A questão do pai para o adolescente infrator e os impasses na transmissão do desejo
Carregando...
Data
Autor(es)
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Celio Garcia
Oswaldo Franca Neto
Oswaldo Franca Neto
Resumo
Trataremos, no primeiro capítulo desta dissertação, do contexto em que foi criado o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), do tratamento que foi sendo dado à questão da delinqüência juvenil pelo texto jurídico até a implementação do ECA. O enfoque estará voltado para o modo como essa Lei considera o adolescente infrator e as medidas sócio-educativas e protetivas. Serão trazidas algumas elaborações sobre o trabalho do técnico na instituição, assim como as possibilidades e limites da prática psicanalítica numa instituição jurídica. No segundo capítulo abordaremos o tema da delinqüência juvenil, seus conceitos gerais em Freud e em outros psicanalistas que trataram do assunto. Merecerão destaques aquelas situações que se relacionam com o tema da dissertação, principalmente August Aichhorn.A ilegalidade da mãe que se presentifica na sua escolha de engendrar um filho, decidindo se permitirá ou não a incidência do pai, em suas várias instâncias: o pai que registra, que sustenta, que transmite um nome de família. É claro que a posição do pai é fundamental, seu consentimento em ser pai daquele filho, mas temos que assinalar também esse poder da mãe em permitir, ou mesmo se posicionar, para que esse homem assuma a paternidade. Essas inscrições têm fortes incidências sobre o sujeito, o que os adolescentes expressam de diversas formas, desde afirmando, com muita mágoa, que sobreviveram sem ele, que falta faz?, até confirmando um ódio pelo pai, pela maneira como o pai tratou o próprio adolescente, ou sua mãe, pela falta de apoio. Fomos verificando a importância do pai nas instâncias subjetivas, simbólicas e reais: o pai que registra a criança, que ama, que transmite seu nome e parentesco, inserindo-a em um lugar simbólico na cultura; que ajuda a mãe a cuidar da criança, realizando a chamada paternagem, conforme traduz Eric Laurent, do professor de psicologia Jean Le Camus, que usa o termo caregiving ou parenting. Ele ressalta a importância do pai que cria uma criança estando implicado em interações com ela; paternagem inclui os cuidados com o filho que se seguem nas semanas, meses (Apud LAURENT, 2005, p. 103). Buscando-nos orientarmos pelo diagnóstico estrutural (psicose, neurose e perversão), apesar de estarmos acompanhando a discussão sobre a segunda clínica do ensino de Lacan15, estaremos priorizando os casos em que houve a inscrição do Nomedo- Pai. Percebermos em um número significativo de casos com indicadores sérios do diagnóstico de psicose, e reconhecemos a urgência dessa discussão16, porém iremos refletir a partir de casos com o diagnóstico de neurose. Além do estudo clínico, iremos privilegiar, no capítulo III, alguns textos de Freud e Lacan, os três tempos do Édipo e os processos e impasses vividos pelo menino nesse percurso, obviamente sem a pretensão de esgotar o tema. Visando a lançar luzes para precisarmos os aspectos teóricos a seremformalizados a partir da leitura da psicanálise, será trabalhada, no capítulo IV, o caso de um adolescente que pude acompanhar no cumprimento da medida de Liberdade Assistida. Embora não vá ser o objeto desta proposta de trabalho, tal estudo poderá contribuir para se pensar as contribuições da psicanálise em uma instituição da Lei,seus limites e suas condições de existência. Estaremos desenvolvendo algumas idéias sobre essa questão, principalmente no item 3 do primeiro capítulo.
Abstract
Assunto
Delinquência juvenil, Psicologia forense, Psicologia do adolescente, Crianças Estatuto legal, leis, etc, Pais e filhos (Direito), Psicologia
Palavras-chave
Pais e filhos, Psicologia forense, Adolescente infrator, Desejo