Efeitos indiretos da tolerância oral a zeína melhoram a cicatrização de pele em camundongos diabéticos
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Resumo
No início do século XX observou-se que cobaias que haviam se alimentado
com ração contendo milho reagiam menos imunologicamente às proteínas do
milho, como a zeína, quando comparadas com cobaias não alimentadas com
milho. Atualmente, sabemos que a absorção de proteínas intactas ou
parcialmente digeridas através da mucosa intestinal é uma ocorrência comum
após as refeições. Estas proteínas interferem na atividade do sistema imune
e um resultado usual destas interferências é a tolerância oral, um fenômeno
que consiste na diminuição de respostas imunes para proteínas previamente
contactadas por via oral. Desde os primeiros relatos sobre a influência de
proteínas da dieta sobre a atividade imunológica várias proteínas vegetais e
animais foram utilizadas em estudos sobre a tolerância oral, tais como a
ovalbumina de galinha (OVA), a gamablobulina bovina (BGG) e hemocianina
de animais marinhos (KLH). Uma vez que estas proteínas animais não fazem
parte da dieta usual dos camundongos, elas são introduzidas na ração ou
diluídas em água para a indução de tolerância oral. Animais que ingerem
OVA antes da imunização com OVA+Al(OH)3 (um adjuvante) formam menos
anticorpos para OVA do que os que não ingeriram a mesma; mas a ingestão
de OVA não interfere na imunização com outra proteína. Curiosamente, se
durante a imunização com esta segunda proteína for realizada também uma
imunização com a proteína tolerada, a formação de anticorpos para esta
proteína “não-tolerada” é também diminuída. Também, a tentativa de
imunização de animais tolerantes com o antígeno tolerado em adjuvante inibe
reações inflamatórias, como as desencadeadas por injeção de carragenina
no coxim plantar de camundongos. Estes efeitos desencadeados pela injeção
do antígeno tolerado são denominados "efeitos indiretos da tolerância oral”.
Nosso grupo de pesquisa mostrou que os efeitos indiretos da injeção de OVA
em camundongos tolerantes a OVA inibem a inflamação após lesões na pele
de camundongos e, como resultado, forma-se uma cicatriz menor. Neste
trabalho, mostramos que a injeção i.p. de zeína em adjuvante Al(OH)3 diminui
o infiltrado inflamatório, reduz a área do tecido de granulação e reduz a
cicatriz em lesões na pele de camundongos saudáveis e diabéticos. Os
efeitos indiretos modificaram também a cicatrização em curso, quando a
proteína tolerada foi injetada 6 horas após a lesão. Além disso, verificamos
que os efeitos indiretos da tolerância oral pela injeção de zeína aumentaram
a expressão de TGF- β3 no leito da ferida. Estes resultados indicam que a
injeção parenteral de proteínas toleradas pode ser explorada como uma
possibilidade de tratar lesões cutâneas em condições onde a cicatrização é
mais difícil de ocorrer
Abstract
At the beginning of the twentieth century it was observed that animals that
had been fed with animal chow that contained corn proteins did not react
immunologically to zein. Today we know that the absorption of intact or
partially digested proteins through intestinal mucosa is a common occurrence
after meals. These proteins interfere with the activity of the immune system
and a common result of these interferences is oral tolerance. The first reports
on the influence of dietary proteins on the immune activity were made with
plant and animal proteins but most studies on oral tolerance have been made
using animal-derived proteins. Animal proteins, such as ovalbumin (OVA) is
not a regular diet component of mice and, for oral tolerance induction, it has to
be introduced in their drinking water. Mice that drink a solution containing
OVA before immunization with OVA+Al(OH)3 form less antibodies than those
animals that do not receive OVA. However the ingestion of OVA does not
interfere with immunization to other proteins, except when during the
immunization with the second protein the tolerated protein is also given, a
phenomenon named "indirect effects of oral tolerance". Indirect effects of oral
tolerance to OVA also inhibit inflammatory reactions, such as those triggered
by carrageenan and improves skin wound healing in mice. In here we show
that, the indirect effects of oral tolerance triggered by intraperitoneal injection
of zein minutes before a skin wound in both health and diabetic mice reduce
the inflammatory infiltrate and improve the healing of cutaneous wound. Mice
that have received i.p. injection of zein+Al(OH)3 before cutaneuos wound had
reduced scar. Moreover, we show that indirect effects of oral tolerance can
improve the healing of a lesion already in process or in conditions where the
healing process is more difficult to occur as in diabeties. The indirect effects of
oral tolerance triggered by i.p. injection of zein increased the level of TGF-β3
in the wound bed. These results indicate that parenteral injection of tolerated
proteins may be explored as a possibility to treat skin ulcers in cases where
cutaneous wound healing is more difficult to occur.
Assunto
Biologia Celular, Cicatrização, Inflamação, Zeína, Diabetes Mellitus, Pele - lesões, Tolerância Imunológica
Palavras-chave
Tolerância oral, Cicatrização, Inflamação, Diabetes, Zeína, Lesões cutâneas
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