Caracterização clínica, epidemiológica e laboratorial e de coinfecções em pacientes com diagnóstico de neurocriptococose admitidos no Hospital Eduardo de Menezes em Belo Horizonte, Minas Gerais

Descrição

Tipo

Dissertação de mestrado

Título alternativo

linical, epidemiological, and laboratory characterization and coinfections in patients diagnosed with neurocryptococcosis admitted to Hospital Eduardo de Menezes in Belo Horizonte, Minas Gerais

Primeiro orientador

Membros da banca

Alexandre Sampaio Moura e Nalu Teixeira de Aguiar Peres

Resumo

A meningite criptocócica (MC) é uma importante infecção oportunista associada ao HIV, com altas taxas de mortalidade, especialmente em países de baixa e média renda. Com o objetivo de avaliar os aspectos epidemiológicos, clínicos e laboratoriais, além de fatores associados à mortalidade e o impacto de coinfecções, conduziu-se um estudo retrospectivo que incluiu 109 casos de meningite criptocócica confirmados laboratorialmente, admitidos no Hospital Eduardo de Menezes, em Belo Horizonte, entre 2013 e 2023. Realizaram-se análises univariada e multivariada para identificar fatores associados ao óbito e para comparar coinfectados e não coinfectados, além da análise de sobrevida global por Kaplan-Meier. A MC acometeu principalmente homens com menos de 45 anos, dos quais 94,5% viviam com HIV. A carga viral média do HIV foi 43.700 cópias/mL e a contagem média de linfócitos T CD4+ foi 62,2 células/mm³, sendo que 53,2% dos pacientes apresentavam valores inferiores a 50 células/mm³. Os sintomas mais prevalentes foram cefaleia (71,5%), perda de peso (63,3%), febre (42,2%) e confusão mental (36,7%). Na terapia de indução foi utilizada predominantemente a anfotericina B desoxicolato (74,3%), com necessidade de substituição por toxicidade renal em 55,5% dos casos. A mortalidade geral foi de 32,1%. Menor tempo de internação, confusão mental, menor celularidade no líquor, menos tempo de tratamento de indução e uso de anfotericina desoxicolato foram associados ao óbito. Coinfecções ocorreram em 34,9% dos casos de pacientes com MC e HIV, principalmente neurossífilis e neurotoxoplasmose. Coinfectados apresentaram maior tempo de internação, maior contagem de plaquetas, maior média de RNI, menor proporção de pacientes com contagem de linfócitos T CD4+ menor que 50 e menor proporção de pacientes com interrupção de tratamento do HIV. Não houve diferença em mortalidade a médio prazo, mas os pacientes coinfectados tiveram sobrevida significativamente maior que os não coinfectados nos primeiros 14 dias. Os resultados evidenciaram que a MC manteve alta taxa de mortalidade e que coinfecções foram frequentes, destacando a necessidade de incluir diagnósticos diferenciais na avaliação dos pacientes imunossuprimidos, apesar de não alterar o desfecho a médio prazo.

Abstract

Cryptococcal meningitis (CM) is a major opportunistic infection associated with HIV, characterized by high mortality rates, especially in low- and middle-income countries. To evaluate the epidemiological, clinical, and laboratory aspects, as well as factors associated with mortality and the impact of coinfections, a retrospective study was conducted, including 109 laboratory-confirmed cases of cryptococcal meningitis admitted to the Hospital Eduardo de Menezes in Belo Horizonte, Brazil, between 2013 and 2023. Univariate and multivariate analyses were performed to identify factors associated with death and to compare coinfected and non-coinfected patients, in addition to global survival analysis using Kaplan-Meier curves. CM primarily affected men (88%) under 45 years of age, of whom 94.5% were living with HIV (PLHIV). The mean HIV viral load was 43,700 copies/mL, and the mean CD4+ T-lymphocyte count was 62.2 cells/mm3, with 53.2% of patients presenting values below 50 cells/mm3. The most prevalent symptoms were headache (71.5%), weight loss (63.3%), fever (42.2%), and mental confusion (36.7%). Amphotericin B deoxycholate (74.3%) was predominantly used in induction therapy, requiring substitution due to renal toxicity in 55.5% of cases. Overall mortality was 32.1%. Shorter length of stay, mental confusion, lower cerebrospinal fluid (CSF) cell count, shorter induction treatment duration, and the use of amphotericin deoxycholate were associated with death. Coinfections occurred in 34.9% of CM and HIV-infected patients, mainly neurosyphilis and neurotoxoplasmosis. Coinfected patients exhibited a longer length of stay, higher platelet count, higher mean INR, a lower proportion of patients with CD4+ T-lymphocyte count less than 50, and a lower proportion of patients with interruption of HIV treatment. There was no difference in medium-term mortality (60 days), but coinfected patients had significantly higher survival than non-coinfected patients in the first 14 days. The results highlighted that CM maintained a high mortality rate and that coinfections were frequent, underscoring the necessity of including differential diagnoses in the evaluation of immunosuppressed patients, despite coinfection not altering the medium-term outcome.

Assunto

Microbiologia, Meninigite Criptocócica, Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, Mortalidade, Coinfecção

Palavras-chave

meningite criptocócica; HIV/AIDS; mortalidade; coinfecções

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