Padronização químico-biológica de folhas de Hancornia speciosa Gomes (mangaba): estudos de relação entre composição química e atividades anti-hipertensiva e antidiabética.
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Tese de doutorado
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Primeiro orientador
Membros da banca
Cláudia Maria Oliveira Simões
Suzan Kelly Vilela Bertolucci
Priscilla Rodrigues Valadares Campana
Rachel Oliveira Castilho
Suzan Kelly Vilela Bertolucci
Priscilla Rodrigues Valadares Campana
Rachel Oliveira Castilho
Resumo
Hancornia speciosa Gomes, popularmente conhecida como mangaba, tem uso etnomédico para o tratamento de hipertensão e diabetes, entre outros. A potencial atividade anti-hipertensiva da espécie foi relatada em trabalhos anteriores de nosso grupo em modelos in vitro, ex vivo e in vivo, sendo rutina, L-(+)-bornesitol e ácido quínico identificados como constituintes bioativos. O presente trabalho teve como objetivo realizar a padronização químico-biológica de extratos de H. speciosa, com potencial atividade anti-hipertensiva e antidiabética. Para tanto, foram obtidos diferentes extratos de folhas da espécie utilizando solventes (etanol / água em diferentes proporções; metanol / acetato de etila), técnicas extrativas (percolação e maceração estática) e tempos variados. Os teores dos marcadores químicos foram quantificados nos extratos, utilizando método de CLAE-DAD e espectrofotometria no UV-Vis. Os extratos obtidos apresentaram variações nos teores de flavonoides totais (2,68 ± 0,14 a 5,28 ± 0,29%), bornesitol (5,11 ± 0,26 a 7,75 ± 0,78%), rutina (1,46 ± 0,06 a 1,97 ± 0,02%), FlavHS (triglicosídeo da quercetina; 0,72 ± 0,05 a 0,94 ± 0,14%) e ácido clorogênico (0,67 ± 0,09 a 0,91 ± 0,02%). Os extratos foram avaliados em modelo ex vivo de vasodilatação em anéis de aorta torácica de ratos pré-contraídos com fenilefrina e in vitro de inibição da enzima α-glicosidase. Todos os extratos apresentaram atividade em ambos os modelos, com faixas de pCI50 de 4,97 ± 0,22 a 6,48 ± 0,10 para a atividade vasodilatadora, e de 3,49 ± 0,21 a 4,03 ± 0,10 para inibição da enzima α-glicosidase. Os dados obtidos foram submetidos à análise de componente principal (PCA) para avaliar a relação entre a composição química quantitativa e a atividade biológica dos extratos. PCA demonstrou existência de correlação positiva entre o efeito vasodilatador e os teores de ácido clorogênico, rutina, flavonoides totais e FlavHS, bem como correlação negativa com a concentração de bornesitol. Não se observou associação significativa entre os teores dos marcadores quantificados e a inibição da enzima α-glicosidase. Por sua vez, análises de componente principal entre as atividades biológicas e as áreas dos dez picos majoritários nos perfis cromatográficos dos extratos indicaram correlação positiva entre as substâncias lipofílicas e a inibição da α-glicosidase, bem como entre a atividade vasodilatadora e os compostos flavonoídicos, além de ácido clorogênico. O extrato de H. speciosa obtido por percolação com etanol 96 ºGL (EE-EC) e suas frações cromatográficas inibiram in vitro a α-glicosidase, sem diferença estatística entre eles (pCI50 de 4,75 ± 0,16 a 5,33 ± 0,15). EE-EC e a fração diclorometânica derivada deste reduziram a glicose sérica em aproximadamente 50 e 75%, respectivamente, em ensaio agudo de hiperglicemia, quando administrados por via oral a camundongos na dose de 300 mg/Kg. O refracionamento da fração diclorometânica resultou no isolamento de um sólido cuja estrutura química foi elucidada por métodos espectroscópicos usuais como sendo 3-O-β-(3’-R-hidroxi)-hexadecanoil-lupeol, inédito na espécie. Em conclusão, os resultados obtidos indicam que a atividade vasodilatadora de H. speciosa pode ser atribuída aos flavonoides e ácido clorogênico, enquanto a atividade antidiabética está associada aos compostos lipofílicos, ésteres do lupeol e da α/β-amirina.
Abstract
Hancornia speciosa Gomes, a plant species popularly named “mangaba”, has ethnomedical uses to treat hypertension and diabetes, among others. Its potential antihypertensive activity has been previously demonstrated by us employing in vitro, ex vivo and in vivo assays, rutin, L-(+)-bornesitol and quinic acid being regarded as the bioactive compounds. The goal of this work was to undertake the chemical-biological standardization of H. speciosa extracts with potencial antihypertensive and antidiabetic activities. For this purpose, differents extracts of H. speciosa leaves were obtained using distinct solvents (ethanol / water in differents proportions; methanol / ethyl acetate), extraction techniques and extraction periods. The contents of the chemical markers, quantified by HPLC-DAD and UV-Vis spectrophotometry, were found to vary significantly among the extracts, inclundig total flavonoids (2.68 ± 0.14 to 5.28 ± 0.29%), bornesitol (5.11 ± 0.26 to 7.75 ± 0.78%), rutin (1.46 ± 0.06 to 1.97 ± 0.02%), FlavHS (a quercetin triglycoside; 0.72 ± 0.05 to 0.94 ± 0.14%) and chlorogenic acid (0.67 ± 0.09 to 0.91 ± 0.02%). The vasodilator activity of the extracts was assayed in rat aortic rings precontracted with phenylephrine, whereas their effect on α-glucosidase was evaluated in vitro. All extracts were active in both assays with pIC50 values in the range 4.97 ± 0.22 to 6.48 ± 0.10 for vasodilator activity and 3.49 ± 0.21 to 4.03 ± 0.10 for α-glucosidase inhiibition. The obtained data was submitted to principal component analysis (PCA) to investigate the relationship between quantitative chemical composition and biological activity of the extracts. PCA indicated positive correlation between the vasodilatator effect and the contents of chlorogenic acid, rutin, total flavonoids and FlavHS, in addition to negative correlation with the bornesitol concentrations. The contents of the assayed chemical markers showed no significant association to α-glucosidase inhibition. On the other hand, PCA carried out with the areas from the ten major peaks of extracts chromatograms disclosed positive correlation between the lipophilic compounds and α-glucosidase inhibition, as well as between the vasodilator activity and flavonoids contents, along with chlorogenic acid concentrations. The mangaba extract obtained by percolation with ethanol 96 °GL (EE-EC) and derived chromatographic fractions induced similar α-glucosidase inhibition (p > 0.05; pIC50 from 4.75 ± 0.16 to 5.33 ± 0.15). EE-EC and the dichloromethane fraction (Fr DCM; 300 mg/Kg, per ors) inhibited the hyperglycemic effect induced by glucose (50 and 75%, respectively). Chromatographic fractionation of Fr DCM afforded a solid, whose chemical structure was defined by spectroscopic analysis as lupeol 3-(3’R-hydroxy)-hexadecanoate, reported for the first time in H. speciosa. In conclusion, our results indicate that mangaba vasodilatator activity seems to be related to the flavonoids and chlorogenic acid, whereas the antidiabetic activity is associated with lipophilic compounds, including esters of lupeol and α/β-amirin.
Assunto
Palavras-chave
Hancornia speciosa, Extratos padronizados, Ciclitois, Flavonoides, Antividade antidiabética, Atividade vasodilatadora, 3-O-β-(3’-R-hidroxi)-hexadecanoil-lupeol, Relação entre composição química quantitativa e atividade biológica
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