Efeitos do sistema de bioflocos e da temperatura na redução da metiltestosterona durante a masculinização da tilápia do Nilo (Oreochromis niloticus)
Carregando...
Data
Autor(es)
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Effects of biofloc system and temperature on methyltestosterone reduction during masculinization of Nile tilapia (Oreochromis niloticus)
Primeiro orientador
Membros da banca
Edgar de Alencar Teixeira
Franklin Fernando Batista da Costa
Vinícius Monteiro Bezerra
Franklin Fernando Batista da Costa
Vinícius Monteiro Bezerra
Resumo
A larvicultura da tilápia do Nilo em sua maioria é realizada em viveiros com grande presença de alimento vivo, variações de temperatura ao longo do dia e do ano, e sobras de ração por dissipação na água. Como consequência, o processo de masculinização precisa ser feito com alta concentração do hormônio sintético 17α-metiltestosterona (MT) na dieta. A produção em sistemas fechados, como a tecnologia de bioflocos (BFT), permite controlar a temperatura da água, utiliza um menor volume de água e gera menos efluentes. O BFT é um sistema alternativo para o processo de masculinização de tilápias do Nilo em viveiro, que demanda trocas de água em grandes volumes, gerando efluentes que podem conter resíduos de hormônio que pode causar impactos ambientais. Devido ao caráter de sistema fechado do BFT, nesta tese hipotetizou-se que seriam necessárias concentrações de MT menores do que as comumente utilizadas em viveiros (60 mg • Kg-1 de ração) para se obter altas taxas de masculinização. O primeiro estudo desta tese (Capítulo II) mostrou que o uso de 30 mg de MT ∙ Kg-1 de ração resultou em masculinização >99% de tilápias em sistema BFT com troca zero de água. O estudo verificou também que manter a mesma água no tanque após o término do tratamento hormonal na continuidade da engorda dos alevinos não resultaria em maiores taxas de machos quando comparado ao manejo de substituição total da água. Além disso, a MT não foi detectada na água após 12 horas da última alimentação com ração contendo hormônio. Como foi possível obter uma alta taxa de masculinização utilizando 30 mg de MT ∙ Kg-1 de ração, um novo experimento foi proposto reduzindo ainda mais essa concentração. O segundo estudo da tese (Capítulo III) avaliou as taxas de masculinização de larvas de tilápia do Nilo em sistema BFT com troca zero de água, combinando uma redução ainda maior de MT com diferentes temperaturas (25 e 28 °C). Com isso, foi possível verificar se a combinação entre concentrações reduzidas de MT e temperatura elevada seria suficiente para obter taxas elevadas de masculinização, reduzindo ainda mais a dependência de MT e a possibilidades de impacto no meio ambiente. No tratamento com temperatura a 28 °C as larvas cresceram 2,7 vezes mais, no entanto, apenas a temperatura mais elevada não foi suficiente para aumentar a masculinização, sendo estatisticamente similares nos tratamentos controle (0 mg ∙ Kg-1 de ração), com 68,6% e 64,9% de machos nas temperaturas de 25 °C e 28 °C, respectivamente. Os tratamentos que receberam hormônio na ração não divergiram entre as temperaturas 25 °C e 28 °C, apresentando taxas de masculinização acima de 98,7% e 96,9%, respectivamente. Portanto, é viável utilizar uma concentração ainda menor (10 mg de MT ⋅ Kg-1 de ração) em um BFT com troca zero de água, em temperatura da água igual ou acima de 25 °C. Por outro lado, a temperatura mais baixa tornou o processo de masculinização ainda mais sustentável, pois os peixes necessitavam de menores quantidades de ração devido à desaceleração do crescimento e, portanto, havia menos entrada de MT no sistema. Esses resultados dão suporte para uma mudança de paradigma na sustentabilidade da produção de tilápia e se aproximam de um novo protocolo voltado à masculinização em BFT com troca zero de água. Nosso estudo tem um impacto direto no cenário global de produção de tilápia, oferecendo uma masculinização eficiente e ambientalmente sustentável, diminuindo a demanda de água e de hormônios no processo, e assim e evitando a possível liberação de resíduos hormonais no meio aquático natural.
Abstract
Nile tilapia larviculture is mostly carried out in ponds with a large presence of live food, temperature variations throughout the day and year, and leftover feed dissipated in the water. Therefore, the masculinization process needs to be carried out with a high concentration of the synthetic hormone 17α-methyltestosterone (MT) in the diet. Production in closed aquaculture systems, such as biofloc technology (BFT), allows controlling water temperature, using a smaller volume of water, and generating less effluent. BFT is an alternative system for the masculinization process of Nile tilapia in ponds, which requires large-volume water changes, generating effluents that may contain hormone residues that can cause environmental impacts. Due to the closed-system nature of BFT, it was hypothesized that it would be necessary to contain lower MT than those commonly used in ponds (60 mg • Kg-1 of feed) to obtain high masculinization rates. The first study of this thesis (Chapter II) showed that the use of 30 mg of MT ∙ Kg-1 of feed resulted in >99% masculinization of tilapia in a BFT system with zero water exchange. The study also verified that maintaining the same water in the tank after the end of the hormonal treatment during the growth of the fry did not result in higher male rates when compared to the management of total water replacement. In addition, MT was not detected in the water 12 hours after the last feeding with hormone-containing feed. Since it was possible to obtain a high masculinization rate using 30 mg of MT ∙ Kg-1 of feed, a new experiment was proposed by further reducing this concentration. The second study of the thesis (Chapter III) evaluated the masculinization rates of Nile tilapia larvae in a BFT system with zero water exchange, combining an even greater reduction of MT with different temperatures (25 and 28 °C). Thus, it was possible to verify whether the combination of reduced MT concentrations and high temperature would be sufficient to obtain high masculinization rates, further reducing MT dependence and the possibility of impact on the environment. In the treatment with a temperature of 28 °C, the larvae grew 2.7 times more; however, the higher temperature alone was not sufficient to increase masculinization, being statistically similar in the control treatments (0 mg ∙ Kg-1 of feed), with 68.6% and 64.9% of males at temperatures of 25 °C and 28 °C, respectively. The treatments that received hormone in the feed did not differ between temperatures of 25 °C and 28 °C, presenting masculinization rates above 98.7% and 96.9%, respectively. Therefore, it is feasible to use an even lower concentration (10 mg of MT ⋅ Kg-1 of feed) in a BFT with zero water exchange, at a water temperature equal to or above 25 °C. On the other hand, the lower temperature made the masculinization process even more sustainable, as the fish required lower amounts of feed due to the slowed growth and, therefore, there was less MT input into the system. These results support a paradigm shift in the sustainability of tilapia production and move closer to a new protocol aimed at masculinization in BFT with zero water exchange. Our study has a direct impact on the global tilapia production scenario, offering efficient and environmentally sustainable masculinization, reducing the demand for water and hormones in the process, and thus avoiding the possible release of hormonal residues into the natural aquatic environment.
Assunto
Zootecnia
Palavras-chave
Aquicultura, Tilápia do nilo, Peixe