Como um laboratório forma cientistas? uma investigação pautada na perspectiva ator-rede
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Luiz Gustavo Franco Silveira
Marina de Lima Tavares
Karla Cunha Padua
Fátima Teresa Braga Branquinho
Marina de Lima Tavares
Karla Cunha Padua
Fátima Teresa Braga Branquinho
Resumo
Esta tese apresenta um estudo etnográfico conduzido durante o processo formativo de uma
cientista em um laboratório. O objetivo da pesquisa foi compreender como esse espaço educa
e o que os (as) pesquisadores (as) precisam aprender para se formarem enquanto cientistas. Para
tanto, percebemos as ações que são engendradas nas práticas sociotécnicas que produzem o
sujeito e o próprio laboratório. O olhar para o contexto de análise será baseado em uma leitura
latouriana, em especial, a sistematização sobre a Teoria Ator-Rede (TAR). Para investigar o
processo de formação dessa cientista dentro do laboratório, nos atentamos à sua aprendizagem
em uma perspectiva de afetação (LATOUR, 2008). Buscou-se utilizar a pesquisa etnográfica e
os escritos dos estudos de ciência latouriana para investigar o laboratório situado em uma
grande universidade do sudeste brasileiro. Esse laboratório pertence ao Departamento de
Parasitologia do curso de Ciências Biológicas, onde são desenvolvidas pesquisas referentes à
abordagem Diagnóstico de doenças infecciosas e parasitárias. A pesquisa empírica realizou-
se no período de junho de 2021 à junho de 2022, e, durante este tempo a etnógrafa acompanhou
o processo formativo de uma doutoranda que investiga o diagnóstico de doenças causadas pelo
parasito Ascaris suum, nesse laboratório. A coleta de registros e produção de dados foi
desenvolvida a partir dos seguintes procedimentos: acompanhamento dos experimentos
realizados no laboratório, relatos orais coletados à distância, via WhatsApp e conversas de
vídeo, via Google Meet. Em nossas análises, ao descrevermos os campos etnográficos,
evidencia-se potenciais informações sobre como o laboratório contribui para a formação da
cientista. Indica-se que a materialidade do espaço como gavetas e armários trazem elementos
de pertencimento e da carreira profissional dos (as) cientistas. Além disso, o próprio objeto de
estudo da doutoranda, o áscaris, participa de uma divisão entre o mundo interno e o externo ao
laboratório. Assim como, durante a pesquisa ao me deparar com dois incidentes, emergiu uma
ação comum: o uso de recursos que geram custos ao laboratório. Ambos relatam como a
doutoranda é afetada (LATOUR, 2008), se formando ao aprender com esses incidentes. Na
dinâmica de funcionamento desse espaço, a própria manutenção da circulação da ciência em
sua prática mostra que existem “brechas” que fazem parte da própria “estrutura” dessa rede,
que influencia para manutenção de um modus operandi que torna o processo de formação
passível de frustrações. Além disso, foi percebido em comportamentos e falas ao longo do
acompanhamento etnográfico, situações como o manuseio de camundongos, que exigiam dos
(as) pesquisadores (as) habilidades que são desenvolvidas ao longo do processo de
aprendizagem. No trabalho com esses não humanos a doutoranda precisou realizar uma
preparação do seu estado psicológico para as atividades de manuseio dos animais, o que nos
remeteu a discussão que a associação entre pesquisadora+não humano, performada por ambos,
torna esses camundongos o objeto de pesquisa da doutoranda. Por fim, na presente pesquisa
trazemos respostas sobre como essa rede a qual estão inseridos o laboratório e a nossa parceira
de pesquisa forma cientistas, e como é demandado de cientistas em formação saber interagir
nas redes que são erguidas no laboratório. Isso significa estar sensível para com os atores que
habitam nesse espaço de modo a conseguir negociar seus objetivos de pesquisa com os desses
outros.
Abstract
This thesis presents an ethnographic study conducted during the training process of a
doctoral student in a laboratory. The objective of the research was to understand how
this space educates and what researchers need to learn to graduate as scientists. To this
end, we perceived the actions that are engendered in the sociotechnical practices that
produce the subject and the laboratory itself. The approach to the analysis context will
be based on a Latourian reading, in particular, the systematization of the Actor-Network
Theory (ANT). To investigate the training process of this scientist within the laboratory,
we focused on her learning from an affectation perspective (LATOUR, 2008). We
sought to use ethnographic research and writings from Latourian science studies to
investigate the laboratory located in a large university in southeastern Brazil. This
laboratory belongs to the Parasitology Department of the Biological Sciences course,
where research is carried out regarding the approach for Diagnosis of infectious and
parasitic diseases. The empirical research was carried out from June 2021 to June 2022,
and throughout this period, the ethnographer followed the training process of a doctoral
student investigating the diagnosis of diseases caused by the Ascaris suum parasite, in
this laboratory. Record collection and data production were developed based on the
following procedures: monitoring of experiments carried out in the laboratory, oral
reports collected remotely, via WhatsApp and videocalls via Google Meet. In our
analyses, when describing the ethnographic fields, potential information is highlighted
about how the laboratory contributes to the training of scientists. It is indicated that the
materiality of the space, such as drawers and cabinets, brings elements of belonging and
the professional career of the scientists. Furthermore, the budding scientist’s own object
of study, the ascaris, participates in a division between the world inside and outside the
laboratory. Also, during the research, when I came across two incidents, a common
action emerged: the use of resources that generate costs for the laboratory. Both reveal
how the doctoral student is affected by the experience (LATOUR, 2008), therefore,
being trained by learning from these incidents. In the dynamics of the functioning of
this space, the very maintenance of the circulation of science in its practice shows that
there are “gaps” that are part of the “structure” of this network itself, which influences
the maintenance of a modus operandi that makes the training process prone to
frustrations. Besides, it was noticed, in behaviors and conversations throughout the
ethnographic monitoring, situations such as handling mice, which required the
researchers to have skills that are developed throughout the learning process. In working
with these non-humans, the doctoral student needed to prepare her psychological state
for animal handling activities, which led us to the discussion that the association
between researcher+non-human, performed by both, makes these mice the object of the
doctoral student’s research. Finally, in this research we bring answers about how this
network in which the laboratory and our research partner are inserted forms scientists,
and how scientists in training are required to know how to interact in the networks that
are built in the laboratory. This means being sensitive to the actors who inhabit this
space in order to be able to negotiate your research objectives with those of others.
Assunto
Educação, Educação - Etnologia, Laboratórios, Pesquisadores - Formação, Teoria Ator-Rede
Palavras-chave
Etnografia de laboratório, Teoria Ator-Rede, Formação de cientistas, Afetação
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