O rompimento da barragem de rejeitos de Fundão e a ascensão do capitalismo de desastre no Brasil

dc.creatorClaudia Marcela Orduz Rojas
dc.date.accessioned2020-11-30T16:41:19Z
dc.date.accessioned2025-09-09T00:49:04Z
dc.date.available2020-11-30T16:41:19Z
dc.date.issued2020-08-25
dc.description.abstractOn November 5th, 2015, the Fundão iron mining tailings dam, owned by Samarco (Vale S.A. / BHP Billiton), collapsed causing the death of 19 individuals, thousands of affected people, and a trail of destruction along the Rio Doce basin. It has been considered one of the worst disasters of this sort not only in Brazil, but also worldwide (FREITAS & SILVA, 2019; MPF, 2016a; OLIVEIRA, 2016; MILANEZ et al., 2015). This catastrophe is especially relevant considering its extent, magnitude and complexity of the damages and losses brought about, and most importantly, the extralegal and institutional architecture utilized by corporations to manage the disaster. Based on these findings, this study aims at grasping the connection between the Fundão dam‘s failure and rise of disaster capitalism in Brazil. Data have been collected from primary and secondary sources as well as from fieldwork and studied in compliance to the literature on the standpoint of neoliberalism, (neo)-extractivism, disasters, disaster capitalism and torture. The conclusion is that the breaching of the dam provided for the first experiment of major disaster capitalism in Brazil. As observed in other crisis scenarios, the rise of this capitalism became possible after three shock therapies. The first one was the failure itself of the dam, a physical effect — although inevitable — which took place both abruptly and violently. The rupture of the dam made it possible for the next stage of the therapy: an ambitious neoliberal, anti-democratic and unpopular economic program to repair and compensate for the damages and losses brought about. This program allowed the corporations to set up a new trend and seize the latest State‘s strongholds. As if these two therapies were not enough, the affected members have been subjected to several mechanisms and techniques of collective torture, which helped reduce social spending, neutralize opposition, and consolidate the rise of disaster capitalism in Brazil. All in all, these three shock therapies provided a brand-new proposal of ―normality‖ — more ailing, brutal, and perverse, — only to benefit a small global corporate elite.
dc.description.sponsorshipCAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
dc.identifier.urihttps://hdl.handle.net/1843/34445
dc.languagepor
dc.publisherUniversidade Federal de Minas Gerais
dc.rightsAcesso Aberto
dc.rights.urihttp://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/pt/
dc.subjectGeografia
dc.subjectNeoliberalismo
dc.subjectCapitalismo
dc.subjectCrises
dc.subjectBarragens e açudes - Mariana (MG)
dc.subject.otherNeoliberalismo
dc.subject.otherCrises
dc.subject.otherDesastres
dc.subject.otherCorporações
dc.subject.otherCapitalismo de desastre
dc.titleO rompimento da barragem de rejeitos de Fundão e a ascensão do capitalismo de desastre no Brasil
dc.typeTese de doutorado
local.contributor.advisor1Doralice Barros Pereira
local.contributor.advisor1Latteshttp://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4784035P3&tokenCaptchar=03AGdBq24J-A0CprLpGYhtV5KYNqPY_0Ok0VJ1aVpwiEabvlr6hTqRLYp6s-l2rES9_kMvoGcTdj2sYNxkkE3MsdDQPAg7H6AQPbJ09-qaWTp7789lk98UaYROoQ_zuqq6037GSesNuJsA9iC_R6HHfMudBOQEODaNHAATjsLzqH2qT865OlGH9VxfVzEij7GhlDnvxL3W74zEZsSpJ9f8_yKqfjdLQMl2tu3JO7DeSxkeNso07gHhIzAfK1pnBztq8jHcU9tHRUXhJaEHhEArcHWNxrvNnISDtFtVstg3p4apBfdBy0J6iv-AsBf7Z6XJA0tyDbQKE_VewNwDFx0GA6XrInA9AfekjFUYC8dLoc-VBQ3I_vIK3tHyEjAXF5cYnN9ki-RivYJRQb0p3znwWTDRgn0Sxa99bu8Sw5J22IR5z0amnTvRQ22gpqdArxT637mMsOBduL3eCl7n9Ujhodr-6YjMBaTE2A
