Esquistossomose mansônica em áreas de transmissão no Brasil: morbimortalidade, modelagem preditiva e aspectos críticos no controle da doença
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Tese de doutorado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Ricardo José de Paula Souza e Guimarães
Camila Stefanie Fonseca de Oliveira
Deborah Aparecida Negrão-Corrê
Cristiano Lara Massara
Camila Stefanie Fonseca de Oliveira
Deborah Aparecida Negrão-Corrê
Cristiano Lara Massara
Resumo
A esquistossomose é uma doença parasitária crônica causada por vermes trematódeos do gênero Schistosoma, que afeta globalmente cerca de 240 milhões de pessoas. Essa infecção ocorre principalmente em 78 países nas regiões da África, Américas, Oriente Médio e Sudeste Asiático, onde mais de 700 milhões de indivíduos vivem em áreas endêmicas com risco de contágio. A transmissão é favorecida em regiões tropicais e subtropicais subdesenvolvidas, com precárias condições sanitárias e populações vivendo em contato próximo com coleções de água contaminada pelo parasito. A esquistossomose continua sendo um sério problema de saúde pública no Brasil, afetando várias pessoas que vivem em extensas áreas endêmicas do território brasileiro e para combater a esquistossomose o Brasil adotou como política pública para controle das doenças no Brasil é implementou o Programa de Controle Esquistossomose (PCE), que é baseado com diagnóstico precoce e tratamento oportuno dos casos positivos. Antes, era comum encontrar áreas com altas taxas de esquistossomose no Brasil. No entanto, essa realidade mudou com o passar dos anos. A redução das taxas é resultado das ações implementadas pelo PCE, que contribuiu para a diminuição da ocorrência da doença. Atualmente, observa-se uma queda nas taxas de prevalência nas áreas endêmicas do país, isto poderia ser algo positivo, contudo, esta redução veio acompanhada também de uma diminuição no número de municípios com atividades onde houve busca ativa no PCE nos últimos anos. Estes fatores podem resultar em conclusões equivocadas sobre o perfil de transmissão da doença. Para uma melhor compreensão deste processo, realizou-se uma revisão sistemática com meta-análise sobre a prevalência da esquistossomose no Brasil em artigos publicados após 1980. Que apresentou nesse período uma prevalência média de 21%, com grande concentração dos estudos na região Sudeste e Nordeste brasileiro, onde Minas Gerais foi o estado que apresentou a maior quantidade de estudos. Outro fato importante observado sobre a esquistossomose no Brasil, que 43% da possibilidade de evoluir para o óbito está relacionado ao estado de residência. Isso indica que quase metade da possiblidade de evoluir para óbito está relacionado ao estado de residência. Como demonstrado, com a redução das atividades PCE é possível que esteja subestimado os casos da esquistossomose no Brasil. Assim, uma compreensão mais realista dos casos é importante. Para isto foi construído e testado 11 algoritmos de machine learning, que foram utilizados para estimar a ocorrência da doença. Para os algoritmos foi utilizado o número de óbitos, hospitalização e casos graves para esquistossomose, mesorregião e microrregião de residência. O melhor modelo foi o Random Forest Regressor, com o menor MSE e maior R². Assim, o modelo final estimou uma grande quantidade de casos não diagnosticado, que deveria ser aproximadamente o dobro do diagnosticado atualmente, com a maior ocorrência no Vale do Jequitinhonha, Centro-Sul Baiano e no litoral do nordeste brasileiro. Portanto, este trabalho contribui para compreendermos a magnitude da atual situação da esquistossomose no Brasil e propor melhores estratégias de vigilância e controle da doença no Brasil.
Abstract
Schistosomiasis is a chronic parasitic disease caused by fluke worms of the genus Schistosoma, which affects approximately 240 million people globally. This infection occurs mainly in 78 countries in Africa, the Americas, the Middle East and Southeast Asia, where more than 700 million individuals live in endemic areas at risk of infection. Transmission is favored in underdeveloped tropical and subtropical regions, with precarious sanitary conditions and populations living in close contact with water bodies contaminated by the parasite. In the American continent, schistosomiasis is found in Central and South America, with Brazil being the country with the highest infection rates. Schistosomiasis continues to be a serious public health problem in Brazil, affecting many people who live in extensive endemic areas of the Brazilian territory. To fight schistosomiasis, Brazil adopted a public policy for disease control in Brazil and implemented the Schistosomiasis Control Program (PCE), which is based on early diagnosis and timely treatment of positive cases. In former days, it was common to find areas with high infection rates of schistosomiasis in Brazil. However, this reality has changed over the decades. This reduction in infection rates is the result of interventions implemented by the PCE, which contributed to reducing the occurrence of the disease. Currently, there is a drop in prevalence rates in endemic areas of the country, this could be encouraging, however, this reduction was also accompanied by a decrease in the number of municipalities with interventions and an active search within the PCE during the recent years. This fact may result in erroneous conclusions about the transmission profile and actual situation of the disease. For a better understanding of this process, a systematic review with meta-analysis on the prevalence of schistosomiasis in Brazil was carried out, accessing publications from the year 1980 onwards. The mean resulting prevalence from these studies was 21%, with highest concentrations in Southeastern and Northeastern Brazil, where Minas Gerais was the state with the highest number of studies. Another important fact observed about schistosomiasis in Brazil was that 43% of the possibility of evolving to death is related to the state of residence. This indicates that nearly half of the possibility of progressing to death is related to the state of residence. As demonstrated with the reduction of PCE activities, it is possible that the cases of schistosomiasis in Brazil are being underestimated. Thus, a more precise understanding and estimates on infection is important. For this, 11 machine learning algorithms were built and tested and used to estimate the occurrence of the disease. For the algorithms, the number of deaths, hospitalizations and severe cases for schistosomiasis, mesoregion and microregion of residence were used. The best model was the Random Forest Regressor, with the lowest MSE and highest R². Thus, the final model estimated a large number of undiagnosed cases, which should be approximately twice the number currently diagnosed, with the highest occurrence in the Jequitinhonha Valley, Central-South Bahia and on the coast of northeastern Brazil. Therefore, this work contributed to the understanding and the magnitude of the current situation of schistosomiasis in Brazil and proposed better strategies for surveillance and control of the disease.
Assunto
Parasitologia, Esquistossomose, Saúde Pública, Epidemiologia, Revisão Sistemática, Inteligência Artificial
Palavras-chave
Esquistossomose, Saúde pública, Epidemiologia, Revisão sistemática, Inteligência artificial
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