Intempestivo corpo: o ensaio de Diamela Eltit, desde uma perspectiva adorniana

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Tese de doutorado

Título alternativo

Untimely body: the essay of Diamela Eltit from an adornian perspective

Membros da banca

Adriane Aparecida Vidal Costa
Jéssica Luiza de Souza Ribas
Júlia Morena Silva da Costa
Natalia del Pilar Cisterna Jara
Rodrigo Antônio de Paiva Duarte

Resumo

Assumindo a enunciação em nome próprio como pressuposto e finalidade, em sua obra crítica, a escritora chilena Diamela Eltit elabora o exercício da especulação tomando a experiência como seu único princípio regulador e, por meio deste artifício, põe em ato um modelo contra-hegemônico de racionalidade; um modelo para o qual o conteúdo da crítica é inseparável de sua expressão. Ao fazer do corpo o fundamento de suas reflexões, essa prosa ensaística estabelece um diálogo frutífero com as elaborações do filósofo alemão Theodor Adorno, especialmente no que diz respeito às noções de “imagem histórica”, “ensaio” e “não-idêntico”, estruturais à sua dialética negativa. É a partir dessa interlocução que este trabalho visa investigar os ensaios “Sociedad Anónima” (1999), “Las dos caras de La Moneda” (1997), “Los estigmas del cuerpo” (1998), “1974” (2005), “La compra, la venta” (1997), “La memoria pantalla” (2003), “Con la cultura en la mano” (2013) e “Farid Zerán o la infatigable perseverancia” (2008) – selecionados das coletâneas Emergencias (2000), Signos Vitales (2008) e Réplicas (2014) – voltando-se, a um só tempo, àquilo que se diz (suas reflexões e proposições acerca dos temas que aborda) e àquilo que, em função da forma como é dito, se mostra. Para tanto, além do contínuo diálogo com Adorno, este trabalho realiza uma revisão histórica da produção literária de Diamela Eltit, inserindo-a no contexto do panorama sociopolítico chileno que abrange o período pré-ditatorial, a ditadura de Augusto Pinochet e o subsequente regime democrático neoliberal. Implementado durante a ditadura civil-militar e consolidado pela democracia que a sucedeu, o neoliberalismo é um elemento chave nas reflexões de Eltit, que articula uma crítica contundente a seus mecanismos de instrumentalização do corpo e da memória. A análise ora apresentada considera os processos de repressão e violência instaurados pela ditadura e perpetuados pelas estruturas neoliberais, explorando como esses fenômenos impactaram as formas de subjetivação e as práticas culturais no país. É, portanto, por meio de uma revisão crítica da história chilena que este trabalho investiga como as transformações políticas e econômicas emergem simbolicamente na prosa ensaística da autora. Interessa-nos, portanto, perscrutar de que maneira Diamela Eltit toma o corpo como uma espécie de operador conceitual, e em que medida esse procedimento oportuniza, por um lado, a crítica às normatizações instituídas por meio da inscrição sub-reptícia de códigos e ordenamentos; e, por outro, a edificação de imagens que, ao trazer à tona aquilo que a racionalidade hegemônica precisa manter invisível para se preservar, postam-se como vigorosas linhas de fuga.

Abstract

Taking as both premise and purpose the enunciation in her own name, Chilean writer Diamela Eltit, in her critical work, develops the practice of speculation by taking experience as its sole regulatory principle. Through this device, she activates a counter-hegemonic model of rationality; a model in which the content of critique is inseparable from its expression. By grounding her reflections in the body, this essayistic prose establishes a fruitful dialogue with the work of German philosopher Theodor Adorno, especially regarding the notions of “historical image,” “essay,” “non-identical,” that structure his negative dialectic. From this dialogue, this work seeks to investigate the essays “Sociedad Anónima” (1999), “Las dos caras de la moneda” (1997), “Los estigmas del cuerpo” (1998), “1974” (2005), “La compra, la venta” (1997), “La memoria pantalla” (2003), “Con la cultura en la mano” (2013), and “Farid Zerán o la infatigable perseverancia” (2008) –– selected from the collections Emergencias (2000), Signos Vitales (2008), and Réplicas (2014) –– focusing simultaneously on what this essayistic prose states (its reflections and propositions on the themes it addresses) and on what, by the way it is stated, is revealed. For this purpose, besides to the ongoing dialogue with Adorno, this work provides a historical review of Diamela Eltit’s literary production, situating it within the sociopolitical context of Chile, encompassing the pre-dictatorship period, Augusto Pinochet’s dictatorship, and the subsequent neoliberal democratic regime. Implemented during the civil-military dictatorship and consolidated by the democracy that followed, the neoliberalism regime is a key element in Eltit’s reflections, as she articulates a strong critique of its mechanisms of instrumentalizing the body and memory. The analysis presented here considers the processes of repression and violence instituted by the dictatorship and perpetuated by neoliberal structures, exploring how these phenomena impacted the forms of subjectivation and cultural practices in the country. Therefore, through a critical review of Chilean history, this study investigates how the political and economic transformations of the country symbolically emerge in the author’s essayistic prose. Thus, we are interested in exploring how Diamela Eltit uses the body as a kind of conceptual operator, and to what extent this approach enables, on the one hand, the critique of norms instituted through the surreptitious inscription of codes and regulations; and, on the other hand, the construction of images that, by bringing to light what hegemonic rationality needs to keep hidden to preserve itself, stand as powerful lines of flight.

Assunto

Elit, Diamela, 1949- – Crítica e interpretação – Teses, Chile – Golpe de Estado, 1973- – Teses, Ensaios chilenos – História e crítica, Literatura e sociedade, Neoliberalismo, Enunciação

Palavras-chave

Diamela Eltit, Ensaio, Adorno, Neoliberalismo, Ditadura chilena

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