Tecendo resistências: feminismos outros nas vivências e memórias de mulheres da EJA em Belo Horizonte – MG
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Dissertação de mestrado
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Resumo
RESUMO
Ao longo de suas vidas, mulheres negras, periferizadas e empobrecidas enfrentaram e ainda enfrentam múltiplas barreiras ao acesso e à permanência na educação formal. Entre essas barreiras, destacam-se a negação histórica do direito à escolarização na infância, a imposição de estereótipos de gênero que desvalorizam a educação feminina e a sobrecarga de responsabilidades domésticas. Tais experiências, longe de serem meramente obstáculos, moldaram trajetórias marcadas por resistência, agência e reexistência frente às estruturas patriarcais e coloniais que as oprimem. Esta pesquisa, ancorada em uma abordagem qualitativa, decolonial e interseccional, propôs-se a analisar as narrativas de mulheres estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA), com o objetivo de evidenciar os limites do feminismo moderno europeu, branco e liberal que muitas vezes não contempla as experiências dessas mulheres. A partir da escuta sensível de suas memórias, buscou-se compreender como essas mulheres enfrentam múltiplas formas de opressão, tanto na esfera privada quanto na social, revelando, em suas trajetórias, práticas cotidianas de resistência e reexistência que tensionam as lógicas coloniais, racistas e patriarcais que historicamente as marginalizaram. O estudo foi realizado em duas turmas de EJA de uma escola municipal de Belo Horizonte, Minas Gerais, por meio de entrevistas semiestruturadas, e teve como metodologia a Análise de Conteúdo, proposta por Bardin. As vozes das participantes revelaram estratégias cotidianas de resistência e de reescrita de si, nas quais a educação é compreendida não apenas como direito negado, mas como possibilidade de reconstrução identitária, emancipação e transformação. A pesquisa apoia-se em referenciais teóricos como os feminismos outros (Lugones, Segato), a pedagogia crítica de Freire e a teoria da colonialidade do poder, para discutir os desafios enfrentados por essas mulheres e os limites de uma abordagem eurocentrada da educação e dos feminismos. Conclui-se que as trajetórias dessas mulheres expressam práticas de reexistência, entendidas como gestos insurgentes que atualizam saberes invisibilizados, desafiam os padrões de gênero e raça hegemônicos e reinventam o sentido da escola a partir das margens. Os achados reforçam a urgência de políticas públicas e práticas pedagógicas que rompam com a lógica colonial e reconheçam os saberes das mulheres da EJA como fundamentos para a construção de uma educação justa, plural e verdadeiramente emancipadora. Com base nos resultados da pesquisa, foi elaborado um recurso educativo na forma de sequência didática, voltado a educadoras e educadores da EJA, especialmente pensado para apoiar práticas pedagógicas sensíveis às vivências dos sujeitos dessa modalidade de educação.
Palavras-chave: Educação de Jovens e Adultos; feminismos outros; mulheres; reexistência; gênero.
Abstract
A lo largo de sus vidas, las mujeres negras, periféricas y empobrecidas han enfrentado —y aún
enfrentan— múltiples barreras para acceder y permanecer en la educación formal. Entre estas
barreras, se destacan la negación histórica del derecho a la escolarización en la infancia, la
imposición de estereotipos de género que desvalorizan la educación femenina y la sobrecarga
de responsabilidades domésticas. Tales experiencias, lejos de ser meros obstáculos, han moldeado trayectorias marcadas por la resistencia, la agencia y la reexistencia frente a las estructuras
patriarcales y coloniales que las oprimen. Esta investigación, basada en un enfoque cualitativo,
decolonial e interseccional, se propuso analizar las narrativas de mujeres estudiantes de la Educación de Jóvenes y Adultos (EJA), con el objetivo de evidenciar los límites del feminismo
moderno europeo, blanco y liberal, que muchas veces no contempla las experiencias de estas
mujeres. A partir de una escucha sensible de sus memorias, se buscó comprender cómo enfrentan múltiples formas de opresión, tanto en el ámbito privado como en el social, revelando, en
sus trayectorias, prácticas cotidianas de resistencia y reexistencia que tensionan las lógicas coloniales, racistas y patriarcales que históricamente las han marginado. El estudio se llevó a cabo
en dos clases de EJA de una escuela municipal de Belo Horizonte, mediante entrevistas semiestructuradas, y utilizó como metodología el Análisis de Contenido propuesto por Bardin. Las
voces de las participantes revelaron estrategias cotidianas de resistencia y de reescritura de sí
mismas, en las cuales la educación se comprende no solo como un derecho negado, sino como
una posibilidad de reconstrucción identitaria, emancipación y transformación. La investigación
se apoya en marcos teóricos como los feminismos otros (Lugones, Segato), la pedagogía crítica
de Freire y la teoría de la colonialidad del poder, para discutir los desafíos que enfrentan estas
mujeres y los límites de un enfoque eurocéntrico de la educación y del feminismo. Se concluye
que las trayectorias de estas mujeres expresan prácticas de reexistencia, entendidas como gestos
insurgentes que actualizan saberes invisibilizados, desafían los patrones hegemónicos de género
y raza, y reinventan el sentido de la escuela desde los márgenes. Los hallazgos refuerzan la
urgencia de políticas públicas y prácticas pedagógicas que rompan con la lógica colonial y reconozcan los saberes de las mujeres de la EJA como fundamentos para la construcción de una
educación justa, plural y verdaderamente emancipadora. A partir de los resultados de la investigación, se desarrolló un recurso educativo en forma de secuencia didáctica, dirigido a educadores de EJA, especialmente diseñado para apoyar prácticas pedagógicas sensibles a las experiencias de los sujetos de este tipo de educación.
Assunto
Educação de adultos, Educação - Relações de gênero, Educação feminina, Feminismo e educação, Mulheres - Direito à educação
Palavras-chave
Educação de Jovens e Adultos, Feminismos outros, Mulheres, Reexistência, Gênero