Belo Horizonte, as bicicletas e a utopia como estratégia de luta : uma cicloviagem pela contínua busca para transição ciclável na capital mineira e um olhar sobre a experiência de Fortaleza
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Dissertação de mestrado
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Leandro Cardoso
Marcelo Cintra do Amaral
Doralice Barros Pereira
Marcelo Cintra do Amaral
Doralice Barros Pereira
Resumo
Iniciamos essa cicloviagem apresentando as ferramentas utilizadas pelo autor ao
longo de quase 15 anos de militância, defendendo e promovendo a mobilidade urbana
por bicicleta em Belo Horizonte e em outras cidades do Brasil: pedalar pelas ruas,
realizar ações diretas em espaços públicos, estruturar e executar processos de
incidência nos poderes Legislativo e Executivo e realizar pesquisas sobre o tema. A
partir daí, nasce o desejo do autor de realizar uma pesquisa, trazendo diversas lentes
pelas quais se pode ler, entender e sistematizar o que neste trabalho será chamado
de Politica da Bicicleta – ou todo o conjunto de políticas, planos, programas e medidas
que promovem o uso da bicicleta como parte do sistema de mobilidade de um dado
território. O primeiro capítulo traz os problemas de pesquisa e caminhos pedalados
pelo autor, objetivos da pesquisa, a estrutura do trabalho e a metodologia. O segundo
capítulo traz uma abordagem transescalar, do corpo do autor à discussão
internacional, sobre a mobilidade por bicicleta, percorrendo-se um longo trajeto sobre
como as cidades foram produzidas ao longo do século XX e XXI para acolher os
automóveis, num processo que excluiu as bicicletas e ciclistas das ruas. Ao final do
capítulo, entende-se como as cidades, especialmente pelo protagonismo de
movimentos e organizações sociais, (re)lançaram luz à Política da Bicicleta e
contribuíram para o que Olivier Razemon chamou de “transição ciclável”. Em seguida,
apresenta-se a Caixa de Ferramentas (capítulo 3), com objetivo de expandir as
possibilidades de leitura sobre a política da bicicleta, destacando-se duas delas: as
dimensões de medidas que devem compor uma Política da Bicicleta - Hardware
(Infraestrutura), Orgware (Governança) e Software (Medidas Suaves), de Harms et
al.; e o Système Vélo, ou Sistema Bicicleta, conceito elaborado por Frédéric Héran,
que traz uma série de componentes que, juntos, fazem o Sistema, e podem contribuir
para aumentar a utilização da bicicleta nas cidades. Com o conjunto de ferramentas
em mãos, parte-se para o capítulo 4, fazendo-se uma análise histórica de como Belo
Horizonte, de 2005 até 2020, produziu seus Sistemas Bicicleta, como um palimpsesto,
percorrendo desafios, avanços e retrocessos vividos na capital mineira, numa
narrativa apaixonada, contada majoritariamente a partir de vozes de organizações e
movimentos sociais que buscam suas utopias de cidade – ou cidades utópicas. Em
seguida, no mesmo capítulo, faz-se um cotejamento do processo histórico de
Fortaleza, cidade referência nacional no estímulo ao uso da bicicleta, como
contranarrativa ao que se passou em Belo Horizonte. Após percorrido o trajeto,
valendo-se de outros instrumentos metodológicos, como pedido de acesso à
informação, entrevistas com atores locais e pesquisas em fontes públicas de
informação, chega-se à conclusão que vários são os elementos de um Sistema
Bicicleta que podem pesar positiva ou negativamente no resultado final de uma
política da bicicleta. A adoção da caixa de ferramentas como instrumento
metodológico de análise foi importante para adentrar os Sistemas Bicicleta de Belo
Horizonte e Fortaleza, expondo-os em suas fraquezas, forças e desafios a serem
superados. Concluiu-se que Belo Horizonte, referência em planejamento da
mobilidade, foi incapaz de gerir sua política, seguir seus objetivos e alcançar suas
metas para a mobilidade por bicicleta. Fortaleza ainda tem grandes desafios na
produção do espaço urbano no que diz respeito à mobilidade (por bicicleta), incluindo
e excluindo a bicicleta em um movimento cotidiano e contraditório no planejamento e
gestão da mobilidade urbana.
Abstract
This bicycle travel begins by presenting the tools used by the author over almost 15
years of militancy defending and promoting urban mobility by bicycle in Belo Horizonte
and other cities in Brazil: cycling through the streets; performing direct actions in public
spaces; structuring and execute advocacy processes in the institutional policy; and
carry out research on the topic. From there, the author's desire to structure the
research is born, bringing several lenses through which one can read, understand and
systematize what in this research will be called Bicycle Policy - or the whole set of
policies, plans, programs and measures that promote the use of the bicycle as part of
the mobility system of a given territory. The first chapter starts from a cross-scale
analysis, from the author's body to the international discussion on bicycle mobility,
covering a long journey on how cities were shaped over the 20th and 21st centuries
to accommodate automobiles, in a process that excluded the bicycles and cyclists. At
the end of the chapter, it is understood how cities, especially due to the role of social
movements and organizations, (re)shed light on Bicycle Politics and contributed to
what Olivier Razemon called the “cycling transition”. Next, the Toolbox (chapter 2) is
presented, with the objective of expanding the possibilities of reading about the Bicycle
Policy, highlighting two of them: the three dimensions of measures that must compose
a bicycle policy - Hardware (Infrastructure), Orgware (Governance) and Software (Soft
Measures), by Harms et al.; and the Système Vélo, or Bicycle System, a concept
developed by Frédéric Héran that brings a series of components that together make
up the System, and can contribute to increasing bicycle use in cities. With the set of
tools in hand, we move on to Chapter 4, making a historical analysis of how Belo
Horizonte, from 2005 to 2020, produced its Bicycle System as a palimpsest, covering
challenges, advances and setbacks experienced in the capital from Minas Gerais,
Brazil, in a passionate narrative, told mostly from the voices of organizations and social
movements that seek their city utopias - or utopian cities. Then, a comparison is made
of the historical process of Fortaleza, a national reference city in stimulating the use
of bicycles, as a counter-narrative to what happened in Belo Horizonte. After cycling
the route, using other methodological instruments, such as requesting access to
information, interviews with local actors and research in public information sources, it
is concluded that several elements of a Bicycle System can weigh positively or
negatively on the end result of a Bicycle Policy. The adoption of the Toolbox as a
methodological analysis tool was important to enter the Bicycle Systems of Belo
Horizonte and Fortaleza, exposing them in their weaknesses, strengths and
challenges to be overcome. It was concluded that Belo Horizonte, a reference in
mobility planning, was unable to manage its policy, follow its objectives and achieve
its goals for mobility by bicycle. Fortaleza still has great challenges in the production
of urban space, including and excluding the bicycle in a daily and contradictory
movement in urban planning and management.
Assunto
Planejamento urbano – Belo Horizonte (MG), Transporte urbano – Belo Horizonte (MG), Bicicletas, Ciclovias, Políticas públicas
Palavras-chave
Sistema Bicicleta, Política da bicicleta, Mobilidade urbana, Organização de ciclistas, Belo Horizonte, Fortaleza
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