O tempo que não há : ensaio sobre o inconsciente atemporal

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Dissertação de mestrado

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The time that isn´t : an essay on the timeless unconscious

Membros da banca

Pedro Heliodoro de Moraes Branco Tavares
Guilherme Massara Rocha

Resumo

A atemporalidade do inconsciente como o aspecto mais assombroso da fixação psíquica pode ser um dos maiores desafios que Freud apresentou para o pensamento contemporâneo. O objeto desta pesquisa é o tempo e a atemporalidade – de modo específico “zeitlos” como imprescindível a processos inconscientes. A hipótese é que Freud utilizou-se de metáforas (arqueológicas, biológicas, antropológicas, entre outras) para construir uma teoria dos tempos, e essas metáforas estão dispostas em fragmentos. Nosso problema é identificar, mas às vezes interpretar nos lugares textuais onde aparecem, e examinar como Freud construiu uma teoria dos tempos, entre seus textos mais iniciais até as construções de seus textos finais. Apresentamos a metáfora como dispositivo fundamental na fase inicial de uma teoria, mas as metáforas freudianas operam no próprio limite do gesto em que falham. Como pensar esse paradoxo de algo que é atemporal [zeitlos], mas que “de tempos em tempos” é reorganizado, reescrito? No decorrer da pesquisa o exemplo que se mostrou mais claro se verificou na dobradiça entre os textos da Carta 52 [1896], Psicopatologia da vida cotidiana [1904], O Mal-Estar na Cultura [1930], Conferência 31: A dissecção da personalidade psíquica [1933], A análise finita e infinita [1937] e O homem Moisés e a religião monoteísta [1939]. Notem neste recorte um elemento que é o passado imutável e outro que é aquilo que deste passado sofreu transformações. Mas, impressões podem ser conservadas da mesma forma como foram recebidas mesmo que se reorganizem em tempos posteriores. Os sujeitos podem ser constituídos por um passado do qual se viveu e também pelo passado não-vivido e isso tem efeitos determinantes nas escolhas de trabalho, nas repetições, transferências, no amor e no que faz sofrer. A importância com que Freud demarcou esse assunto se verificou na afirmativa de que não tem sentido afirmar que se pratica a psicanálise quando não se investiga o tempo passado. Efeitos de atemporalidade podem ser reconhecidos como passado somente na experiência de uma análise. Esse ponto é fundamental para a leitura de como a atemporalidade está diretamente implicada nos efeitos de uma experiência de análise. Como é possível afetar a pulsão a partir de uma operação sobre o inconsciente atemporal? Pois crocodilos, dragões, equissetos de Freud e as aranhas de Nietzsche ainda vivem entre nós.

Abstract

The timelessness of the unconscious as the most haunting aspect of psychic fixation may be one of the greatest challenges that Freud presented to contemporary thought. The object of this research is time and timelessness – specifically “zeitlos” as essential to unconscious processes. The hypothesis is that Freud used metaphors (archaeological, biological, anthropological, among others) to construct a theory of time, and these metaphors are arranged in fragments. Our problem is to identify, but sometimes interpret in the textual places where they appear, and to examine how Freud constructed a theory of time, from his earliest texts and the constructions of his final texts. We present metaphor as a fundamental device in the initial phase of a theory, but Freudian metaphors operate at the very limit of the gesture in which they fail. How to think about this paradox of something that is timeless [zeitlos], but that “from time to time” is reorganized, rewritten? In this research, the example that proved to be clearest was found in the hinge between the texts of Letter 52 [1896], The Psychopathology of everyday life [1904], Civilization and Its Discontents [1930], Lecture 31: The dissection of psychical personality [1933], Finite and Infinite Analysis [1937] and Moses and Monotheism [1939]. Note in this section an element that is the immutable past and another that is what has undergone transformations from this past. However, impressions can be preserved in the same way they were received, even if they are reorganized in later times. Subjects can be constituted by a lived past and also by a non-lived past and this has determining effects on work choices, repetitions, transfers, love and what makes people suffer. The importance with which Freud demarcated this subject was seen in the statement that it makes no sense to say that psychoanalysis is practiced when the past tense is not investigated. Effects of timelessness can be recognized as past only in the experience of an analysis. This point is fundamental for understanding how timelessness is directly implicated in the effects of an analysis experience. How is it possible to affect the drive through an operation on the timeless unconscious? For crocodiles, dragons, Freud's equisects and Nietzsche's spiders still live among us.

Assunto

Psicologia - Teses, Psicanálise - Teses, Metapsicologia - Teses, Inconsciente - Teses

Palavras-chave

Atemporalidade, Zeitlos, Inconsciente, Restos

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