A oferta do pré-natal odontológico no serviço público do município de Mariana (MG)
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
The prenatal dental care offer in the public service of Mariana city
Primeiro orientador
Membros da banca
Alex Moreira Herval
Jacqueline Silva Santos
Jacqueline Silva Santos
Resumo
As mulheres são vulneráveis a uma série de alterações fisiológicas durante a
gestação, o que as colocam em risco temporário para problemas bucais. Apesar de
serem consideradas um grupo prioritário, ainda são baixas as taxas de atendimento
odontológico a gestantes. O objetivo deste trabalho foi avaliar os fatores relacionados
à baixa proporção de gestantes com consulta odontológica realizada (Pré-Natal
Odontológico - PNO) no município de Mariana (MG) e propor estratégias que
promovam o enfrentamento deste problema. Foi realizada uma revisão de literatura
dos últimos 40 anos sobre os principais aspectos que envolvem o PNO, visando
orientar o cirurgião-dentista e demais profissionais das equipes de saúde para o
cuidado odontológico da gestante. Com o intuito de captar as múltiplas vertentes
percebidas pelos sujeitos envolvidos com a oferta do PNO, participaram deste estudo
cirurgiões-dentistas (CD) (n=28), enfermeiras (n=14), médicos (n=11) e gestantes
(com e sem atendimento odontológico) (n=20) vinculados ao serviço público de saúde
de Mariana (MG), através de amostras representativas e de conveniência. Foi utilizado
o desenho de método-misto explanatório sequencial. Na primeira etapa, quantitativa,
foi aplicado questionário semiestruturado aos profissionais de saúde. A segunda etapa
complementou a fase quantitativa por meio de entrevistas face-a-face
semiestruturadas às mesmas categorias profissionais. Paralelamente, foram
entrevistadas as gestantes em pré-natal. As entrevistas foram gravadas e transcritas.
Fez-se análise estatística descritiva dos dados quantitativos (software SPSS) e
análise de conteúdo dos dados qualitativos, além de apresentação conjunta de parte
das informações em joint display. Os resultados indicaram que todos os profissionais
da saúde consideram o PNO seguro, apesar de alguns CD citarem a importância de
um laudo médico autorizando o atendimento odontológico. A principal via de acesso
é através de encaminhamento da equipe de saúde. Enquanto 75% dos CD já
receberam alguma capacitação para o PNO em seus cursos de graduação, mais da
metade dos médicos (81,8%) e enfermeiras (78,6%) nunca foram treinados sobre o
assunto. As barreiras que influenciam o uso do serviço odontológico foram
categorizadas de acordo com os temas emergentes: desinteresse das gestantes,
mitos e crendices, equívocos da prática clínica, resistência do CD em atender
gestante, problemas organizacionais do serviço de saúde e/ou de gestão (tais como
as dificuldades no trabalho interprofissional), condições de saúde na gestação que
limitam o uso do serviço odontológico, condições sociais, desinformação, ansiedade
ao tratamento odontológico e preferência pelo atendimento odontológico no serviço
privado. Dentre aspectos facilitadores, destacam-se: educação em saúde, estratégias
organizacionais para melhorar o acesso e adesão da gestante, interesse da gestante,
cuidado pela equipe de saúde, redes sociais e comunitárias, materialização dos
princípios doutrinários do SUS e a capacitação para o PNO. Foi desenvolvido um
produto técnico (protocolo de fluxo e atendimento), por meio de tecnologia social,
construído de forma coletiva pelos atores envolvidos na pesquisa. Este estudo
apresentou ampla compreensão dos múltiplos aspectos que envolvem a oferta e o
uso de serviços odontológicos durante a gestação. No SUS, os serviços de saúde
bucal estão estruturados para atender gestantes, de forma prioritária; contudo,
prevalecem dificuldades culturais, de formação profissional e efetivação do trabalho
interprofissional.
Abstract
Women are vulnerable to a series of physiological changes during pregnancy, which
temporarily put them at risk for oral health problems. Despite being considered a
priority group, the rates of dental care for pregnant women remain low. The aim of this
study was to evaluate the factors related to the low proportion of pregnant women with
completed dental consultations (Prenatal Dental Care - PNO) in the municipality of
Mariana (MG) and propose strategies to address this issue. A literature review of the
past 40 years was conducted on the main aspects involving PNO, aiming to guide
dentists and other health professionals in providing dental care to pregnant women. To
capture the multiple perspectives of those involved in offering PNO, this study included
dentists (n=28), nurses (n=14), doctors (n=11), and pregnant women (with and without
dental care) (n=20) linked to the public health service of Mariana (MG), through
representative and convenience samples. A sequential explanatory mixed-method
design was used. In the first, quantitative phase, a semi-structured questionnaire was
administered to health professionals. The second phase complemented the
quantitative phase through face-to-face semi-structured interviews with the same
professional categories. Simultaneously, pregnant women undergoing prenatal care
were also interviewed. The interviews were recorded and transcribed. Descriptive
statistical analysis of the quantitative data was performed (using SPSS software), as
well as content analysis of the qualitative data, with joint display of some information.
The results indicated that all health professionals considered PNO safe, although some
dentists mentioned the importance of having a medical report authorizing dental care.
The main access route is through referrals from the health team. While 75% of the
dentists had received some training on PNO during their undergraduate courses, more
than half of the doctors (81.8%) and nurses (78.6%) had never been trained on the
subject. Barriers influencing the use of dental services were categorized according to
emerging themes: lack of interest among pregnant women, myths and misconceptions,
clinical practice errors, dentists’ reluctance to treat pregnant women, organizational
and management issues within the health service (such as difficulties in
interprofessional work), pregnancy-related health conditions that limit the use of dental
services, social conditions, lack of information, anxiety related to dental treatment, and
preference for dental care in the private sector. Facilitating factors include: health
education, organizational strategies to improve access and adherence by pregnant
women, interest from pregnant women, care by the health team, social and community
networks, embodiment of the doctrinal principles of the SUS, and training for PNO. A
technical product (flow and care protocol) was developed through social technology,
collectively built by the actors involved in the research. This study provided a broad
understanding of the multiple aspects involved in offering and using dental services
during pregnancy. In the SUS, oral health services are structured to prioritize pregnant
women; however, cultural difficulties, professional training gaps, and the lack of
effective interprofessional work still prevail.
Assunto
Cuidado pré-natal, Gestantes, Saúde bucal, Assistência odontológica, Atenção primária à saúde
Palavras-chave
Cuidado pré-natal, Gestantes, Saúde bucal, Assistência odontológica, Atenção primária à saúde