As práticas de sobrevivência dos agentes periféricos no campo teatral: um estudo comparativo entre Brasil e Espanha
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Ana Flávia Machado
Mônica Barros de Lima Starling
Liliane de Oliveira Guimarães
Clarice de Assis Libânio
Mônica Barros de Lima Starling
Liliane de Oliveira Guimarães
Clarice de Assis Libânio
Resumo
Esse trabalho tem como objetivo conhecer e compreender como os agentes periféricos elaboram suas práticas cotidianas no campo teatral diante de políticas públicas de cultura, implementadas verticalmente. Adotamos uma abordagem da praxiologia social de Bourdieu como orientação teórico-metodológica e a reflexividade como atitude em relação ao processo de pesquisa. Realizamos uma extensa coleta de dados, no período de março de 2016 a junho de 2019, entrevistando quarenta e oito (48) profissionais do campo de teatro, gestores públicos, artistas, diretores e produtores de teatro em duas regiões do Brasil e da Espanha. No Brasil, elegemos
municípios periféricos do sudeste brasileiro: Araçuaí e Rubim, no Vale do Jequitinhonha em Minas Gerais e São José dos Campos, no Vale do Paraíba, SP. Na Espanha, nosso trabalho ocorreu nas cidades de Getafe e Salamanca. A pesquisa busca entender o campo teatral em seus limites, contornos, tensões, capitais valorizados e ressonâncias no sentido de (re)construir o campo sob a perspectiva do agente periféricos e a partir daí, entender as práticas adotadas por
esses agentes de maneira a garantir a realização dos seus interesses, no campo. Resultados apontam para a utilização de táticas para participação e influência no campo que são: (a) formação na área cultural (capital cultural); (b) construção de uma rede de agentes no campo do teatro ou de outros campos da área cultural (capital social); (c) bom relacionamento entre os membros do grupo; (d) Aproximação de outros agentes do campo com mais poder (capital social e simbólico); (e) gestão empresarial do grupo cultural; (f) participação em conselhos representativos para a classe; g) ocupação dos espaços físicos e de poder; h) saltar escalas entre
os entes federativos: união, estados e municípios e entre as localidades (capital x interior). Nossos resultados explicam as táticas utilizadas pelos agentes periféricos do campo nas localidades periféricas, como uma maneira de sobrevivência ao contexto. Este trabalho dialoga com a teoria das Políticas Públicas de Cultura e o seu valor está em lançar luz sobre a heterogeneidade do campo, sob a perspectiva do agente periférico situado em um lugar físico periférico (região) e esse posicionamento geográfico influenciando o posicionamento no campo de poder (campo social). Variadas aplicações podem proporcionar maior compreensão do campo e seus agentes periféricos visando à redução das desigualdades.
Abstract
Assunto
Políticas públicas, Política cultural, Administração cultural
Palavras-chave
Agentes Periféricos, Periferia Geográfica, Política Pública de Cultura, Táticas, Campo Social