#Professora#negra#ativista#conectada: a resistência feminista de professoras negras no Instagram
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Dissertação de mestrado
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Resumo
Esta pesquisa se concentra nas estratégias de professoras negras para enfrentar o
racismo, tendo como locus de resistência o Instagram. Por meio da pesquisa pelo
perfil de 4 professoras negras nessa plataforma, buscou-se compreender como essas
docentes combatem o racismo, ou seja, quais estratégias de enfrentamento ao
racismo utilizam, os posicionamentos assumidos por elas na busca por combater a
invisibilidade e a marginalização das pessoas negras, como abordam a
representatividade e a interseccionalidade, e seus modos de agir que contribuem para
a promoção do Instagram como locus de resistência. O estudo se orienta nas teóricas
Sueli Carneiro, Lélia Gonzalez e no filósofo Michel Foucault. A metodologia se
sustenta pelos princípios orientadores da analítica do discurso de inspiração na
filosofia foucaultiana, em que selecionei algumas postagens compartilhadas por elas
na plataforma Instagram, obedecendo ao recorte temporal compreendido entre janeiro
de 2022 a janeiro de 2023, e que deveriam respeitar os seguintes critérios:
representatividade positiva de pessoas negras; desigualdade de gênero e
interseccionalidade; combate ao racismo. Após, compilei os conteúdos coletados nos
perfis das professoras, elaborei uma classificação temática das postagens que nomeei
por enfrentamento ao racismo subdividindo-a em três eixos: resistência como prática
cotidiana, dispositivo de racialidade e gênero e amefricanidade e resistência.
Posteriormente, realizei a analítica dos discursos produzidos a fim de perceber as
estratégias de resistência, entrecruzando os conceitos de dispositivo de racialidade e
amefricanidade. Este estudo entende a estratégia como um conjunto de ações
racionais e calculadas que visam alcançar determinados objetivos em um contexto
relacional (Foucault, 1984). Foi constatado que as professoras negras ao utilizarem
as redes sociais para compartilhar suas experiências e promover a conscientização
sobre o racismo e o sexismo, estão desnaturalizando o dispositivo de racialidade pois
visibilizam as desigualdades raciais e de gênero; contribuem para desconstruir os
mitos e estereótipos que naturalizam a opressão; afirmam e fortalecem a identidade
negra fomentando a construção de um imaginário social mais justo e inclusivo; criam
espaços de resistência, pois as redes sociais, nesse caso, se tornam espaços de
diálogo, troca de experiências e organização, em que as professoras negras podem
se conectar e fortalecer suas lutas. Desta maneira reconfiguram o significado de
professora, sendo definida como eu a chamo: professora negra ativista conectada.
Abstract
This research focuses on the strategies employed by Black female teachers to confront
racism, using Instagram as a site of resistance. By analyzing the profiles of four Black
female teachers on this platform, the study aims to understand how these educators’
combat racism. Specifically, it explores the strategies they use to challenge racism,
their positions in the fight against the invisibility and marginalization of Black people,
their approaches to representation and intersectionality, and how they contribute to
positioning Instagram as a space of resistance. The study draws on the theoretical
frameworks of Sueli Carneiro, Lélia Gonzalez, and Michel Foucault. The methodology
is grounded in the principles of discourse analysis inspired by Foucault's philosophy.
The analysis involved selecting posts shared by the teachers on Instagram between
January 2022 and January 2023, focusing on those that met the following criteria:
positive representation of Black people, gender inequality and intersectionality, and the
fight against racism. The collected data was thematically categorized into three axes:
resistance as a daily practice, the device of race and gender, and Africanity and
resistance. Discourse analysis was then conducted to identify resistance strategies,
intersecting the concepts of the device of race and Africanity. The study conceptualizes
strategy as a set of rational and calculated actions aimed at achieving specific
objectives within a relational context (Foucault, 1984). The findings reveal that by using
social media to share their experiences and raise awareness about racism and sexism,
Black female teachers are denaturalizing the device of race. They do so by making
racial and gender inequalities visible, deconstructing myths and stereotypes that
naturalize oppression, affirming and strengthening Black identity, and fostering the
construction of a more just and inclusive social imaginary. By creating spaces for
dialogue, exchange, and organization, these teachers are transforming social media,
particularly Instagram, into spaces of resistance where Black women can connect and
strengthen their struggles. In doing so, they redefine the role of the teacher, becoming
what I call "connected Black activist teachers".
Assunto
Educação - Relações étnicas, Educação - Relações raciais, Professoras negras, Racismo, Feminismo e educação, Instagram (Rede social on-line)
Palavras-chave
Professoras negras, Instagram, Racismo, Resistência
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