Medo e ansiedade odontológicos: concordância entre diferentes instrumentos de mensuração e associação com fatores individuais da criança e da família
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Dental fear and anxiety: the agreement between different assessment tools and association with individual and family factors
Primeiro orientador
Membros da banca
Flávia Almeida Ribeiro Scalioni González
Fabiana Vargas Ferreira
Jéssica Madeira Bittencourt
Natália Cristina Ruy Carneiro
Fabiana Vargas Ferreira
Jéssica Madeira Bittencourt
Natália Cristina Ruy Carneiro
Resumo
Medo e ansiedade odontológicos são sentimentos altamente prevalentes na clínica odontológica, especialmente entre crianças, sendo definido como sentimentos fortemente negativos associados ao tratamento odontológico e seu contexto. Existe uma lacuna na literatura, na qual estudos com amostras representativas através do autorrelato de crianças fora do ambiente clínico são raros. Sendo assim, os objetivos do estudo são avaliar a prevalência do medo e ansiedade odontológicos autorrelatado em crianças e investigar a concordância entre diferentes instrumentos de mensuração, assim como a associação do medo e ansiedade das crianças com o de seus principais cuidadores, fatores socioeconômicos e de saúde bucal. Foi realizado um estudo transversal representativo de base populacional com crianças de 4 a 6 anos de idade e seus cuidadores, na cidade de Carmópolis de Minas, Minas Gerais, de março a setembro de 2023. O medo e ansiedade odontológicos das crianças foram mensurados pelo relato proxy do cuidador, com a Dental Anxiety Question (DAQ), e pelo autorrelato da criança, com o Children Fear Survey Scale - Dental Subscale (CFSS-DS). Os cuidadores responderam ao Dental Anxiety Scale (DAS) e ao Dental Fear Survey (DFS) sobre seus próprios sentimentos de medo e ansiedade odontológicos. Os cuidadores também responderam a um questionário socioeconômico e sobre histórico de dor de dente e de consulta odontológica da criança. A cárie dentária foi avaliada por duas examinadoras calibradas de acordo com o índice da Organização Mundial da Saúde ceo-d (dentes cariados, com extração indicada e obturados). O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (CAAE nº 31334720.1.0000.5149). Os dados foram submetidos à análise descritiva, Coeficiente de Correlação Intraclasse, análise de Bland-Altman e Modelagem por Equação Estrutural (MEE). A amostra final foi de 272 crianças, com prevalência de medo e ansiedade odontológicos autorrelatado (CFSS-DS) de 58,1%. Não houve correlação entre o autorrelato das crianças e o relato proxy dos cuidadores para o medo e ansiedade odontológicos das crianças (CCI = 0,037; 95%IC= -0,231-0,247; p = 0,381), mas houve correlação moderada entre o autorrelato dos cuidadores por meio do DFS e DAS (CCI = 0,43; 95%IC = 0,27-0,56, p < 0,001). A análise de Bland-Altman demonstrou ausência de concordância entre o CFSS-DS e o DAQ e, entre o DFS e o DAS. A MEE demonstrou que crianças com experiência de cárie dentária (β = 0,145; p = 0,036) e visita ao dentista em menos de seis meses (β = -0,158; p = 0,037) apresentaram maior medo e ansiedade odontológicos. Medo e ansiedade odontológicos dos cuidadores não foi associado ao medo e ansiedade odontológicos das crianças, bem como outros fatores relacionados aos cuidadores. Este estudo conclui que o relato dos cuidadores para medo e ansiedade das crianças, não concorda com o relato das crianças. Sugere-se não usar o DFS e o DAS como instrumentos equivalentes. Além disso, fatores individuais da criança, como cárie e dor de dente, mostraram-se associados ao medo e ansiedade odontológicos infantil, sem associação com fatores relacionados aos cuidadores.
Abstract
Dental fear and anxiety are highly prevalent in dental practice, particularly among
children, and are defined as strongly negative feelings associated with dental treatment
and its context. There is a gap in literature, as studies with representative samples
using children’s self-reports outside the clinical environment are scarce. Therefore, the
objectives of this study were to assess the prevalence of self-reported dental fear and
anxiety in children and to investigate the agreement between different measurement
instruments, as well as the association of children’s dental fear and anxiety with that of
their primary caregivers, socioeconomic factors, and oral health conditions. A
population-based, cross-sectional study was conducted with children aged 4 to 6 years
and their caregivers, in the city of Carmópolis de Minas, Minas Gerais, from March to
September 2023. Children’s dental fear and anxiety were measured using caregiver
proxy reports with the Dental Anxiety Question (DAQ) and children’s self-reports with
the Children Fear Survey Scale - Dental Subscale (CFSS-DS). Caregivers completed
the Dental Anxiety Scale (DAS) and the Dental Fear Survey (DFS) regarding their own
feelings of dental fear and anxiety. They also answered a socioeconomic questionnaire
and provided information about the child’s history of toothache and dental visits. Dental
caries was assessed by two calibrated examiners according to the World Health
Organization decayed, missing, and filled teeth index (dmft). The study was approved
by the Research Ethics Committee of the Federal University of Minas Gerais (CAAE
No. 31334720.1.0000.5149). Data were subjected to descriptive analysis, Intraclass
Correlation Coefficient (ICC), Bland-Altman analysis, and Structural Equation Modeling
(SEM). The final sample consisted of 272 children, with a prevalence of self-reported
dental fear and anxiety (CFSS-DS) of 58.1%. No correlation was found between
children’s self-reports and caregivers’ proxy reports of children’s dental fear and
anxiety (ICC = 0.037; 95%CI = -0.231–0.247; p = 0.381). However, a moderate
correlation was found between caregivers’ self-reports using DFS and DAS (ICC =
0.43; 95%CI = 0.27–0.56; p < 0.001). Bland-Altman analysis demonstrated a lack of
agreement between CFSS-DS and DAQ, as well as between DFS and DAS. SEM
showed that children with dental caries experience (β = 0.145; p = 0.036) and those
who had a dental visit within the last six months (β = -0.158; p = 0.037) presented
higher levels of dental fear and anxiety. Caregivers’ dental fear and anxiety were not
associated with children’s dental fear and anxiety, nor were other caregiver-related
factors. This study concludes that caregivers’ reports of children’s dental fear and
anxiety do not agree with children’s self-reports. It is suggested that DFS and DAS
should not be used interchangeably. Furthermore, individual factors in children, such
as dental caries and toothache, were associated with dental fear and anxiety, whereas
caregiver-related factors were not.
Assunto
Ansiedade ao tratamento odontológico, Pré-escolar, Criança
Palavras-chave
Medo ao tratamento odontológico, Ansiedade ao tratamento odontológico, Pré-escolar, Criança