Uso das mãos na realização de atividades bimanuais de crianças e adolescentes com paralisia cerebral unilateral espástica
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Tipo
Dissertação de mestrado
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Membros da banca
Marisa Cotta Mancini
Rejane Vale Gonçalves
Rejane Vale Gonçalves
Resumo
Crianças e adolescentes com paralisia cerebral unilateral espástica (PCUE) podem apresentar alterações importantes na função manual, comprometendo o desempenho de atividades cotidianas. Sabe-se que as atividades da rotina diária envolvem ações que requerem o uso combinado das mãos. Tais atividades podem ser consideradas desafiadoras para estes indivíduos, em virtude das alterações de componentes motores e sensoriais, ambientais e pessoais que eles podem apresentar. O objetivo geral deste estudo foi investigar os fatores que interferem no uso das mãos em atividades bimanuais de crianças e adolescentes com PCUE. Foi realizado um estudo transversal com pais/cuidadores de 102 crianças e adolescentes com PCUE, de 6 a 18 anos. Foram coletadas informações sobre a classificação das habilidades manuais da criança, segundo o Sistema de Classificação da Habilidade Manual (MACS); idade da criança; lado do acometimento; e informações sobre o uso das mãos em atividades cotidianas, por meio do Questionário de Experiência da Criança no Uso das Mãos (Children´s Hand-Use Experience Questionnaire- CHEQ 2.0). A análise de clusters identificou agrupamentos de crianças e adolescentes que realizaram atividades bimanuais do CHEQ com e sem auxílio do cuidador. Análise de regressão linear múltipla identificou a contribuição dos fatores: idade, sexo, classificação da habilidade manual (MACS), lado da hemiparesia e cluster de assistência, nos desfechos de eficácia, tempo e incômodo no uso das mãos. As variáveis MACS e clusters de assistência foram preditoras de eficácia (p<0,05; rs=0,31), tempo (p<0,05; rs =0,37) e incômodo (p<0,05; rs =0,22). Foi evidenciado que as crianças e adolescentes com maior comprometimento da função manual (i.e., MACS III) e que receberam assistência na maioria das atividades bimanuais são menos eficazes no uso das mãos, são mais lentas para o desempenho das atividades e se sentem mais incomodadas ao usar a mão comprometida. Assim, as estratégias de intervenção direcionadas para a promoção e desempenho de atividades bimanuais da rotina diária de crianças com PCUE, devem considerar a proficiência e a velocidade de uso da extremidade acometida, assim como a sensação de incômodo da criança durante tais atividades. O uso de adaptações e a orientação aos cuidadores podem promover o desempenho funcional dessas crianças e adolescentes.
Abstract
Children and adolescents with unilateral spastic cerebral palsy (USCP) may show important limitations in hand function, compromising their performance in daily activities. It is known that daily routine activities involve actions that require the combined use of hands. Such activities can be considered challenging for these individuals, due to motor and sensory impairments, environmental and personal characteristics. The aim of this study was to investigate the factors that interfere with the use of hands in bimanual activities of children and adolescents with USCP. A cross-sectional study was conducted with 102 parents/caregivers of children and adolescents with USCP, aged 6 to 18 years. Data collection comprised the classification of the child's manual skills, according to the Manual Ability Classification System (MACS); child's age; side of the involvement; and information on the use of hands in everyday activities, through the Children's Hand-Use Experience Questionnaire (CHEQ 2.0). Cluster analysis identified groups of children and adolescents who performed CHEQ bimanual activities with and without caregiver assistance. Multiple linear regression analysis identified the contribution of factors: age, gender, classification of hand function (MACS), side of hemiparesis, and cluster of assistance, in the outcomes of efficacy, time, and discomfort in the use of hands. The MACS variables and clusters of assistance were predictors of efficacy (p<0.05; r2=0.31), time (p<0.05; r2=0.37) and discomfort (p<0.05; r2= 0.22). It was shown that children and adolescents with greater impairment of manual function (i.e., MACS level III) and who received assistance in most bimanual activities were less effective in using their hands, are slower to perform activities, and feel more uncomfortable when using the affected hand. Intervention strategies aimed at promoting and performing bimanual activities in the daily routine of children with USCP should consider the proficiency and speed of use of the affected extremity, as well as the child's feeling of discomfort during such activities. The use of adaptations and educational streategies to caregivers can promote the functional performance of these children and adolescents.
Assunto
Paralisia cerebral nas crianças, Capacidade motora
Palavras-chave
Paralisia cerebral, Hemiparesia, Mãos, Habilidade manual, Desempenho bimanual, Avaliação