Excesso de peso na população brasileira: prevalência, carga de doenças e custos para o SUS
Carregando...
Data
Autor(es)
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Overweight in the brazilian population: prevalence, disease burden and costs for the SUS
Primeiro orientador
Membros da banca
Deborah Carvalho Malta
Ísis Eloah Machado
Ísis Eloah Machado
Resumo
Introdução: O excesso de peso e o Índice de Massa Corporal (IMC) elevado estão relacionados
ao desenvolvimento de doenças que podem culminar em procedimentos e internações,
aumentando os custos em saúde. Objetivos: Analisar as prevalências, carga de doenças e custos
no SUS do excesso de peso na população brasileira. Metodologia: Estudo ecológico com dois
componentes, o de série temporal da prevalência de excesso de peso e obesidade, e da carga de
doenças atribuíveis ao IMC elevado desde 1990 até 2019 no Brasil; e o delineamento transversal
para estimar os custos diretos das internações e procedimentos do SUS atribuíveis ao IMC
elevado. Foram utilizados dados do estudo Global Burden of Disease (GBD) 2019 e os custos
das internações hospitalares e procedimentos ambulatoriais do ano de 2019 provenientes do
Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde do Brasil (DATASUS). Foram
analisadas a prevalência estimada pela Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças
Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) e
Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) e as mortes, Anos de Vida Perdidos por Morte Prematura
(YLL), Anos vividos com Incapacidade (YLD) e Anos de Vida Perdidos Ajustados por
Incapacidade (DALY) decorrentes das DCNT atribuídas ao IMC elevado. Para o cálculo dos
custos, utilizou a FAP referente a proporção do YLD de cada desfecho associado ao risco.
Resultados: Todas as fontes de dados analisadas mostraram aumento constante da prevalência
de excesso de peso e de obesidade no Brasil em ambos os sexos entre 1990 e 2019, apesar das
mulheres apresentarem maior prevalência de obesidade. O IMC elevado causou uma perda de
5.817.938,71 DALYs, 1.592.243,31 YLDs e 177.939,70 mortes por Doenças Crônicas Não
Transmissíveis (DCNT) no Brasil em 2019. Ao estratificar as métricas pelos principais grupos
de DCNT observa-se uma redução nas taxas de DALY, YLL, YLD e óbitos por Doenças
Cardiovasculares (DCV) atribuídas ao IMC elevado e um aumento da taxa de YLD por
diabetes. Em relação aos custos, foram gastos US$377.295.781,84 dólares com internações e
procedimentos de alta e média complexidade no tratamento das DCNT atribuídas ao IMC
elevado. Os gastos pelo SUS foram maiores com as internações hospitalares,
independentemente da DCNT. As regiões Sul e Sudeste e Unidades Federativas (UF), Paraná e
Santa Catarina apresentaram o maior custo total por 10.000hab. As DCV e doença renal crônica
(DRC) apresentam maior custo por internações hospitalares e as neoplasias e as DCV
apresentaram maiores custos por procedimentos ambulatoriais. Conclusão: Esse estudo avança
ao apresentar que o IMC elevado é um fator de risco em crescimento no país, com relevante
volume de carga de doença e custos financeiros a ele atribuído. Apesar da redução da
mortalidade por DCV no Brasil, essas doenças detém o maior custo com internações e
procedimentos, atribuídos ao fator de risco IMC elevado. Ademais, quantificou a economia de
gastos públicos que poderiam ser remanejados ou evitados em nível nacional, regional e local,
caso esse fator de risco fosse reduzido. Esses achados ressaltam a necessidade da repactuação
das políticas públicas vigentes e a aplicação de pacotes de intervenção eficazes, com foco na
promoção de estilos de vida mais saudáveis, considerando a realidade individual.
Abstract
Introduction: Excess weight and high Body Mass Index (BMI) are related to the development
of diseases that can lead to procedures and hospitalizations, increasing health costs. Objective:
To analyze the prevalence, burden of disease and costs in the SUS of overweight in the Brazilian
population. Methodology: Ecological study with two components, the time series of the
prevalence of overweight and obesity, and the burden of diseases attributable to high BMI from
1990 to 2019 in Brazil; and the cross-sectional design to estimate the direct costs of
hospitalizations and SUS procedures attributable to high BMI. Data from the 2019 Global
Burden of Disease (GBD) study and the costs of hospital admissions and outpatient procedures
for the year 2019 from the Department of Informatics of the Brazilian Unified Health System
(DATASUS) were used. The prevalence estimated by the Surveillance of Risk and Protective
Factors for Chronic Diseases by Telephone Survey (VIGITEL), Family Budget Survey (POF)
and National Health Survey (PNS) and deaths, Years of Life Lost due to Premature Death
(YLL), Years Lived with Disability (YLD) and Disability-Adjusted Life Years Lost (DALY)
resulting from NCDs attributed to high BMI. To calculate the costs, the FAP was used referring
to the YLD proportion of each risk-associated outcome. Results: All data sources analyzed
showed a constant increase in the prevalence of overweight and obesity in Brazil in both sexes
between 1990 and 2019, despite women having a higher prevalence of obesity. High BMI
caused a loss of 5,817,938.71 DALYs, 1,592,243.31 YLDs and 177,939.70 deaths from
Chronic Noncommunicable Diseases (NCDs) in Brazil in 2019. When stratifying the metrics
by the main groups of CNCDs, it is observed a reduction in the rates of DALY, YLL, YLD and
deaths from Cardiovascular Disease (CVD) attributed to high BMI and an increase in the rate
of YLD from diabetes. With regard to costs, US$377,295,781.84 were spent on hospitalizations
and high and medium complexity procedures in the treatment of NCDs attributed to high BMI.
SUS expenditures were higher with hospital admissions, regardless of CNCD. The South and
Southeast regions and Federative Units (UF), Paraná and Santa Catarina had the highest total
cost per 10,000 inhabitants. CVD and chronic kidney disease (CKD) have a higher cost due to
hospital admissions and neoplasms and CVD have higher costs due to outpatient procedures.
Conclusion: This study advances by showing that high BMI is a growing risk factor in the
country, with a relevant volume of disease burden and financial costs attributed to it. Despite
the reduction in mortality from CVD in Brazil, these diseases have the highest cost with
hospitalizations and procedures, attributed to the high BMI risk factor. In addition, it quantified
the savings in public spending that could be reallocated or avoided at the national, regional and
local levels, if this risk factor were reduced. These findings highlight the need to renegotiate
current public policies and apply effective intervention packages, with a focus on promoting
healthier lifestyles, considering individual reality.
Assunto
Aumento de Peso, Carga Global da Doença, Custos e Análise de Custo, Doenças não Transmissíveis, Fatores de risco, Índice de Massa Corporal, Sistema Único de Saúde, Dissertação Acadêmica
Palavras-chave
Carga global de Doenças, Aumento de peso, Doenças Não Transmissíveis, Fatores de risco, IMC elevado, Custos e Análise de custo.