Sobre viagem: palmilhar limites, entrever transformações
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Tese de doutorado
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Primeiro orientador
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Humberto Fois Braga
Andre Velloso Batista Ferreira
Luiz Henrique Assis Garcia
José Geraldo Pedrosa
Andre Velloso Batista Ferreira
Luiz Henrique Assis Garcia
José Geraldo Pedrosa
Resumo
O que se conhece sobre viagem é fruto de discursos que centralizaram sentidos para o ato de viajar, condicionando o campo conceitual e imaginário a ela relacionado. Constructo narrativo largamente difundido e integrado à cultura oral e escrita, viagem é um produto da linguagem e do pensamento que perpassa projetos de poder e de dominação territorial. A tese consiste em um espaço de reflexão e de questionamento que palmilha limites do discurso dominante de viagem e que entrevê enunciados criados por outros sujeitos, a partir de outras práticas, que são, por razões pouco refletidas, afastados do que convencionou-se nomear de viagem. Trata-se de um estudo crítico e criativo sobre textos narrativos de viagem para a identificação de centralidades discursivas e, também, do potencial de reinvenção do discurso dominante. A ênfase reflexiva da pesquisa recai sobre a viagem por dentro, que visa destacar a necessidade de que o sujeito compreenda-se plenamente enquanto viajante para construir um lugar de enunciação lúcido e transformador que supere o individualismo e o consumismo atrelados às viagens contemporâneas. Tal lugar enunciativo pode ser desenhado a partir da crítica da referência de viajante como sujeito universal cujo olhar centralizador permite o exercício de um posicionamento autoritário e pouco auto-crítico. A histórica assimetria discursiva, que direcionou o olhar viajante do exterior ao interior, necessita ser reconstruída a partir da apropriação da plataforma enunciativa de viagem. A narração de viagem é um tipo de empréstimo criativo que mistura várias formas de representação textual, que proporciona uma imaginação do eu com relação ao outro e que permite uma tomada de posição de si em articulação a um saber sobre o outro — lugar, paisagem, cultura, povo. Textos jornalísticos, ensaísticos e literários são posicionados em um mesmo patamar interpretativo para favorecer o debate acerca dos fundamentos do discurso ocidental hegemônico de viagem. A interpretação e a redação de textos de viagem são alinhadas ao objetivo de sublinhar determinados sentidos assumidos pelo viajante: testemunha, contemplativo, eurocêntrico, erudito e masculino. Gonçalo Cadilhe, Raquel Ochoa, Jonathan Swift, Ítalo Calvino, Jorge Luis Borges, Tiago Salazar, Mário
de Andrade, Guimarães Rosa são autores cujos textos analisados proporcionam o
aprofundamento das reflexões. As conclusões da pesquisa acentuam a necessidade
da narração como processo que movimenta o sujeito em busca de sentido para a
viagem, uma ação não menos importante que a de se deslocar fisicamente. Conclui-se
que é necessário expandir referências para o desenvolvimento do potencial subversivo
e emancipador das viagens.
Abstract
What is known about traveling is the result of discourses that have centralized the
meaning of the action of traveling, shaping the conceptual and imaginary fields related
to it. Traveling, a largely diffused narrative construct integrated to the oral and written
traditions, is a product of the language and thinking that are associated to projects of
power and territory domination. This dissertation is a space for thinking and questioning
this, it tracks the limits of the dominating traveling discourse, and foresees definitions,
created by other subjects through other practices, which were distanced, for some
unclear reason, from what has been commonly defined as traveling. It is a creative
study that sees through narrative texts about the act of traveling to identify aspects of
the discourse monopoly, but also the possibility of reinventing the dominant discourse.
The reflexive essence of the research revisits traveling on the inside, in order to
highlight the traveler’s necessity to understand herself completely so as to build a place
of lucid expression and transformation, which may overcome the individualism and
consumerism currently associated to traveling. Such place of expression can be
described through the questioning of the idea of the traveler as a universal being,
whose centralizing eye allows for an authoritarian and self-centered perspective. The
historical asymmetry in discourse, which has moved the traveler’s eyesight from the
outside to the inside, needs to be rebuilt through the appropriation of the platform for
defining traveling. The narrative is a type of creative borrowing that entails several
paths of creating a text, which enables imagining oneself in the place of other, allowing
for understanding our own perspective through knowing the other’s place, landscape,
culture, and people. Columns, essays, and literary texts were all considered from the
same perspective to encourage debate about the essence of the mainstream western
discourse about traveling. The interpretation and writing of texts on traveling aimed at
underscoring meanings given by the traveler, as that of a witness, and also
contemplative, Eurocentric, knowing, and masculine. Gonçalo Cadilhe, Raquel Ochoa,
Jonathan Swift, Ítalo Calvino, Jorge Luis Borges, Tiago Salazar, Mário de Andrade,
Guimarães Rosa: are some of the authors whose texts were read, allowing for deeper
reflection. The research’s conclusion highlights the need of the narrative as a process
for encouraging people towards having meaning in traveling, a no less important action
than that of physically dislocating oneself. We conclude that it is necessary to increase
the references that may help realize the subversive and transformative potentials in the
act of traveling.
Assunto
Viagem na literatura, Geografia na literatura
Palavras-chave
Viagem, Narrativa, Discurso, Literatura, Subjetividade, Representação
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