Comparação de dois tipos de drenagem torácica fechada na evolução para hemotórax retido e empiema. Estudo prospectivo.
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
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Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Rafael Calvão Barbuto
Daniel Mendes Pinto
Kelly Renata Sabino
Roberto Carlos de Oliveira e Silva
Carla Jorge Machado
Vivian Resende
Daniel Mendes Pinto
Kelly Renata Sabino
Roberto Carlos de Oliveira e Silva
Carla Jorge Machado
Vivian Resende
Resumo
Introdução: O trauma é a quarta causa geral de mortes abaixo dos 40 anos de
vida.1; 2 Entre os pacientes que morrem na cena do acidente ou imediatamente
após a chegada ao hospital, o trauma torácico é a segunda causa de morte por
região anatômica (54%) perdendo somente para o trauma craniano (59%).3
Pode-se dizer que de 3% a 10% dos pacientes com ferimentos torácicos
penetrante ou contuso necessitarão de toracotomia.1; 2; 4 A maioria deverá ser
submetida a procedimento simples de drenagem torácica fechada em selo
dágua para o tratamento do pneumotórax, hemotórax ou hemopneumotórax.1; 5;
6; 7 A drenagem torácica apesar de ser simples não é inócua e pode, além de
tratar o paciente, trazer algumas complicações.8; 9; 10; 11 No nosso meio foi
encontrado 26,5% de complicações relacionadas à drenagem pleural fechada
em selo dàgua.9 As complicações pleuropulmonares infecciosas relacionadas à
drenagem são de difícil controle e causam morbidade e mortalidade elevadas,
necessitando prevenção e tratamento adequados.
Objetivo: Estudar prospectivamente a utilização de dois equipamentos
distintos na drenagem pleural após trauma torácico, levando em consideração
a mecânica de pressão negativa da cavidade pleural. Dreno em selo d ́água
denominado dreno convencional (DC) e dreno à vácuo (DV). E tentar predizer
se um é melhor do que o outro em relação as complicações pleuropulmonares
infecciosas.
Método: Estudo prospectivo de janeiro a dezembro de 2018. Incluídos no
estudo pacientes vítimas de trauma contuso e penetrante; de ambos os sexos;
maiores de 18 anos; menores de 61 anos; submetidos a drenagem torácica fechada devido à trauma; com possibilidade de acompanhamento; utilizando-se
os índices RTS, ISS e TRISS como parâmetros de gravidade do trauma. Todos
os pacientes drenados de maio a agosto de 2018 utilizaram vácuo em suas
drenagens e foram comparados com os outros que utilizaram selo d ́água. No
total foram incluídos 47 pacientes. Todos os pacientes foram acompanhados
durante a internação e após a alta em retornos ambulatoriais, até a alta
definitiva. Foram utilizadas estatísticas para variáveis contínuas (média,
desvio padrão, mediana, intervalo interquartílico, valores mínimos e máximos) e
categóricas (número absoluto e proporções).
As médias foram comparadas por meio do teste t de Student para
amostras independentes e as medianas foram comparadas pelo teste de
Mann-Whitney para amostras independentes. Para comparação das
proporções foi utilizado o teste exato de Fisher. O nível de significância
estatístico adotado foi de 5% (p<0,05).
Resultados: Foram drenados 47 pacientes e 55 hemitóraces, sendo 24 DC e
23 DV. O hemopneumotórax e o pneumotórax em um único hemitórax foram as
lesões mais encontradas nos dois grupos (39,4% e 20,8% DC X 34,8% e 34%
DV respectivamente).
O sexo masculino foi o mais drenado para as duas modalidades de drenagem
(83,3% DC e 87% DV).
Os índices de trauma mais frequentemente encontrado foi ISS até 15 (50% DC
e 65,2% DV), RTS >7 (62,5% DC e 73,9% DV), TRISS <0.5 (75% DC e 25,6
DV). Para o TRISS ocorreu média de 76,9% para o grupo de pacientes que usaram o DC e 93,2% de chance de sobrevida para o grupo que usou o DV
(p0,052).
As complicações pleuropulmonares infecciosas mais encontradas: pneumonia
(13 pacientes 33,3% DC e 13% DV p0,677) e empiema (4 pacientes 16,7% DC
e 0 DV p0,109). Fratura de costela foi a lesão associada mais encontrada para
os dois tipos de drenagem (39,4% DC e 34,8% DV p0,627). O Hemotórax
Residual (HR) foi encontrado em 33,3% com DC e 13% no DV p0,101. Os
fatores mais associados a presença de hemotórax residual nos dois tipos de
drenagem foram o uso de ATB profilático (66,7 DC e 30,4 DV p0,013),
fisioterapia (79,2% DC e 43,5% DN p0,012). O local do hospital onde se
realizou a maioria das drenagens foi o bloco cirúrgico (91,6% DC e 60,9% DV).
Cinco pacientes (20,9%) que usaram DC foram a óbito e não ocorreu nenhum
óbito nos DV (p0,05).
Conclusão: O hemopneumotórax e o pneumotórax foram as causas mais
comuns de indicação para drenagem torácica e não mostraram diferença em
relação às complicações. Os homens são os mais drenados. Os índices de
trauma ISS, RTS e TRISS mais encontrados foram os de menor gravidade para
os dois grupos e não houve diferença entre eles. Os pacientes mais graves
encontravam-se no grupo de DC com média TRISS de 76,9. Esse fato deve ter
contribuído para os óbitos nesse grupo e não o tipo de dreno utilizado apesar
de a chance de sobrevida dos pacientes vítimas de trauma com necessidade
de drenagem torácica ter sido melhor para os DV que para os DC. Por ser um
índice mais detalhado na alocação dos pacientes (idade, mecanismo,
fisiológico e anatômico), pode-se dizer que os pacientes com DV eram
melhores em condições clínicas para drenagem, e por isso, sobreviveram mais. Os pacientes que usaram DC apresentaram mais HR do que os que usaram o
DV sem significância e não houve maior complicação pleuropulmonar
infecciosa nos dois grupos de drenos mesmo com presença de HR.
A pneumonia e o empiema ocorreram mais no grupo DC, mas não foi
significativa a diferença para os dois métodos de drenagem.
A drenagem comum parece favorecer em números absolutos a ocorrência de
HR, pneumonia e empiema, entretanto não houve comprovação estatística
correlacionando esses achados com o método de drenagem. Mais estudos
controlados são necessários para dizer que um tipo de dreno é melhor que
outro. Sabe-se que o DC é de menor custo e até o momento pode continuar
sendo usado com segurança.
Descritores: Trauma torácico, drenagem torácica, drenagem torácica à vácuo,
hemotórax retido, empiema.
Abstract
Assunto
Traumatismos Torácicos, Drenagem, Hrmotórax, Empiema
Palavras-chave
Trauma torácico, Drenagem torácica, Drenagem torácica à vácuo, Hemotórax retido, Empiema