A percepção do corpo: o sagrado e o profano em Grande sertão: veredas
| dc.creator | Miriam Piedade Mansur Andrade | |
| dc.date.accessioned | 2023-05-16T14:32:06Z | |
| dc.date.accessioned | 2025-09-08T23:18:57Z | |
| dc.date.available | 2023-05-16T14:32:06Z | |
| dc.date.issued | 2019 | |
| dc.format.mimetype | ||
| dc.identifier.issn | 2526-0782 | |
| dc.identifier.uri | https://hdl.handle.net/1843/53441 | |
| dc.language | por | |
| dc.publisher | Universidade Federal de Minas Gerais | |
| dc.relation.ispartof | Annales FAJE | |
| dc.rights | Acesso Aberto | |
| dc.subject | Merleau-Ponty, Maurice, 1908-1961 - Crítica e interpretação | |
| dc.subject | Rosa, João Guimarães, 1908-1967 - Grande sertão: veredas- Crítica e interpretação | |
| dc.subject | Percepção (Filosofia) | |
| dc.subject.other | Corpo | |
| dc.subject.other | Percepção | |
| dc.subject.other | Merleau-Ponty | |
| dc.subject.other | Grande Sertão: Veredas | |
| dc.title | A percepção do corpo: o sagrado e o profano em Grande sertão: veredas | |
| dc.type | Artigo de periódico | |
| local.citation.epage | 37 | |
| local.citation.issue | 3 | |
| local.citation.spage | 32 | |
| local.citation.volume | 4 | |
| local.description.resumo | Merleau-Ponty, em O Visível e o Invisível (1964/1992), elabora a noção de percepção compreendida como ação do corpo. Para ele, “antes da ciência do corpo – que implica a relação com outrem –, a experiência de minha carne como ganga de minha percepção ensinou-me que a percepção não nasce em qualquer outro lugar, mas emerge no recesso de um corpo” (p.21). Desse modo, no corpo, em movimento, a percepção remete aos desvios, às incertezas e à realidade tal como vivemos e, assim, sugere um exame rigoroso da nossa existência, por meio da expressão da corporeidade e da atribuição de sentidos. Com base na fenomenologia de Merleau-Ponty, este texto visa ao estudo da percepção do corpo em Grande sertão: veredas (1956), como espaço de representação do sagrado e do profano, nas expressões textuais e na caracterização dos personagens no sertão. Em uma das primeiras passagens de Grande sertão: veredas, os leitores são apresentados ao Diabo rosiano, cuja existência é posta em dúvida: “O diabo existe e não existe? [...] o diabo vige dentro do homem, os crespos do homem – ou é o homem arruinado, ou o homem dos avessos” (p.10). Por meio da dúvida de Riobaldo, se o Diabo existe ou não, Rosa brincou com a tradição do mito do Diabo, herdou ideias e se apropriou de novas possibilidades, tudo isso fundido e recriado em seu romance épico, ao mesmo tempo regional e universal. A ideia de homem arruinado, se consideradas as possíveis acepções da expressão, remete à noção de homem caído, em ruína. Nesse sentido, corpo e alma se fundem na dor, na perda e no sofrimento. Na discussão acerca da natureza do Bem e do Mal, a remissão ao mito da queda do homem está presente nas bases teológicas, por via da leitura bíblica. Em outra passagem, na travessia de Riobaldo, o “sertão é o sozinho” (p.235). Sertão que o protagonista define como aquele “que é dentro da gente” (p.309), o local onde o Mal se manifesta, pois “a miséria do mundo ali está, no sertão, no fundo do sertão”. O sertão é o espaço de confusão na percepção de vida e corpo de Riobaldo que, nas linhas do romance, “vê a desordem ao seu redor”. Nessa perspectiva, o corpo de Riobaldo é o palco para a percepção do Mal no homem arruinado do sertão, que segue em travessia na busca da expressão da fé e de Deus, que só é encontrada no corpo ambíguo de Diadorim: humano e masculino e, ao mesmo tempo, divino e feminino. | |
| local.identifier.orcid | https://orcid.org/0000-0002-8261-7914 | |
| local.publisher.country | Brasil | |
| local.publisher.department | FALE - FACULDADE DE LETRAS | |
| local.publisher.initials | UFMG | |
| local.url.externa | https://www.faje.edu.br/periodicos/index.php/annales/article/view/4312 |