Prospecção e caracterização de vírus zoonóticos em remanescentes florestais inseridos em matrizes urbanas: implicações para o conhecimento da dinâmica ecológica e evolutiva
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Tese de doutorado
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Betânia Paiva Drumond
Rodrigo Araújo Lima Rodrigues
Fernando Rosado Spilki
Helena Lage Ferreira
Rodrigo Araújo Lima Rodrigues
Fernando Rosado Spilki
Helena Lage Ferreira
Resumo
As doenças infecciosas emergentes (DIE) são um problema de saúde pública global. Nesse cenário, as zoonoses correspondem a maioria dos eventos de emergência, e os vírus representam a 2ª maior causa de DIE. O Brasil é considerado um “hotspot” para patógenos emergentes, sendo destaque no cenário epidemiológico a ocorrência de viroses com relevante impacto em saúde pública, como as arboviroses, causadas pelos vírus ZIKV, YFV, DENV e CHIKV, bem como a Vaccínia Bovina, além do SARS-CoV-2, causador da pandemia de COVID-19. Nesse contexto, este estudo teve como objetivo investigar e caracterizar vírus zoonóticos circulantes em pequenos mamíferos silvestres presentes em remanescentes de mata inseridos em Belo Horizonte, MG. A investigação molecular desses vírus em órgãos de roedores e marsupiais silvestres demonstrou ausência de circulação de arbovírus nesses animais, para a investigação de VACV foi obtida uma sequência referente ao gene A56R proveniente de uma amostra de roedor (Cerradomys spp.), ainda a investigação molecular evidenciou possível circulação viral também em um marsupial (Marmosops incanus). Os dados obtidos suscitam indagações sobre a possível atuação desses mamíferos no ciclo de manutenção e transmissão desses vírus em áreas verdes inseridas em ambiente urbano. Os dados aqui apresentados também confirmaram a circulação do SARS-CoV-2 em quatis (Nasua nasua), sinalizando para a ocorrência de eventos de spillback viral para mamíferos silvestres durante a pandemia. A ocorrência de infecção natural por SARS-CoV-2 em quatis pela variante zeta (P.2) foi confirmada por sequenciamento e inferências filogenéticas de genoma completo. Ainda, a investigação sorológica evidenciou que 50% da população analisada de quatis (n=40) apresentou anticorpos neutralizantes anti-SARS-CoV-2. Com relação à investigação molecular de arbovírus nenhum quati foi positivo. Para VACV, não foi confirmada a detecção em qPCR, e não foram detectados anticorpos anti-OPV nos soros testados. O monitoramento de vírus zoonóticos em pequenos mamíferos inseridos em áreas de interface silvestre-urbana contribui para elucidar a dinâmica de transmissão desses vírus. Além disso, a compreensão dos ciclos enzoóticos virais contribui para ações de controle e prevenção diante de eventos de emergência, e a ocorrência limítrofe com áreas urbanas aponta para o risco de exposição humana às infecções zoonóticas.
Abstract
Emerging infectious diseases (EID) are a public health worldwide problem. In this
scenario, zoonoses account for the majority of emergency events, and viruses
represent the second largest cause of EID. Brazil is considered a “hotspot” for
emerging pathogens, and in the epidemiological scenario has the occurrence of
important viruses with a relevant impact on public health, such as arboviral diseases,
caused by the ZIKV, YFV, DENV and CHIKV viruses, as well as Bovine Vaccinia
(VACV), in addition to the SARS-CoV-2, responsible for the COVID-19 pandemic. In
this context, the aim of this study was to investigate and characterize zoonotic viruses
circulating in small wild mammals living in forest remnants located in Belo Horizonte,
MG. Molecular investigation of these viruses in organs of wild rodents and marsupials
demonstrated the absence of arbovirus circulation in these animals. For VACV
investigation, a nucleotide sequence of the A56R gene was obtained from a rodent
sample (Cerradomys spp.), the molecular investigation also showed possible viral
circulation in a marsupial (Marmosops incanus). Our findings raise questions about the
possible role of these mammals in the maintenance and transmission cycles of these
viruses in green areas inserted in urban environments. The data presented here also
confirmed the circulation of SARS-CoV-2 in coatis (Nasua nasua), suggesting the
occurrence of viral spillback events in local sylvatic mammals during the pandemic.
The occurrence of natural SARS-CoV-2 infection in coatis by the zeta variant (P.2) was
confirmed by complete genome sequencing and phylogenetic inferences.
Furthermore, the serological investigation showed that 50% of the analyzed coatis had
anti-SARS-CoV-2 neutralizing antibodies. Considering the molecular investigation of
arboviruses, none of the coatis was positive. Detection of VACV was not confirmed by
qPCR, and no anti-OPV antibodies were detected in the sera of the tested coatis. The
monitoring of zoonotic viruses in small mammals located in urban-sylvatic interface
areas contributes to elucidate the transmission dynamics of these viruses. In addition,
understanding the enzootic cycles of these viruses helps to support control and
prevention measures in the face of emergency events. Furthermore, the borderline
occurrence in urban areas indicates the risk of human exposure to zoonotic infections.
Assunto
Microbiologia, Mamíferos, Doenças Transmissíveis Emergentes, Arbovirus, Betacoronavirus, Técnicas de Pesquisa.
Palavras-chave
Doenças infecciosas emergentes, Mamíferos silvestres, Arbovírus, VACV, SARS-CoV-2, Investigação molecular, Investigação sorológica
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