Voz e expressividade de professores universitários
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Adriane Mesquita de Medeiros
Letícia Caldas Teixeira
Iara Barreto Bassi
Luciana Lemos de Azevedo
Izabel Cristina Campolina Miranda
Letícia Caldas Teixeira
Iara Barreto Bassi
Luciana Lemos de Azevedo
Izabel Cristina Campolina Miranda
Resumo
Introdução: A comunicação humana está diretamente relacionada à forma de
transmissão e compartilhamento de ideias por meio da voz, da linguagem e de
elementos não-verbais. Na docência, a voz é fator relevante para a atuação em
sala de aula, um recurso eficiente para transmitir o conhecimento e obter a
atenção do aluno. Os problemas de voz em professores geralmente estão
relacionados às queixas de fadiga e desgaste vocal provocados pela alta
demanda e ritmo de trabalho intenso que refletem a frequência e em que
condições o docente utiliza a voz. A expressividade na comunicação aponta a
utilização de recursos vocais usados no desempenho comunicativo, garantindo
que a mensagem seja transmitida de forma eficaz. O comunicador, no caso o
docente, deve desenvolver características de empatia e interação adequadas ao
contexto profissional, visando o processo de construção de conhecimento de
seus alunos. Objetivo: investigar os sintomas vocais relatados por professores
universitários e verificar a associação com os recursos vocais e os aspectos do
ambiente de trabalho. Métodos: Trata-se de um estudo observacional, analítico,
transversal. Foram incluídos os professores membros efetivos da Universidade
Federal de Minas Gerais (UFMG), de 77 diferentes cursos e excluídos aqueles
que estavam afastados do trabalho e atuavam fora da sala de aula durante a
coleta de dados e os professores graduados em Fonoaudiologia. O cálculo
amostral foi realizado considerando prevalência do evento de no mínimo 20%. A
margem de erro amostral foi de 5% e o nível de significância de 95%. O
instrumento de investigação consistiu em 55 questões, que foram organizadas
com base na experiência clínica dos investigadores e outros protocolos que
existem na literatura sobre distúrbio de voz e aplicado virtualmente. Após a
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aplicação do questionário, os dados foram digitalizados e analisados por meio
dos programas Excel, STATA (Stata Corporation, College Station) versão 12.0.
Realizou-se as análises descritivas por meio da distribuição de frequência
absoluta e relativa das variáveis categóricas e de síntese numérica das variáveis
contínuas. Para verificar as associações pretendidas foram realizadas por
regressão logística. As variáveis com nível de significância de 20% na análise
univariada foram consideradas aptas a entrarem no modelo multivariado. A
magnitude de associação foi verificada pela Odds ratio e nível de significância de
5%. Resultados: participaram do estudo 334 professores, em sua maioria do
sexo feminino (n=201), com média de idade de 46 anos (DP±10,2). Os
resultados evidenciaram que a média de sintomas vocais foi de 3,1 (DP±2,75)
sendo o mais citado: garganta seca (n=186) e o menos citado: dificuldade para
engolir (n=20). Professores do sexo feminino apresentaram maior chance de
relatar cinco ou mais sintomas que os homens. Quanto à associação com as
variáveis investigadas verificamos que a chance de apresentar cinco ou mais
sintomas vocais aumenta quando os professores relatam ruído do ambiente
como razoável/precário, com velocidade de fala como rápida, pitch agudo e
loudness forte. Conclusão: professores universitários do sexo feminino, que
percebem o ruído do ambiente como razoável/precário, que falam rápido, com
pitch agudo e loudness forte apresentam maior número de sintomas vocais. Os
resultados encontrados reforçam a importância do trabalho fonoaudiológico com
professores, quanto às medidas de promoção e prevenção em saúde para
conscientização sobre os fatores de risco para a voz.
Abstract
Introduction: The human communication is straightly connected to the form of
transmission and compartilhamento of ideas through the voice, the language and
non-verbal elements. In teaching, voice is a relevant factor for acting in the
classroom, an efficient resource to transmit knowledge and get the attention of
the student. Voice problems in teachers are usually related to complaints of vocal
fatigue and wear caused by high demand and intense work rhythm that reflect
the frequency and under what conditions the teacher uses the voice. Expressivity
in communication points to the use of vocal resources used in communicative
performance, ensuring that the message is transmitted effectively. The
communicator, in the case of the teacher, should develop characteristics of
empathy and interaction appropriate to the professional context, aiming at the
process of knowledge construction of his students. Aim: investigate the vocal
symptoms reported by university professors and check the association with vocal
resources and aspects of the work environment. Methodology: It is an
observational, analytical, cross-sectional study. The teachers were members of
the Federal University of Minas Gerais (UFMG) from 77 different courses and
excluded those who were away from work and worked outside the classroom
during data collection and the professors graduated in Speech-Language
Pathology. The sample calculation was performed considering the prevalence of
the event of at least 20%. The sample margin of error is 5% and the level of
significance is 95%. The research instrument consisted of 55 questions, which
were organized based on the clinical experience of researchers and other
protocols that exist in the literature on voice disorder and applied virtually. After
the questionnaire was applied, the data were scanned and analyzed using the
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Excel, STATA (Stata Corporation, College Station) version 12.0. The descriptive
analyzes were carried out by means of the absolute and relative frequency
distribution of the categorical variables and the numerical synthesis of the
continuous variables. To verify the desired associations were performed by
logistic regression. The variables with a significance level of 20% in the univariate
analysis were considered fit to enter the multivariate model. The magnitude of
association was verified by the Odds Ratio and significance level of 5%. Results:
334 teachers, mostly female (n=201), with a mean age of 46 years (SD±10.2)
participated in the study. The results showed that the mean number of vocal
symptoms was 3.1 (SD±2.75), the most cited being: dry throat (n = 186) and the
least cited: difficulty swallowing (n=20). Female teachers were more likely to
report five or more symptoms than men. Regarding the association with the
investigated variables, we verified that the chance of presenting five or more
vocal symptoms increases when the teachers report environment noise as
unsatisfactory with speech speed as fast, pitch sharp and loud loudness.
Conclusion: Female college professors who perceive ambient noise as
unsatisfactory, who speak fast, with sharp pitch and loud loudness exhibit a
greater number of vocal symptoms. The results found reinforce the importance of
phonoaudiological work with teachers, regarding health promotion and prevention
measures to raise awareness about the risk factors for voice.
Assunto
Voz, Comunicação, Docentes, Distúrbios da voz, Fonoaudiologia, Dissertação Acadêmica
Palavras-chave
Docentes, Voz, Comunicação, Distúrbios da voz, Fonoaudiologia