Desigualdades socioeconômicas em saúde de pessoas idosas: uma análise de distintos pontos do tempo

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Tese de doutorado

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Socioeconomic inequalities in health among older people: an analysis of different points in time

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Resumo

Este estudo teve como objetivo avaliar mudanças nas condições de saúde de idosos brasileiros ao longo do tempo, além do papel de seus determinantes socioeconômicos, entre os anos de 1998 e 2019. Neste trabalho, foram utilizados 5 inquéritos de saúde, sendo três suplementos de saúde da PNAD (1998,0203 e 2008) e as duas PNS (2013 e 2019). Como desfecho, foram utilizadas a autoavaliação de saúde e a incapacidade funcional , mensurada pelas at ividades básicas de vida diária. Em termos de medidas, foram estimadas prevalências ajustad as por idade e condições socioeconômicas. Para a tendência ajustada dos desfechos entre os anos da pesquisa, foram estimados modelos logísticos binomiais com a variável de tempo como uma das variáveis explicativas, além de um termo de interação entre as va riáveis explicativas socioeconômicas e a de tempo. Em relação às análises dos indicadores de desigualdades, foram utilizados o Concentration index (CIX) e o Slope Index of Inequality (SII). Para as análises de decomposição, foi empregado o método de decomp osição não linear. As prevalências ajustadas por idade e condições socioeconômicas mostraram aumento da prevalência de incapacidade funcional comparando 1998 com 2008, para homens e mulheres. O mesmo ocorreu entre 2013 e 2019. Para a autopercepção de saúde ruim, houve redução d a prevalência entre 1998 e 2008 . Entre 2013 e 2019, não houve alterações significativas. Já os modelos logísticos para análise de tendências ao longo do tempo confirmaram aumento na incapacidade funcional entre 1998 e 2008 para ambos os sexos e para as mulheres. Além disso, entre 2013 e 2019, houve aumento da incapacidade funcional para ambos os sexos, homens e mulheres. Em relação à autopercepção de saúde ruim, houve diminuição entre 1998 e 2008 para ambos os sexos e para as mulheres. Já entre 2013 e 2019 não foi encontrada nenhuma alteração significativa, reforçando a análise descritiva. Em relação às análises dos indicadores de desigualdade absoluta e relativa ao longo do tempo, os resultados foram mistos, variando muito em relação a o padrão temporal por sexo, variável SES e tipo de indicador empregado. Os resultados do SII e do CIX, indicadores principais no que tange desigualdades sociais em saúde, evidenciaram mudanças na desigualdade sobretudo entre os anos de 1998 e 2008, no sent ido de diminuição das desigualdades, especialmente para a variável riqueza. Finalmente, mostrou se que o efeito composição teve maior contribuição para o diferencial de saúde entre homens e mulheres do que as taxas de prevalência. Dentre as variáveis socio econômicas avaliadas, a renda teve maior contribuição, tanto para a incapacidade funcional quanto para a autopercepção de saúde ruim, embora escolaridade também tenha tido contribuição significativa em todos os anos. O efeito de composição agiu no sentido de diminuir o diferencial entre mulheres e homens. Ou seja, se as mulheres tivessem mesmas características socioeconômicas que os homens, o diferencial de sexo diminuiria. Esses achados sugerem uma dinâmica complexa nas condições de saúde dos idosos brasil eiros, influenciada por fatores socioeconômicos. A pesquisa reforça a importância de intervenções direcionadas e políticas públicas que considerem essas desigualdades para promover melhorias substanciais em saúde

Abstract

This study aimed to evaluate changes in the health conditions of Brazilian older adults over time, as well as the role of their socioeconomic determinants, between the years 1998 and 2019. Five health surveys were used in this work, including three PNAD Health Supplements (1998, 2003, and 2008) and the two National Health Surveys (PNS) from 2013 and 2019. The outcomes analyzed were self-rated health and functional disability, measured by basic activities of daily living. As measures, age- and socioeconomic status-adjusted prevalences were estimated. To assess the adjusted trends in outcomes over the survey years, binomial logistic models were estimated with time as one of the explanatory variables, along with an interaction term between the socioeconomic explanatory variables and time. For the inequality indicators analysis, the Concentration Index (CIX) and the Slope Index of nequality (SII) were used. For the decomposition analyses, the nonlinear decomposition method was applied. The age- and socioeconomic-adjusted prevalences showed an increase in the prevalence of functional disability when comparing 1998 to 2008 for both men and women. The same trend was observed between 2013 and 2019. For poor self-rated health, there was a reduction in prevalence between 1998 and 2008. Between 2013 and 2019, no significant changes were observed. Logistic models analyzing trends over time confirmed an increase in functional disability between 1998 and 2008 for both sexes and for women. Moreover, between 2013 and 2019, there was also an increase in functional disability for both men and women. Regarding poor self-rated health, there was a decrease between 1998 and 2008 for both sexes and for women. Between 2013 and 2019, no significant changes were found, reinforcing the descriptive analysis. In terms of absolute and relative inequality indicators over time, the results were mixed, varying greatly depending on the temporal pattern by sex, socioeconomic variable, and type of indicator used. The results of the SII and CIX—key indicators of social inequalities in health—highlighted changes in inequality particularly between 1998 and 2008, showing a decrease in inequalities, especially related to the wealth variable. Finally, the composition effect was shown to contribute more to the health differences between men and women than prevalence rates. Among the socioeconomic variables assessed, income contributed the most to both functional disability and poor self-rated health, although education also made a significant contribution in all years. The composition effect tended to reduce the gender gap; in other words, if women had the same socioeconomic characteristics as men, the gender gap would decrease. These findings suggest a complex dynamic in the health conditions of Brazilian older adults, influenced by socioeconomic factors. The research reinforces the importance of targeted interventions and public policies that take these inequalities into account to promote substantial health improvements.

Assunto

Idosos, Saúde e higiene, Indicadores de saúde, Demografia

Palavras-chave

saúde do idoso, incapacidade funcional, autopercepção de saúde, desigualdades sociais em saúde

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