Terapia nutricional enteral e parenteral em pacientes hospitalizados: estado nutricional, adequação calórica e proteica e desfechos clínicos
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Dissertação de mestrado
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Primeiro orientador
Membros da banca
Ann Kristine Jansen
Silvia Fernandes Maurício
Silvia Fernandes Maurício
Resumo
As estimativas da prevalência de desnutrição em adultos hospitalizados no mundo variam entre 20 e 50%. Apesar de ser um dos maiores problemas de saúde pública mundial, ainda é altamente subdiagnosticada e subtratada. A desnutrição provoca um declínio nutricional, aumentando o risco de complicações e readmissões hospitalares. Diante desse contexto, o suporte nutricional (SN) tem sido amplamente utilizado como estratégia para prevenir e tratar a desnutrição e outras condições clínicas. Os benefícios associados ao SN são diversos, entretanto essa prática não é isenta de problemas, e compreender suas complicações é vital para atingir as demandas, mantendo a segurança e eficácia da terapia. Este estudo objetivou avaliar a prática da terapia nutricional enteral e parenteral, o estado nutricional, a adequação do aporte calórico e proteico e desfechos clínicos de pacientes internados em uso de SN. Trata-se de um estudo observacional prospectivo com dados secundários obtidos do prontuário eletrônico de pacientes internados no Hospital das Clínicas da UFMG no período de 14 de dezembro de 2021 a 14 de maio de 2023. Todas as avaliações nutricionais foram realizadas pelos nutricionistas do hospital e os dados foram coletados em fichas eletrônicas e posteriormente analisados no software SPSS. Os dados de 300 pacientes em uso de SN foram incluídos. A mediana da idade foi de 61,0 (49,0 - 69,75) anos, em relação ao estado nutricional 39,5% apresentavam desnutrição grave, segundo a avaliação contida nos prontuários. Na análise da variação da massa muscular durante a internação, mensurada a partir de equações de estimativa com dados antropométricos, três das quatro equações indicaram redução significativa (p=0,016, p=0,014 e p=0,006). Análises de regressão mostraram que uma maior ingestão proteica pode aumentar o tecido mole magro (p = 0,036). Além disso, quanto maior o número de infecções (r=0,085; p=0,039), maior a chance de estar no grupo em que houve perda de massa muscular. Em relação à adequação da ingestão , a mediana foi de 75,8% (58,0-87,0) para adequação calórica e 71,6% (51,2–86,9) para adequação proteica. Já a mediana de calorias por kg de peso corporal foi de 20,0 kcal (15,7–24,4), e a ingestão mediana de proteínas por kg foi de 1,0 grama (0,9–1,2). A taxa de mortalidade foi de 30,3% e pacientes com maior infusão calórica e proteica, foram associados a um maior tempo de internação, sendo a maior ingestão proteica por kg, protetora para o óbito e foi preditora do risco de encaminhamento para tratamento intensivo (p=0,014). Por fim, observou-se que 83,3% dos pacientes iniciaram SN em mais de 48 horas e 71,7% dos pacientes tiveram a dieta interrompida em algum momento da internação. O início tardio do SN foi associado a maior mortalidade, maior tempo de internação e menor risco de síndrome de realimentação (p<0,001). As interrupções esperadas foram associadas a piores resultados. Os achados deste estudo evidenciam a associação de problemas na administração do SN com os piores desfechos clínicos e declínio do estado nutricional.
Abstract
Estimates of the prevalence of malnutrition in hospitalized adults around the world vary
between 20 and 50%. Despite being one of the biggest public health problems in the
world, it is still highly underdiagnosed and undertreated. Malnutrition causes nutritional
decline, increasing the risk of complications and hospital readmissions. Given this
context, nutritional support (NS) has been widely used as a strategy to prevent and
treat malnutrition and other clinical conditions. The benefits associated with NS are
diverse, however this practice is not without problems, and understanding its
complications is vital to meet the demands, maintaining the safety and effectiveness
of the therapy. This study aimed to evaluate the practice of enteral and parenteral
nutritional therapy, nutritional status, adequacy of caloric and protein intake and clinical
outcomes of hospitalized patients using NS. This is a prospective observational study
with secondary data obtained from the electronic medical records of patients admitted
to the Hospital das Clínicas of UFMG from December 14, 2021 to May 14, 2023. All
nutritional assessments were carried out by the hospital's nutritionists and data were
collected in electronic forms and later analyzed using SPSS software. Data from 300
patients using NS were included. The median age was 61.0 (49.0 - 69.75) years, in
relation to nutritional status, 39.5% were severely malnourished, according to the
assessment contained in the medical records. In the analysis of the variation in muscle
mass during hospitalization, measured using estimation equations with anthropometric
data, three of the four equations indicated a significant reduction (p=0.016, p=0.014
and p=0.006). Regression analyzes showed that higher protein intake can increase
lean soft tissue (p = 0.036). Furthermore, the greater the number of infections (r=0.085;
p=0.039), the greater the chance of being in the group in which there was loss of
muscle mass. Regarding adequacy of intake, the median was 75.8% (58.0-87.0) for
caloric adequacy and 71.6% (51.2–86.9) for protein adequacy. The median calories
per kg of body weight was 20.0 kcal (15.7–24.4), and the median protein intake per kg
was 1.0 grams (0.9–1.2). The mortality rate was 30.3% and patients with higher caloric
and protein infusion were associated with a longer length of stay, with higher protein
intake per kg being protective for death and was a predictor of the risk of referral to
intensive treatment. (p=0.014). Finally, it was observed that 83.3% of patients started
NS after more than 48 hours and 71.7% of patients had their diet interrupted at some
point during hospitalization. Late onset of NS was associated with higher mortality,
longer hospital stay and lower risk of refeeding syndrome (p<0.001). Expected
interruptions were associated with worse outcomes. The findings of this study highlight
the association of problems in the administration of NS with worse clinical outcomes
and decline in nutritional status.
Assunto
Desnutrição, Força Muscular, Ingestão de Alimentos, Dieta, Terapia Nutricional, Dissertação Acadêmica
Palavras-chave
Desnutrição Hospitalar, Suporte Nutricional, Massa Muscular, Adequação da Ingestão, Complicações, Interrupções da dieta