Papel das imunoglobulinas G no controle e resolução da disbiose intestinal em modelo experimental de colite ulcerativa
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Tese de doutorado
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Membros da banca
Elisabeth Neumann
Gustavo Batista de Menezes
Luciana de Pádua Tavares
Leonardo Borges Acúrcio
Gustavo Batista de Menezes
Luciana de Pádua Tavares
Leonardo Borges Acúrcio
Resumo
A perturbação da homeostase microbiana, caracterizado como disbiose, está relacionada ao
desenvolvimento de doenças inflamatórias intestinais. Dentre as doenças inflamatórias
intestinais, destacamos a colite ulcerativa cuja fisiopatologia envolve a microbiota intestinal.
Sabe-se que a inflamação intestinal decorrente da colite ulcerativa causa exposição de novos
antígenos ao sistema imune. Dentre vários componentes do sistema imune, temos as
imunoglobulinas, que, dentre outras funções, estão envolvidas na neutralização de
microrganismos, evitando a adesão e translocação deles. No entanto, pouco se sabe se as
imunoglobulinas G, foco desse trabalho, desempenham algum papel durante a disbiose
induzida pela colite ulcerativa. Diante disso, o objetivo desse trabalho foi avaliar o papel das
imunoglobulinas G no controle e resolução da disbiose intestinal em um modelo murino de
colite ulcerativa. A partir dos nossos resultados foi observado que, após a indução da colite, há
marcante disbiose da microbiota intestinal, avaliada pela expansão de enterobactérias no
conteúdo luminal e nas fezes dos camundongos submetidos à indução da colite.
Concomitantemente à disbiose, houve aumento nas concentrações de IgG no lúmen do cólon e
fezes. Foi observado também que esses anticorpos eram reativos a antígenos extraídos da
microbiota fecal disbiótica e a antígenos extraídos de bactérias que foram isoladas ao longo da
colite. Ainda, há aumento da percentagem de bactérias ligadas a IgG durante o pico da disbiose
induzida pela colite ulcerativa. Interessantemente, após os animais serem tratados com coquetel
de antimicrobianos durante a disbiose, houve redução de todos esses parâmetros, demonstrando
assim que essa resposta era dependente da microbiota intestinal disbiótica. Animais deficientes
na produção de Imunoglobulinas se mostraram mais susceptíveis à colite, com manifestações
clínicas mais intensas e translocação de bactérias para a circulação sanguínea. Parte desse
fenótipo foi revertido pela administração de antimicrobianos ou pela injeção de IgG purificada
de animais selvagens. Animais deficientes na expressão dos receptores de IgG FcγRIIB, mas
não na expressão de FcγRIII, também apresentaram susceptibilidade acentuada à colite, com
manifestações clínicas mais intensas e adiantada translocação de bactérias para a circulação
sanguínea, efeitos revertidos pela administração de antimicrobianos. Mecanisticamente, a
susceptibilidade dos animais com deficiência na expressão de FcγRIIB foi associada a alteração
na expressão da enzima NOS2. O tratamento com o inibidor de NOS2 aminoguanidina impediu
a expansão de enterobactérias na microbiota disbiótica e a consequente translocação de bactérias para a circulação nesses animais. Em conclusão, esses dados permitem sugerir que
IgG controla a translocação de enterobactérias para a circulação sanguínea após expansão das
mesmas no lúmen do cólon durante a colite ulcerativa por inibir a produção de óxido nítrico
mediada por NOS2 em um mecanismo envolvendo a ativação do receptor FcγRIIB.
Abstract
Assunto
Microbiologia, Disbiose, Microbiota intestinal, Imunoglobulina G, Receptores de IgG
Palavras-chave
Microbiologia, Microbiota intestinal, Disbiose, Imunoglobulina G, Receptores Fc gama
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