“A minha cor entra primeiro”: as experiências e escolhas de consumo de consumidores negros
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Tipo
Tese de doutorado
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Primeiro orientador
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Ana Raquel Coelho Costa
Juliana Maria Magalhães Christino
Stela Cristina Hott Corrêa
José Kennedy Lopes Silva
Juliana Maria Magalhães Christino
Stela Cristina Hott Corrêa
José Kennedy Lopes Silva
Resumo
Com o intuito de preencher uma lacuna nos estudos de marketing, que historicamente invisibilizam a população negra, esta Tese tem como objetivo compreender as experiências e escolhas de consumo de consumidores negros. A partir de uma abordagem qualitativa, exploratória e descritiva, foram analisadas 2.934 legendas de postagens no Instagram, associadas a hashtags vinculadas à temática racial, e realizadas entrevistas semiestruturadas com dezenove participantes de diferentes regiões do Brasil. As análises textuais, aplicadas tanto às legendas quanto às entrevistas, foram conduzidas no software Iramuteq; já a análise de conteúdo, aplicada exclusivamente às entrevistas, foi realizada com o auxílio do ATLAS.ti. A investigação se fundamenta em cinco principais arcabouços teóricos: a Teoria da Estruturação; os conceitos de Habitus, Campo e Capitais de Bourdieu; a Teoria das Práticas; o Consumo Político; e o Interacionismo Simbólico. As análises textuais revelam convergências em torno da construção da identidade negra, especialmente nas interseções entre consumo, estética, subjetividade e pertencimento. Com relação à análise de conteúdo, a partir da Teoria da Estruturação, observa-se que consumidores negros exercem agência crítica frente às estruturas do mercado e ressignificam produtos e experiências como formas de resistência e transformação social. Os conceitos bourdieusianos indicam que o consumo é permeado por memórias coletivas, racismo estrutural e diferentes formas de capital, que moldam estratégias de valorização identitária e enfrentamento simbólico. Pela Teoria das Práticas, identifica-se que itens como roupas, cosméticos e livros carregam sentidos culturais e afetivos, e que os procedimentos e engajamentos cotidianos reforçam vínculos com a ancestralidade e coletividade. No âmbito do consumo político, destacam-se boicotes, buycotts, discurso e estilo de vida, práticas que revelam um posicionamento ético e coletivo diante de um mercado excludente. Por fim, o interacionismo simbólico mostra que o afroconsumo comunica pertencimento, orgulho racial e resistência e atribui aos produtos e marcas sentidos que extrapolam a utilidade, tornando-os símbolos de identidade. A Tese contribui ao articular múltiplas abordagens sociológicas e evidencia a potência do consumo como campo de disputa e transformação social. Ainda que limitada, a pesquisa abre caminhos para estudos futuros e reafirma a relevância do consumo como prática simbólica e politicamente situada.
Abstract
In order to fill a gap in marketing studies that historically make the black population invisible, this thesis aims to understand the experiences and consumption choices of black consumers. Using a qualitative, exploratory and descriptive approach, 2,934 captions of Instagram posts associated with racially-related hashtags were analyzed, and semi-structured interviews were conducted with nineteen participants from different regions of Brazil. The textual analyses, applied to both the captions and the interviews, were conducted using Iramuteq software; the content analysis, applied exclusively to the interviews, was carried out with the help of ATLAS.ti. The research is based on five main theoretical frameworks: Structuration Theory; Bourdieu's concepts of Habitus, Field and Capitals; Theory of Practices; Political Consumption; and Symbolic Interactionism. The textual analyses reveal convergences around the construction of black identity, especially at the intersections between consumption, aesthetics, subjectivity and belonging. Regarding content analysis, based on Structural Theory, it is observed that black consumers exercise critical agency in the face of market structures and resignify products and experiences as forms of resistance and social transformation. Bourdieusian concepts indicate that consumption is permeated by collective memories, structural racism and different forms of capital, which shape strategies of identity valorization and symbolic confrontation. Through Practice Theory, it is identified that items such as clothing, cosmetics and books carry cultural and affective meanings, and that daily procedures and engagements reinforce ties with ancestry and collectivity. In the context of political consumption, boycotts, buycotts, discourse and lifestyle stand out, practices that reveal an ethical and collective positioning in the face of an exclusionary market. Finally, symbolic interactionism shows that Afro-consumption communicates belonging, racial pride and resistance and attributes meanings to products and brands that go beyond utility, making them symbols of identity. The thesis contributes by articulating multiple sociological approaches and highlights the power of consumption as a field of dispute and social transformation. Although limited, the research opens paths for future studies and reaffirms the relevance of consumption as a symbolic and politically situated practice.
Assunto
Administração, Negros, Identidade racial
Palavras-chave
Afroconsumo, Black money, Marketing e raça, Identidade negra, Pertencimento
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