A mulher e um teto para chamar de seu: dimensões materiais e sociais na profissão de escritoras brasileiras contemporâneas
Carregando...
Data
Autor(es)
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Resumo
A literatura guarda vínculo estreito com as relações sociais que produzem a vida material. Logo, não é passível de ser restringida à conceitualização estrita, assim a literatura deve ser apreendida em conformidade com sua natureza e com sua função, tidas em conformidade com o tempo histórico. A situação da mulher escritora na produção literária é atravessada por marcadores de gênero, sofrendo, dessa forma, determinações que extrapolam as contingências da profissão de escrita. Em “Um teto todo seu'', livro de 1929, Virginia Woolf tematiza e problematiza a situação da mulher na ficção, na escrita profissional e na sociedade. O empreendimento teórico realizado por Woolf pode ser sumarizado em duas grandes dimensões: materiais e sociais. Nesta pesquisa, utilizamos de diferente forma e abordagem, mas tratamos de continuar a problematizar os processos de trabalho estabelecidos para a mulher no ofício da escrita literária. Compreendemos escritora como uma produtora de textos literários com regularidade, sua produção literária deve ser apreciada por outrem. Portanto, assim o produto literário deve, para a escritora, ser feito com vistas a configurar uma mercadoria a ser disposta no movimento de valorização do valor. Sobre o processo de trabalho de escritoras contemporâneas brasileiras é questionado: quais são os condicionantes sociais e materiais que engendram a profissão de escritora literária contemporânea, no Brasil? Isso posto, o objetivo desta pesquisa reside em compreender as dimensões materiais e sociais que engendram a profissão de escritoras brasileiras contemporâneas. Para tanto, o objetivo geral foi aparado por três objetivos específicos: (1º) identificar como se dá o trabalho artístico e a prática criativa de escritoras contemporâneas brasileiras; (2º) identificar particularidades em torno de ser mulher e estar profissionalmente dedicada à escrita, no Brasil contemporâneo; e (3º) analisar quais os processos de trabalho que profissionalizam a escritora contemporânea de literatura, no Brasil. O materialismo histórico dialético é a base de apoio para a construção de toda a argumentação, bem como para o processo de pesquisa que resultou nesta dissertação. Realizamos um estudo de ordenamento qualitativo valendo-nos da análise imanente, enquanto instrumento. No que concerne ao corpus de pesquisa dispomos das entrevistas estruturadas extraídas de um blog de forma gratuita, online e integral. Foram selecionadas cento e vinte entrevistas, o critério para definição da quantidade foi saturação das respostas. Defende-se, neste estudo, que a literatura pode servir de substrato para a linha Estudos Organizacionais à medida em que nela são identificadas chaves que permitam avançar na compreensão das relações de trabalho e de (re)produção da vida humana, isso, em atenção às marcas de sociabilidade presentes em cada tempo histórico. Encontramos maior evidência das dimensões materiais pelas mulheres que se dedicam de modo profissional a escrever literatura no Brasil contemporâneo. Questões materiais são mais imediatas, a saber que as mulheres dedicadas à escrita literária procuram fonte de renda em outros trabalhos para obter remuneração, desse modo sustentam o trabalho de escrever literatura. A profissionalização apresentou-se como imbróglio, sendo identificadas como marcas profissionais: qualificação da força de trabalho; tempo dedicado à escrita; dispor de leitoras na qualidade de interlocutoras e remuneração. Constatamos que a escritora de literatura se coloca enquanto sujeita de maior atenção às manifestações sociais, que podem ser apreendidas pelo crivo do sensível.
Abstract
Assunto
Palavras-chave
Literatura., Marxismo, Virginia Woolf, Profissão de escritora, Mulher