Para além da inovação e do empreendedorismo no capitalismo brasileiro
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Tese de doutorado
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Resumo
A necessidade contínua de inovação atrelada às atividades laborais individualizadas e
precarizadas, embora socialmente dependentes, é possibilitada pela automatização da gestão do
processo produtivo e pela capacidade de atração do mais-valor gerado pela ampliação do
mercado (cada vez mais mundial) em todo o ciclo do capital, da produção à realização do maisvalor
na esfera da circulação. Partimos da discussão do processo de trabalho e processo de
valorização elaborados a partir da crítica da economia política para demonstrar o papel do novo
na autoprodução humana e, mais especificamente, na produção especificamente capitalista, em
que o processo de inovação encontra-se subordinado aos valores de troca em detrimento da
utilidade do produto do trabalho. Tal processo atende à lei geral de acumulação capitalista cuja
inovação é condição sine qua non para os lucros extraordinários no momento da concorrência
intracapitalista e, igualmente, elemento primordial para o desenvolvimento das forças
produtivas. Nos tempos hodiernos, a inovação é aludida como motor do crescimento
econômico, cuja função é atribuída aos empreendedores. Elaboramos a tese de que a prática
empreendedora corresponde a um importante desdobramento do desenvolvimento das forças
produtivas que reorganiza produção, distribuição, troca e consumo visando elevar as taxas de
extração de mais-valor; seja por meio da inovação, na busca pelo lucro extraordinário
intracapitalistas; seja por meio do empreendedorismo precarizado, que tanto contribui com a
aceleração do ciclo do capital quanto rebaixa o preço da força de trabalho, intensificando a
pauperização da classe trabalhadora. Discorremos acerca dessas justificativas burguesas para a
prática empreendedora, demonstrando que não se tratam de meios para redução da miséria,
tratam-se, ao revés, de meios para expansão do capital. Expomos a crítica aos apologéticos do
novo, demonstrando como se consolidou a ideia de espírito empreendedor, assim como sua
função na prática empreendedora e na luta de classes. Na sequência, a particularidade da prática
empreendedora brasileira é analisada e discutida tanto a partir de sua formação histórica quanto
em comparação com outros países, para evidenciar como a prática empreendedora tanto pode
ser voltada para inovação quanto para a precarização do trabalho (empreendedorismo
precarizado). Concluímos que essas duas funções da prática empreendedora contribuem com a
reprodução do capital atuando em maior medida na esfera da circulação no momento da
realização do valor e no rebaixamento da força de trabalho, sem deixar, ao mesmo tempo, de
inovar. Por fim, situamos a prática empreendedora na luta de classes, para discutir suas
potencialidades e limites de transformação social radical.
Abstract
The continuous need for innovation coupled with individualized and precarious work activities,
although socially dependent, is made possible by the automation of the management of the
productive process and by the attractiveness of the higher value generated by the expansion of
the market (increasingly worldwide) throughout the cycle from capital, from production to the
realization of more value in the sphere of circulation. We start from the discussion of the process
of work and valorization process elaborated from the critique of political economy to
demonstrate the role of the new in the human self-production and, more specifically, in the
specifically capitalist production, in which the innovation process is subordinated to the values
to the detriment of the usefulness of the product of labor. This process complies with the general
law of capitalist accumulation whose innovation is a sine qua non for extraordinary profits at
the time of intracapitalist competition and, also, a primordial element for the development of
the productive forces. In modern times, innovation is alluded to as the engine of economic
growth, whose role is attributed to entrepreneurs. We elaborate the thesis that the
entrepreneurial practice corresponds to an important unfolding of the development of the
productive forces that reorganizes production, distribution, circulation and consumption in
order to raise the rates of extraction of more value; whether through innovation, in the quest for
extraordinary profit intracapitalist; be it through precarious entrepreneurship, which contributes
so much to the acceleration of the cycle of capital as it lowers the price of the labor force,
intensifying the pauperization of the working class. We talk about these bourgeois justifications
for entrepreneurial practice, demonstrating that they are not means for the reduction of misery,
but are instead the means for the expansion of capital. We expose the critique of the apologetics
of the new, demonstrating how the idea of entrepreneurial spirit was consolidated, as well as its
function in the practice of entrepreneurship and class struggle. In the sequence, the particularity
of the Brazilian entrepreneurial practice is analyzed and discussed both from its historical
formation and in comparison with other countries, to show how the entrepreneurial practice can
be both for innovation and for precarious work (precarious entrepreneurship). We conclude that
these two functions of entrepreneurial practice contribute to the reproduction of capital by
acting more in the sphere of circulation at the moment of realization of value and the lowering
of the workforce, while at the same time innovating. Finally, we place the entrepreneurial
practice in the class struggle to discuss its potentialities and limits of radical social
transformation.
Assunto
Empreededorismo, Condições econômicas, Conflito social
Palavras-chave
Crítica da economia política, Empreendedorismo precarizado, Inovação, Luta de classes, Prática empreendedora
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