Efeitos do estresse por separação maternal em micróglias de camundongos machos e fêmeas
Carregando...
Data
Autor(es)
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Effects of maternal separation stress in microglia of male and female mice
Primeiro orientador
Membros da banca
Antônio Carlos Pinheiro de Oliveira
Rodrigo Cunha Alvim de Menezes
Rodrigo Cunha Alvim de Menezes
Resumo
O estresse crônico no início da vida é capaz de modificar o comportamento e
aspectos funcionais do cérebro a longo prazo. Ele está relacionado a diversos transtornos
psiquiátricos, dentre eles a depressão, o transtorno de ansiedade, a esquizofrenia e o abuso
de drogas. Algumas alterações neurodesenvolvimentais são observadas antes mesmo da
adolescência, quando muito dos pacientes apresentam início de sintomas. Identificar e
compreender as modificações morfológicas e moleculares em resposta ao estresse durante
janelas desenvolvimentais anteriores à puberdade é imprescindível para o melhor
entendimento da patogenia desses transtornos, assim como para a geração de melhores
intervenções na psiquiatria infantil. O neurodesenvolvimento depende de um microambiente
saudável, com intensa participação de células gliais, como a micróglia. É possível que
perturbações endógenas ou ambientais que modificam o funcionamento dessa célula imune
no período pós-natal possam influenciar o desenvolvimento dos circuitos neurais, levando à
maior susceptibilidade aos transtornos psiquiátricos. Ainda, a inclusão de modelos animais
fêmeas nesse tipo de estudo é urgente, uma vez que diferenças entre os sexos são
observadas tanto na incidência e sintomatologia de transtornos neurodesenvolvimentais
como no funcionamento das micróglias. Nossa hipótese é que o estresse pós-natal modifica
a densidade e morfologia de micróglias do hipocampo ventral, no curto e no longo prazo,
mas de maneiras diferentes em machos e fêmeas. Para testá-la, camundongos transgênicos
CX3CR1 GFP/+ foram submetidos ao estresse por separação maternal por 13 dias, e a
densidade e morfologia de micróglias foram aferidas nos dias pós-natais 15 e 30 (P15 e
P30). Apenas as fêmeas responderam ao estresse por separação maternal no que diz
respeito a modificações microgliais: à curto prazo (P15) elas apresentaram diminuição da
complexidade e tamanho celular em relação às fêmeas controle, apresentando uma
morfologia de transição/desramificada, que perdurou até o P30. Interessantemente, tal
morfologia é similar à de machos controle P15 e P30. Vimos que a dinâmica
desenvolvimental das micróglias entre as idades estudadas é diferente entre os sexos, em
que as micróglias de fêmeas tiveram modificações condizentes com uma morfologia de
vigília enquanto machos não tiveram modificações morfológicas significantes. Em
contrapartida, machos naive apresentaram maior densidade de micróglias no hipocampo no
P15. Nosso trabalho aponta as micróglias como células de interesse para estudos de
estresse pós-natal, principalmente em fêmeas. Esses resultados reiteram a importância da
inclusão de fêmeas no estudo de micróglias e resposta ao estresse no início da vida. Por
fim, encorajamos que estudos mais detalhados sejam feitos para elucidar as consequências
funcionais dos resultados encontrados.
Abstract
Early life stress modifies behavior and function aspects of brain in long term. It is related to several psychiatric disorders, such as depression and anxiety disorder, schizophrenia and drug abuse. Symptoms start in adolescence and patients present alterations in the neurodevelopment before this period. It is crucial to unveiling cellular and molecular modifications in response to early life stress in windows of vulnerability prior to adolescence in order to better understand the pathogeny of such disorders – thus, to better psychiatric outcomes. The neurodevelopment relies on a healthy microenvironment, with major participation of glia cells, such as microglia cells. It is possible that endogenous or exogenous disturbance of this immune cells leads to erroneous development of neural circuits and increased susceptibility to stress. Importantly, the inclusion of female animal models is urgent, once sexual dimorphism is observed in the incidence and symptomatology of neurodevelopmental disorders and in microglia function. We hypothesize that post-natal stress modifies the density and morphology of microglia in short and long term, but in a sex-dependent manner. To test this hypothesis, we used a 13-days maternal separation protocol on CXCR1 GFP/+ transgenic mice and inquired microglia density and morphology in ventral hippocampus at post-natal day 15 and 30 (P15 and P30). Only females responded to early life stress. At short term (P15) microglia decreased their complexity and cell size, presenting a transition/de-ramified-like morphology – which persisted at P30. Interesting, this morphology is similar to male microglia morphology in both ages. We also reported sex differences in females in the developmental dynamics between P15 and P30 – in which females presented a surveillant-like microglia morphology at P30, while males did not differ their morphology. On the other hand, males had increased density of microglia in hippocampus at P15. Our work indicates microglia as a cell of interest to studies of early life stress, mainly in females. These results highlight the importance of inclusion of female models on microglia and early life stress studies. Finally, we encourage more detailed studies to unveil the functional consequences of the presented results.
Assunto
Fisiologia, Microglia, Transtornos de estresse pós traumáticos
Palavras-chave
Estresse, Microglia, Neurodesenvolvimento, Dimorfismo sexual