A dimensão estruturante do brincar : uma possibilidade de intervenção orientada pela ética da psicanálise no acolhimento de crianças institucionalizadas?

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Tese de doutorado

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Membros da banca

Gilson de Paulo Moreira Ianinni
Fábio Santos Bispo
Monica Maria Farid Rahme
Julieta Jerusalinsky

Resumo

A tese aborda os processos de subjetivação de crianças e adolescentes em instituições de acolhimento temporário. O risco de anonimato em que a separação compulsória de sua linhagem familiar as lança, promovido pelo Estado como medida de proteção, problematiza os limites da atenção psicológica a elas dedicados. A oferta de um espaço para brincar, compreendido como sintoma constituinte do sujeito na infância, ampliou suas condições de subjetivação. O trabalho psíquico em relação a operações em que a estruturação se fundamenta, permitiu-lhes um cuidado singularizado frente à tensão particular-universal comum às normativas institucionais. Propõe-se as operações psíquicas do Fort-Da e seus jogos precursores como fundamento suficientemente orientador da intervenção nesses sujeitos expostos à descontinuidade de sua existência em relação à linhagem. O campo de transposição de suas referências subjetivas primárias, enquanto infans para sua inscrição singular como ser falante, foi sustentado nos encontros com a pesquisadora brincante. Nessa modalidade de intervenção fora do setting, a psicanalista objetivou propulsar os distintos movimentos que os jogos estruturantes poderiam ganhar para fazer circular a palavra dita ou representada desses sujeitos. Abordamos os processos inconscientes das formações oníricas e dos chistes para situar a condição de linguagem do infans, mensagem enigmática a ser decifrada pelo adulto disposto a se restituir da materialidade com que a palavra é tratada pelas moções pulsionais primárias. Esclarecemos etapas da constituição subjetiva para a compreensão da formação do aparelho psíquico atrelado à aquisição simbólica. O dinamismo de seu funcionamento demarca as diferentes qualidades de inscrição psíquica, acentuando a necessidade de o adulto operar uma manobra com a linguagem para acolher o infans em sua originalidade. Apreciamos o brincar como laborioso trabalho psíquico que desperta a ação motora como via de acesso ao mundo. Através dos recursos de representação lúdicos, a criança não naufraga pela vivacidade sensível que a acomete na visita compulsória à existência. O livre trânsito das moções pulsionais primárias permite a ela inscrever elementos inconscientes mesmo sem a ação efetiva do pré-consciente pela representação de coisa. Através das imagens de suas encenações, a criança entra na rede simbólica do Outro que a constitui, articulando uma invenção do sujeito. Por isso, pensamos o brincar como uma operação psíquica de potencial criativo. As crianças e as adolescentes abrigadas puderam brincar de se encenar e inscreveram elementos psíquicos extraordinários que se tornaram operantes em sua subjetivação. Além disso, compuseram os dramas ficcionais que as acometiam através das encenações. Elas atualizaram em suas invenções o ritmo alternante dos jogos de ocultação que exercitam os elementos basilares do significante, viabilizando formas alternativas de inscrições libidinais. Assim, propomos a presença de brincantes afetados pela escuta psicanalítica no espaço institucional como possível via de acesso à subjetivação.

Abstract

Assunto

Palavras-chave

Fort-Da, Jogos estruturantes, Processos subjetivos, Criança, Instituições de acolhimento

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