Educação no contexto da prática minerária: representações sociais em movimento de professores sobre a agricultura familiar no município de Rio Pardo de Minas – Minas Gerais

Carregando...
Imagem de Miniatura

Título da Revista

ISSN da Revista

Título de Volume

Editor

Universidade Federal de Minas Gerais

Descrição

Tipo

Tese de doutorado

Título alternativo

Primeiro orientador

Membros da banca

Resumo

Esta pesquisa analisou as Representações Sociais em Movimento (RSM) de professores egressos do curso de Licenciatura em Educação do Campo, da Faculdade de Educação, da Universidade Federal de Minas Gerais (LeCampo/FaE/UFMG, sobre a agricultura familiar no município de Rio Pardo de Minas, Minas Gerais. Rio Pardo de Minas localiza-se na região Norte de Minas Gerais e é referência na organização de agricultores familiares. A Agricultura Familiar constitui-se como uma das práticas produtivas no município e é considerada como o principal meio de produção e reprodução da vida pelas comunidades tradicionais. A partir da década de 1970, o avanço do capital no campo, com a introdução de um modelo baseado na monocultura, cria novas configurações espaciais e socioterritoriais no município. Esse quadro se aprofunda com o reconhecimento da região do Norte de Minas como a nova fronteira mineral do estado em face da descoberta de ouro e minério de ferro em potencial para exploração. É nesse contexto que propusemos a realização desta pesquisa, com o objetivo de compreender como esses professores que passaram pela formação em Educação do Campo estão reelaborando suas representações sociais sobre a agricultura familiar diante dos tensionamentos da monocultura de eucalipto e da mineração. Para isso, utilizamos como referencial teórico-metodológico as Representações Sociais em Movimento (RSM), que analisam as formas de pensar, sentir e agir dos sujeitos a partir de contextos em mudanças. Empregamos também o referencial da Educação do Campo para analisar como o processo de reelaboração das representações dos professores entrevistados dialoga com os princípios de escola de direito e projeto de campo e de sociedade. Os procedimentos utilizados para construção dos dados foram questionário e entrevista narrativa. A análise dos dados foi realizada a partir de duas etapas: identificação dos pontos de ancoragem e objetivação e, dos movimentos encontrados no processo de reelaboração das representações sociais (RS) dos três professores e três professoras de escolas do campo entrevistados. As análises evidenciaram que as formas de pensar, sentir e agir dos professores sobre a agricultura familiar são tensionadas pela ação da monocultura de eucalipto e da mineração. No primeiro movimento, os professores elaboram processos psicossociais para retornar às suas representações anteriores, construídas e partilhadas pelos grupos familiares que representam a agricultura familiar como modo de produção e reprodução da vida e principal fonte de renda e prática sustentável. No segundo movimento, os professores reconhecem a monocultura de eucalipto como principal fonte de renda e buscam novas representações sociais para acomodar a agricultura familiar nessa realidade. E, no terceiro movimento, os professores movimentam para iniciar um processo de reconhecimento da mineração, ao passo que buscam formas para reconstruírem as representações sociais sobre agricultura familiar. As narrativas dos professores entrevistados apontam que a mineração coloca para a escola duas situações: a primeira refere-se ao Silêncio Pedagógico e, a segunda, trata-se do desafio de envolver a comunidade escolar na construção da escola comprometida com um projeto de campo capaz de garantir um modo de vida sustentável para a população que habita o território.

Abstract

Esta pesquisa analisou as Representações Sociais em Movimento (RSM) de professores egressos do curso de Licenciatura em Educação do Campo, da Faculdade de Educação, da Universidade Federal de Minas Gerais (LeCampo/FaE/UFMG, sobre a agricultura familiar no município de Rio Pardo de Minas, Minas Gerais. Rio Pardo de Minas localizase na região Norte de Minas Gerais e é referência na organização de agricultores familiares. A Agricultura Familiar constitui-se como uma das práticas produtivas no município e é considerada como o principal meio de produção e reprodução da vida pelas comunidades tradicionais. A partir da década de 1970, o avanço do capital no campo, com a introdução de um modelo baseado na monocultura, cria novas configurações espaciais e socioterritoriais no município. Esse quadro se aprofunda com o reconhecimento da região do Norte de Minas como a nova fronteira mineral do estado em face da descoberta de ouro e minério de ferro em potencial para exploração. É nesse contexto que propusemos a realização desta pesquisa, com o objetivo de compreender como esses professores que passaram pela formação em Educação do Campo estão reelaborando suas representações sociais sobre a agricultura familiar diante dos tensionamentos da monocultura de eucalipto e da mineração. Para isso, utilizamos como referencial teóricometodológico as Representações Sociais em Movimento (RSM), que analisam as formas de pensar, sentir e agir dos sujeitos a partir de contextos em mudanças. Empregamos também o referencial da Educação do Campo para analisar como o processo de reelaboração das representações dos professores entrevistados dialoga com os princípios de escola de direito e projeto de campo e de sociedade. Os procedimentos utilizados para construção dos dados foram questionário e entrevista narrativa. A análise dos dados foi realizada a partir de duas etapas: identificação dos pontos de ancoragem e objetivação e, dos movimentos encontrados no processo de reelaboração das representações sociais (RS) dos três professores e três professoras de escolas do campo entrevistados. As análises evidenciaram que as formas de pensar, sentir e agir dos professores sobre a agricultura familiar são tensionadas pela ação da monocultura de eucalipto e da mineração. No primeiro movimento, os professores elaboram processos psicossociais para retornar às suas representações anteriores, construídas e partilhadas pelos grupos familiares que representam a agricultura familiar como modo de produção e reprodução da vida e principal fonte de renda e prática sustentável. No segundo movimento, os professores reconhecem a monocultura de eucalipto como principal fonte de renda e buscam novas representações sociais para acomodar a agricultura familiar nessa realidade. E, no terceiro movimento, os professores movimentam para iniciar um processo de reconhecimento da mineração, ao passo que buscam formas para reconstruírem as representações sociais sobre agricultura familiar. As narrativas dos professores entrevistados apontam que a mineração coloca para a escola duas situações: a primeira refere-se ao Silêncio Pedagógico e, a segunda, trata-se do desafio de envolver a comunidade escolar na construção da escola comprometida com um projeto de campo capaz de garantir um modo de vida sustentável para a população que habita o território.

Assunto

Agricultura familiar, Rio Pardo de Minas (MG), Educação, Educação rural, Minas e mineração - Aspectos educacionais

Palavras-chave

Representações sociais em movimento, Professores do campo, Agricultura familiar, Monocultura de eucalipto e mineração

Citação

Endereço externo

Avaliação

Revisão

Suplementado Por

Referenciado Por