local.contributor.referee1Rogata Soares del Gaudio
local.contributor.referee1Bruno Milanez
local.contributor.referee1Eliano de Souza Martins Freitas
local.contributor.referee1Klemens Augustinus Laschefski
local.contributor.referee1Alexandre Magno Alves Diniz
local.creator.Latteshttp://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4351558H1&tokenCaptchar=03AGdBq252OViPRjr0y1YeLHdzoQlkCr83udBc9RRhnuOZOeBeQNhZevj1h8gEn4U_F_5PP41upWXURwUxnPTr8z17GaHKnv_DRcSQJx_3Jrw5MEJaJ5jYB7itHcgTndP2HLGKEvzbTR3YrPfv5j6WBzXOX4PM91hEaYm96hx5w3InPNtrI0EpDxdr9Kp4vpFTU4sx_AkDUduRi7_e-WVrMIm9425bEGhSgvQ73LD-pbjVAflb7hnNERleFBR7Esy987ULmAvcXDoDeUHz-r-Rtr4WCKUvsjxkTjwNTRVvIuNidh8Q7kQwE4TBfDLLyenQEYQ2ZO4UWnbA4_o-Wrxxpw4OeQQx28Milwo8zhCvdaGeQzzx3rnqb0Th0aN224HDuGPTjkuh6AdLWrkf9kAqMFX2lIXI89HygHeMJSsb5PgzHLXUjrEqQ27ZbK16N6MScP1u1gnHhdO8IFWhFA8kFuGRcz0HMF3GMw
local.description.resumoEm cinco de novembro de 2015, a barragem de rejeitos minerais de Fundão, de propriedade da Samarco (Vale S.A/BHP Billiton), rompeu-se, deixando 19 mortos, milhares de atingidos e um rastro de destruição ao longo da Bacia do Rio Doce. Considerado um dos maiores desastres relacionados com rompimentos de barragens de rejeitos no Brasil - e um dos maiores do mundo (FREITAS & SILVA, 2019; MPF, 2016a; OLIVEIRA, 2016; MILANEZ et al., 2015) –, a catástrofe chama a atenção pela extensão, magnitude e complexidade das perdas e danos, mas em especial pelo arranjo extrajurídico e institucional mobilizado pelas corporações para gerir o desastre. A partir dessas constatações, este estudo objetiva compreender as relações entre o rompimento da barragem de rejeitos de Fundão e a ascensão do capitalismo de desastre no Brasil. As informações foram coletadas em fontes primárias e secundárias e em trabalhos de campo e analisadas a partir da literatura sobre neoliberalismo, (neo)extrativismo, desastres, capitalismo de desastre e tortura. Conclui-se que o rompimento do reservatório possibilitou a realização do primeiro experimento de grande monta do capitalismo de desastre no Brasil. Como em outros cenários de crise, a ascensão desse capitalismo efetivou-se a partir de três terapias de choque. A primeira foi o próprio rompimento da barragem, um evento físico, que apesar de ser evitável, aconteceu de maneira abrupta e violenta. O rompimento do reservatório preparou o terreno para a introdução da segunda terapia: um ambicioso programa econômico neoliberal, antidemocrático e impopular, para reparar e compensar os danos ocasionados. Esse programa permitiu às corporações responsáveis inaugurar um novo mercado e conquistar os últimos bastiões do Estado. Não sendo bastante as duas terapias anteriores, os atingidos foram ainda submetidos a diversos mecanismos e técnicas de tortura coletiva, que contribuíram para reduzir o gasto social, neutralizar a resistência e consolidar a ascensão do capitalismo de desastre no Brasil. Em suma, os três choques permitiram o desenho de uma nova “normalidade” – mais doentia, brutal e perversa –, benéfica apenas para uma pequena elite empresarial global.
local.publisher.countryBrasil
local.publisher.departmentIGC - DEPARTAMENTO DE GEOGRAFIA
local.publisher.initialsUFMG
local.publisher.programPrograma de Pós-Graduação em Geografia

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