Associação entre níveis de citocinas, índices derivados do hemograma e escores de risco cardiovascular em mulheres com histórico de pré-eclâmpsia (Estudo PERLA-BRASIL)
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Dissertação de mestrado
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Primeiro orientador
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Melina de Barros Pinheiro Inácio
Adriana Oliveira Costa
Adriana Oliveira Costa
Resumo
A pré-eclâmpsia (PE) é uma síndrome gestacional multifatorial, caracterizada por hipertensão, disfunção endotelial e inflamação sistêmica, que afeta de 3% a 5% das gestantes. Associada a um risco elevado de doenças cardiovasculares (DCV) e complicações metabólicas em médio e longo prazo, a PE está intimamente ligada à inflamação, marcada por um desequilíbrio entre citocinas pró e anti-inflamatórias, que desempenham um papel central em sua patogênese e nas consequências cardiovasculares. Este estudo de coorte ambispectiva avaliou os níveis plasmáticos de citocinas, índices hematológicos derivados do hemograma e escores de risco cardiovascular (RCV) em mulheres com histórico de PE (n=103), comparando-as a mulheres com gestações normotensas (n=102). Entre os biomarcadores analisados, destacam-se interleucinas (IL-6, IL-10, IL-4), fator de necrose tumoral (TNF) e fator de crescimento transformador beta (TGF-β). Também foram avaliados índices hematológicos como Razão Neutrófilo/Linfócito (RNL), Razão Monócito/Linfócito (RML), Razão Plaqueta/Linfócito (RPL), índice de inflamação imunológica sistêmica (SII) e índice de resposta inflamatória sistêmica (SIRI). Os resultados indicaram que mulheres com histórico de PE apresentaram níveis plasmáticos de IL-6 e TGF-β significativamente maiores (38,69 pg/mL e 11,92 pg/mL, respectivamente) em relação ao grupo MN (36,08 pg/mL e 7,63 pg/mL, respectivamente) com valores de p=0,0331 e p<0,0001. Esse perfil inflamatório esteve associado a escores de Framingham mais elevados de RCV após 10 anos, reforçando a relação entre PE e o aumento do risco cardiovascular mesmo anos após a gestação. O estudo destacou a necessidade de acompanhamento clínico contínuo para mulheres com histórico de PE. Monitoramento de biomarcadores inflamatórios e hematológicos, associado à estratificação de risco e intervenções precoces, é crucial para reduzir a morbimortalidade cardiovascular. Investigações futuras devem explorar novos biomarcadores para uma melhor avaliação do impacto da PE no pós-parto. Concluindo, a PE é um fator de risco importante para DCVs e complicações metabólicas, exigindo uma abordagem multidisciplinar. A incorporação de biomarcadores e índices hematológicos na prática clínica pode facilitar intervenções personalizadas, melhorando a saúde materna e reduzindo o impacto das DCVs em longo prazo.
Abstract
Preeclampsia (PE) is a multifactorial gestational syndrome characterized by hypertension, endothelial dysfunction, and systemic inflammation, affecting 3–5% of pregnancies. Associated with an increased risk of long-term cardiovascular disease (CVD) and metabolic complications, PE is closely linked to inflammation, marked by an imbalance between pro- and anti-inflammatory cytokines that play a central role in its pathogenesis and cardiovascular consequences.
This ambispective cohort study assessed plasma cytokine levels, hematological indices derived from complete blood count, and cardiovascular risk (CVR) scores in women with a history of PE (n = 103) compared with normotensive pregnancy controls (n = 102). The biomarkers analyzed included interleukins (IL-6, IL-10, IL-4), tumor necrosis factor (TNF), and transforming growth factor beta (TGF-β), as well as hematological indices such as neutrophil-to-lymphocyte ratio (NLR), monocyte-to-lymphocyte ratio (MLR), platelet-to-lymphocyte ratio (PLR), systemic immune-inflammation index (SII), and systemic inflammation response index (SIRI).
Women with a history of PE showed significantly higher plasma levels of IL-6 (38.69 pg/mL vs. 36.08 pg/mL, p = 0.0331) and TGF-β (11.92 pg/mL vs. 7.63 pg/mL, p < 0.0001) compared with controls. This inflammatory profile was associated with higher Framingham CVR scores at 10 years, reinforcing the link between PE and increased long-term cardiovascular risk.
These findings highlight the need for ongoing clinical follow-up in women with prior PE. Monitoring inflammatory and hematological biomarkers, combined with risk stratification and early intervention, is crucial to reducing cardiovascular morbidity and mortality. Future research should investigate additional biomarkers to refine postpartum risk assessment. In conclusion, PE is a significant risk factor for CVD and metabolic complications, requiring a multidisciplinary approach. Integrating biomarkers and hematological indices into clinical practice may enable personalized interventions, improving maternal health and mitigating long-term cardiovascular impact.
Assunto
Palavras-chave
Pré-eclâmpsia, Estudo de coorte, Citocinas, Inflamação, Doenças cardiovasculares, Biomarcadores, Estratificação de risco cardiovascular