Olhar com o olho de dentro: corpo-imagem afrodiaspórico como experimento de autodefinição e autorreparação na Baixada Fluminense (RJ)

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Tese de doutorado

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Looking with the inner eye : the afrodiasporic body-image as an experiment in self-definition and self-healing in the Baixada Fluminense (RJ)

Primeiro orientador

Membros da banca

Maria Aparecida Moura
Pâmela Guimarães da Silva
Pedrina de Lourdes Santos
Andréia de Fátima Hoelzle Martins

Resumo

Este trabalho forja e investiga o conceito de corpo-imagem afrodiaspórico como campo simbólico, político e estético de resistência, autorreparação e empoderamento da consciência negra na sociedade brasileira, com foco na Baixada Fluminense. Partindo da própria trajetória do autor, a pesquisa articula teoria, vivência e práticas extensionistas, afirmando uma metodologia insurgente ancorada na filosofia do "olhar com o olho de dentro" e nos diálogos interepistêmicos entre saberes textualizados, saberes da experiência e imagens. A metodologia propõe uma espiral de construção do conhecimento, na qual ciência, arte e ativismo se entrelaçam. A discussão parte do entendimento do racismo como fenômeno imagético que se inscreve no corpo negro, produzindo hierarquias ontológicas e violência simbólica. Em resposta, o conceito de corpo-imagem afrodiaspórico emerge como ferramenta para compreender e enfrentar as marcas da racialidade, articulando memória, subjetividade e ancestralidade. Por meio de uma curadoria sensível de imagens e da prática extensionista "Imagens e Corpos: Territórios de Lutas e Resistências", a tese mapeia processos de autodefinição e autorreparação de subjetividades negras, transformando dor em potência e memória em horizonte. Os resultados apontam que os corpos negros, historicamente capturados e feridos, reivindicam agora, por meio da arte e da reflexão crítica, o direito radical de existir, criar e florescer. A pesquisa demonstra que o corpo-imagem afrodiaspórico não é apenas lugar de denúncia, mas também campo fértil de reexistência, em que se entrelaçam estética, política e cura. Conclui-se que a luta antirracista precisa também acontecer na arena da imagem, um lugar muitas vezes inviabilizado enquanto dimensão a ser travada na guerra contra o racismo. Ao final, a tese não se encerra: ela se transforma em revoada, germinando novos cruzos, encontros e insurgências. Inspirada na filosofia Kilombola de Nego Bispo, e compreendendo que todo fim é um novo começo, o trabalho sugere que siga semeando mundos possíveis com a esperança insurgente de que a luz negra ilumine futuros a serem sonhados.

Abstract

This study forges and investigates the concept of the Afro-diasporic body-image as a symbolic, political, and aesthetic field of resistance, self-repair, and empowerment of Black consciousness in Brazilian society, with a focus on the Baixada Fluminense region. Drawing from the author’s own journey, the research weaves together theory, lived experience, and community-engaged practices, affirming an insurgent methodology rooted in the philosophy of “seeing with the inner eye” and in inter-epistemic dialogues between textualized knowledge, experiential wisdom, and imagery. The methodology proposes a spiral of knowledge construction, in which science, art, and activism intertwine. The discussion begins with an understanding of racism as an imagetic phenomenon inscribed on the black body, producing ontological hierarchies and symbolic violence. In response, the concept of the Afro-diasporic body-image emerges as a tool to comprehend and confront the marks of raciality, articulating memory, subjectivity, and ancestry. Through a sensitive curatorship of images and the community practice “Images and Bodies: Territories of Struggle and Resistance,” the thesis maps processes of self-definition and self-repair of black subjectivities, transforming pain into power and memory into horizon. The results indicate that black bodies — historically captured and wounded — now reclaim, through art and critical reflection, the radical right to exist, create, and flourish. The research shows that the Afro-diasporic body-image is not merely a site of denunciation but also a fertile ground for reexistence, in which aesthetics, politics, and healing are interwoven. It concludes that the anti-racist struggle must also unfold in the arena of the image, a space often dismissed as peripheral in the war against racism. In the end, the thesis does not close — it takes flight, sowing new crossings, encounters, and insurgencies. Inspired by the Kilombola philosophy of Nego Bispo, and understanding that every end is a new beginning, the work suggests that we continue seeding possible worlds, carried by the insurgent hope that black light will illuminate the futures we have yet to dream.

Assunto

Comunicação - Teses, Relações étnicas - Teses, Relações raciais - Teses, Antirracismo - Teses

Palavras-chave

Corpo-imagem afrodiaspórico, Negridade, Resistência, Racismo

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