Do corpo disciplinar ao corpo real : o trabalho dos agentes de segurança penitenciária

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Tese de doutorado

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Primeiro orientador

Membros da banca

José Newton Garcia de Araújo
Virgilio de Mattos
Jorge Tarcisio da Rocha Falcão
Admardo Bonifácio Gomes Júnior

Resumo

Essa pesquisa dedica-se ao estudo do trabalho dos agentes de segurança penitenciária e, por meio de uma abordagem orientada pelas Clínicas do Trabalho, em particular, a interface entre a Psicossociologia do Trabalho e a Ergologia, busca acessar a própria estrutura e dinâmica de funcionamento do sistema prisional. Denotamos que esse universo é raramente tomado como objeto de estudos no campo da psicologia do trabalho e entendemos que a análise do ofício de vigiar e punir nos lugares de privação de liberdade pode oferecer importantes contribuições ao campo dos estudos prisionais e do trabalho, na medida em que permite apreender a vida e os sujeitos em situação, no protagonismo de seu fazer laboral. A abordagem do trabalho dos agentes de segurança penitenciária foi realizada por meio de observações de suas atividades e entrevistas, nos permitindo mais: acessar o poder de punir no exercício dos gestos e no fazer do próprio corpo, onde ele faz sua morada, desde as suas prescrições, até a expressão do mais imprevisível da atividade profissional. Nesse sentido, propomos o acesso a esse ofício em três diferentes tempos: 1) O Corpo Disciplinar, caracterizado pelas operações que visam manter a ordem e a segurança no interior das prisões e buscam disciplinar o preso. Aqui se destaca o regime de produção de um corpo que reforça identidade profissional, marca sua distinção com o preso e o vincula ao poder da instituição; 2) Corpo Fronteira, que se caracteriza, sobretudo, pela desconstrução dessa identidade, dadas às condições de precariedade que se fazem presentes na generalidade das organizações prisionais e às falhas, sempre presentes, nas prescrições do trabalho. Nessa dimensão, a certeza institucional cede espaço aos questionamentos e dúvidas, nos agentes de segurança, sobre o que se faz e o que pretende o trabalho nas prisões; e 3) Corpo Real, que é marcado pelas medidas encontradas pelos agentes de segurança penitenciária diante das fissuras e porosidades que provocaram a indeterminação do eu, no Corpo Fronteira. Nesse momento, denota-se que, na tentativa de reposicionar o seu lugar de poder, distanciamento e objetificação do preso, o agente recorre a medidas de violência e práticas de tortura. A nossa investigação busca demonstrar o que está no âmago do trabalho dos agentes de segurança penitenciária: o caráter destrutivo e mortífero do poder que sustenta as prisões.

Abstract

Assunto

Psicologia - Tese, Trabalho - Teses, Prisão - Teses, Agentes penitenciários - Teses

Palavras-chave

Psicologia, Agentes penitenciários, Trabalho, Prisão

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