Impacto da condição bucal de crianças/adolescentes com paralisia cerebral sobre a qualidade de vida familiar: resiliência materna e outros fatores associados
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Impact of the oral condition of children/adolescents with cerebral palsy on family quality of life: maternal resilience and other associated factors
Primeiro orientador
Membros da banca
Ana Cristina Fernandes Maria Ferreira
Julya Ribeiro Campos
Julya Ribeiro Campos
Resumo
O objetivo deste estudo foi identificar o impacto da condição bucal de crianças/adolescentes com paralisia cerebral (PC) sobre a qualidade de vida familiar considerando a resiliência materna e outros fatores associados. Foi desenvolvido um estudo transversal observacional com grupo de comparação com uma amostra de 204 crianças/adolescentes, sendo 102 com PC e 102 sem PC, na faixa etária de 3 a 18 anos e as respectivas mães. Os participantes foram selecionados em um curso de odontologia de uma instituição de ensino privada de São Paulo, região sudeste do Brasil. As mães responderam um questionário estruturado com questões abordando aspectos individuais, sociodemográficos e comportamentais sobre elas e sobre as crianças/adolescentes. Também responderam a Escala de Resiliência e um instrumento sobre o impacto da condição bucal dos filhos na qualidade de vida familiar (Family impact scale-FIS). Foi realizado o exame bucal das crianças/adolescentes, sendo identificada a prevalência de cárie (componente C/c do índice CPOD/ceod) e a qualidade da higiene bucal (Índice de Higiene Oral Simplificado-IHOS). O modelo teórico de Gráfico Acíclico Direto (DAG) foi utilizado para identificar possíveis variáveis de confusão. As análises univariada, bivariada (teste X2) e multivariada (regressão logística) foram realizadas, considerando-se um intervalo de confiança de 95%. O estudo foi aprovado pelo comitê de ética em pesquisa da Universidade Cruzeiro do Sul. A média de idade das crianças/adolescentes foi de 9,5 anos (±4.6) e a mediana de 9 anos. A chance de mães de crianças/adolescentes diagnosticadas com PC pertencerem ao grupo classificado com impacto alto da condição bucal dos filhos sobre a qualidade de vida familiar foi quase 40 vezes maior (OR=38,93; IC 95%: 10,22- 48,19). Crianças e adolescentes diagnosticados com pelo menos uma lesão de cárie cavitada (OR=4,41; IC 95%: 1,01-19,55) e renda familiar baixa (OR=4,45; IC 95%: 1,07-18,51) tiveram suas mães com uma chance aproximadamente 4 vezes maior de pertencerem ao grupo com impacto alto da condição bucal dos filhos sobre a qualidade de vida familiar. Mães classificadas com resiliência baixa apresentaram uma chance 3,82 vezes maior de estarem no grupo de mães com impacto alto da condição bucal das crianças/adolescentes sobre a qualidade de vida familiar (OR=3,82; IC 95%: 1,10-13,32). A partir desse estudo foi possível concluir que um maior impacto da condição bucal dos filhos sobre a qualidade de vida familiar foi identificado entre mães classificadas com resiliência baixa e filhos diagnosticados com PC, cárie dentária e renda familiar baixa. Desta forma, ao se pensar em estratégias para assistir e tratar de pacientes com PC, é importante que o profissional considere os fatores psicossociais, incluindo o núcleo familiar em que esses pacientes vivem.
Abstract
The aim of this study was to identify the impact of the oral condition of
children/adolescents with cerebral palsy (PC) on family quality of life considering
maternal resilience and other associated factors. The observational cross-sectional
study with a comparison group was developed with a sample of 204
children/adolescents (102 with CP and 102 without CP), between the ages of 3 and
18 years and their respective mothers. The participants were selected in a private
dentistry school in São Paulo, Southeast region of Brazil. The mothers responded to
a questionnaire structured with items regarding individual, sociodemographic and
behavioral aspects about them and the children. They also responded to the
Resilience Scale and an instrument about the impact of the oral condition of children
on family quality of life (Family impact scale-FIS). An oral examination was carried
out on the children/adolescents, investigating the the prevalence of caries
(component D/d of the DMFT/dmft index) and the quality of oral hygiene (Simplified
Oral Hygiene Index). The theoretical model Directed Acyclic Graph (DAG) was
utilized to identify possible confounding variables. The univariable, bivariable (X2
test)
and multivariable (logistic regression) were carried out considering a confidence
interval of 95%. The study was approved by the Research Ethics Committee of the
Universidade Cruzeiro do Sul. The average age of the children/adolescents was 9,5
years (±4.6) and the median was 9 years old. The chance of mothers of
children/adolescents diagnosed with CP belonging to the group classified with high
impact of the child's oral health on the family quality of life was almost 40 times
higher (OR=38.93; CI 95%: 10.22-148.19). Children and adolescents diagnosed with
at least one cavity (OR=4.41; CI 95%: 1.01-19.55) and low family income (OR=4.45;
CI 95%: 1.07-18.51) had their mothers with a chance approximately 4 times higher of
belonging the the group with high impact of the child's oral health on the family
quality of life. Mothers classified with low resilience have a 3.83 times higher chance
of being in the group of mothers with high impact of the child's oral health on the
family quality of life (OR=3.82; CI 95%: 1.10-13.32). It was possible to conclude from
this study that a higher impact of the children's oral health on the family quality of life
was identified among mothers classified with low resilience and children diagnosed
with CP, dental caries and low family income. Thus, thinking of strategies to take care
of patients with CP, it is important for the professional to consider psychosocial
factors, including the family nucleus in which these patients live.
Assunto
Paralisia cerebral, Saúde materno-infantil, Saúde do adolescente, Qualidade de vida, Resiliência psicológica
Palavras-chave
Paralisia cerebral, Saúde materno-infantil, Saúde do adolescente, Qualidade de vida, Saúde bucal, Resiliência