Lazer e gênero: uma análise comparativa entre os filmes “Na natureza selvagem” e “Livre”

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Dissertação de mestrado

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Ana Paula Guimarães Santos de Oliveira
Mariana Mól Gonçalves

Resumo

Esta pesquisa analisa e compara as jornadas dos protagonistas dos filmes “Na Natureza Selvagem” (2007) e “Livre” (2014), com foco nas dimensões de gênero que moldam as trajetórias de Chris McCandless e Cheryl Strayed. A análise é fundamentada na estrutura da Jornada do Herói, de Christopher Vogler, que descreve um ciclo narrativo de transformação, no qual o protagonista enfrenta desafios, passa por crises e alcança a autodescoberta. Esse referencial permite compreender as etapas da jornada de cada personagem e as diferenças narrativas e simbólicas entre elas. A metodologia adotada envolve análise qualitativa dos filmes, cruzando a estrutura da Jornada do Herói com uma perspectiva de estudos de gênero e representações cinematográficas. Busca-se entender como os contextos sociais de masculinidade e feminilidade influenciam a motivação para a viagem, os obstáculos enfrentados, as relações interpessoais e a apropriação dos espaços físicos e simbólicos. A análise comparativa evidenciou que, embora ambos os protagonistas vivenciem jornadas de autotransformação, suas experiências são marcadamente distintas devido às construções sociais de gênero. Chris McCandless realiza uma busca solitária por liberdade e transcendência, rejeitando as normas sociais e idealizando a natureza como um espaço de autossuficiência e purificação. Sua trajetória se aproxima do arquétipo do herói masculino clássico, enfatizando força, isolamento e heroísmo. Em contrapartida, Cheryl Strayed protagoniza uma jornada que combina deslocamento físico e reconstrução emocional. Sua caminhada pela Pacific Crest Trail é permeada por desafios relacionados à vulnerabilidade do corpo feminino, inseguranças sociais e a necessidade constante de provar sua força e resistência. A jornada feminina subverte as convenções tradicionais do herói ao enfatizar processos de cura, superação de traumas e negociação com limites físicos e emocionais. A comparação entre as duas narrativas revela diferentes representações de liberdade e resistência: a masculinidade é associada à autenticidade e à luta solitária, enquanto a feminilidade é marcada por um heroísmo mais complexo, que inclui a reinvenção do eu e o enfrentamento das desigualdades sociais. O estudo destaca ainda as diferenças na interação dos protagonistas com a natureza, percebida como campo idealizado para McCandless e como espaço ambíguo para Cheryl. Em suma, esta dissertação contribui para a reflexão sobre como a Jornada do Herói, ao ser aplicada com uma perspectiva de gênero, revela nuances importantes nas representações cinematográficas de masculinidade e feminilidade, especialmente em filmes de estrada. A análise comparativa reforça a necessidade de considerar as dimensões sociais que moldam as experiências individuais, ampliando a compreensão das formas diversas de liberdade e heroísmo presentes no cinema contemporâneo.

Abstract

This research analyzes and compares the journeys of the protagonists in the films “Into the Wild” (2007) and “Wild” (2014), focusing on the gender dimensions that shape the trajectories of Chris McCandless and Cheryl Strayed. The analysis is based on Christopher Vogler’s Hero’s Journey framework, which describes a narrative cycle of transformation in which the protagonist faces challenges, undergoes crises, and attains self-discovery. This theoretical reference allows for understanding the stages of each character’s journey as well as the narrative and symbolic differences between them. The methodology involves a qualitative film analysis, combining the Hero’s Journey structure with perspectives from gender studies and cinematic representations. The study seeks to understand how social contexts of masculinity and femininity influence the motivation for travel, the obstacles faced, interpersonal relationships, and the appropriation of physical and symbolic spaces. The comparative analysis reveals that although both protagonists experience journeys of self-transformation, their experiences are markedly different due to social constructions of gender. Chris McCandless undertakes a solitary quest for freedom and transcendence, rejecting social norms and idealizing nature as a space of self-sufficiency and purification. His trajectory aligns with the archetype of the classic male hero, emphasizing strength, isolation, and heroism. In contrast, Cheryl Strayed’s journey combines physical displacement and emotional reconstruction. Her trek along the Pacific Crest Trail is permeated by challenges related to the vulnerability of the female body, social insecurities, and a constant need to prove her strength and resilience. The female journey subverts traditional hero conventions by emphasizing processes of healing, overcoming trauma, and negotiating physical and emotional limits. The comparison between the two narratives reveals different representations of freedom and resistance: masculinity is associated with authenticity and solitary struggle, while femininity is marked by a more complex heroism that includes self-reinvention and confronting social inequalities. The study also highlights differences in the protagonists’ interactions with nature, perceived as an idealized field for McCandless and as an ambiguous space for Cheryl. In sum, this dissertation contributes to the reflection on how the Hero’s Journey, when applied through a gender perspective, reveals important nuances in cinematic representations of masculinity and femininity, especially in road films. The comparative analysis reinforces the need to consider social dimensions that shape individual experiences, expanding the understanding of diverse forms of freedom and heroism in contemporary cinema.

Assunto

Lazer, Cinema, Equidade de gênero

Palavras-chave

Representações de gênero; Filmes de estrada; Jornada do Herói; Autodescoberta; Análise comparativa.

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