveram terapia endócrina associada a menor risco de TEV (OR 0,18; IC 95% 0,07-0,47; p=0,000 e OR 0,41; IC 95% 0,20-0,86; p=0,018), sem identificação de fatores de risco. Internação hospitalar (35,2%) e cirurgia (23,1%) foram os principais fatores de risco presentes nos três meses que precederam os eventos. Trombose venosa profunda (TVP) em membros inferiores ocorreu em 54,9% dos casos e tromboembolismo pulmonar (TEP) em 37,4%. Em relação ao tratamento para TEV, 52,7% dos pacientes fizeram uso de varfarina e 40,7% de novos anticoagulantes orais. CONCLUSÃO: TEV é importante causa de mortalidade em pacientes oncológicos, uma população bastante heterogênea, em que fatores associados podem se comportar de formas diferentes. No presente estudo, hormonioterapia foi fator de proteção para TEV, possivelmente porque pacientes com indicação de terapia endócrina apresentam doença inicial ou metastática controlada, com menor risco para eventos tromboembólicos venosos.

Abstract

Assunto

Neoplasias, Tromboembolia Venosa/epidemiologia, Tromboembolia Venosa/patologia, Dissertação Acadêmica

Palavras-chave

Neoplasia sólida, Tromboembolia venosa, Estudo etiológico

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