O patrimônio na composição do mundo comum: outra topografia, novas paisagens

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Tese de doutorado

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Heritage in the composition of the common world: another topography, new landscapes

Primeiro orientador

Membros da banca

Flávio de Lemos Carsalade
Gabriel Túlio Oliveira Barbosa
Maria Cristina Rocha Simão
Edgar Rodrigues Barbosa Neto
Heloísa Soares de Moura Costa

Resumo

O Patrimônio Cultural tem sido apropriado estrategicamente como instrumento de resistência e enfrentamento político por parte de grupos historicamente subjugados, principalmente quando as ameaças sofridas se revelam como produtos da própria lógica moderno-capitalista de onde ele emerge. Porém, a “ideia de patrimônio” estabelecida entre povos não-europeus nem sempre converge com aquilo que é implementado pelo Estado e pela sociedade civil como patrimônio. Os patrimônios reconhecidos por Estados nacionais carregam consigo um princípio comum que diz muito sobre seus efeitos: eles se amparam no direito, nas ciências modernas e carregam consigo a noção de propriedade. Assim, no momento em que o Patrimônio se volta para o “outro” — desejando sua presença na organização da vida pública —, seus conceitos, categorias e modos de fazer são abalados e parecem não sustentar seu novo compromisso político. Diante disso, esta tese se propõe a descrever o movimento de composição de conceitos e categorias que integram os quadros de referência do Patrimônio — antes, Patrimônio Histórico e Artístico, hoje Patrimônio Cultural — e refletir sobre seus efeitos. Para tanto, transformamos alguns desses conceitos e categorias do Patrimônio em objetos de estudo — abstendo-nos de mobilizá-los enquanto recurso explicativo — e refletimos em que medida a descrição deste movimento nos permite repensar a atuação do Patrimônio na tarefa de composição progressiva de um mundo comum. Nossa metodologia incorpora referências da Teoria Ator-Rede e busca, a partir de diferentes relatos e inscrições, seguir os atores que performam esses conceitos, que habitam essas categorias e que tencionam a rede do Patrimônio. Diante da crise ecológica que nos assola, precisamos urgentemente criar espaços capazes de contemplar coletivos “cujas competências tínhamos rejeitado, acreditando que nosso primeiro dever era primeiro tirá-los do arcaísmo, modernizando-os” . Nossa expectativa é de que a rica experiência do Patrimônio, desde que revisitada, desdobrada e relatada por diferentes atores, possa servir a esta tarefa.

Abstract

Cultural Heritage has been strategically appropriated as an instrument of resistance and political confrontation by historically subjugated groups, especially when the threats suffered reveal themselves as products of the very modern-capitalist logic from which it emerges. However, an “idea of heritage” established among non-European peoples does not always converge with what is implemented by the State and civil society as heritage. The heritage recognized by Governments carry with it a common principle that says a lot about its effects: they are supported by law, modern sciences and carry with them the notion of property. Thus, at the moment when Heritage turns to the “other” — desiring its presence in the organization of public life — its concepts, categories and ways of doing things are shaken and do not seem to sustain its new political commitment. In light of this, this thesis aims to describe the movement of concepts composition and categories that integrate the Heritage frameworks — formerly Historical and Artistic Heritage, today Cultural Heritage — and to reflect on its effects. To do so, we transform some of these concepts and categories of Heritage into objects of study — refraining from mobilizing them as an explanatory resource — and we reflect to what extent the description of this movement allows us to rethink the performance of Heritage in the task of progressive composition of a common world. Our methodology incorporates references from the Actor-Network Theory and seeks, from different reports and inscriptions, following the actors who perform these concepts, who inhabit these categories and who intend the Heritage network. Faced with the ecological crisis that plagues us, we urgently need to create spaces capable of contemplating collectives “whose competences were rejected, believing that our first duty was to first remove them from archaism, modernizing them” (LATOUR, 2019a, p. 389). Our hope is that the rich experience of Heritage, as long as it is revisited, intensified and reported by different actors, can serve this task.

Assunto

Patrimônio cultural, Ontologia, Teoria ator-rede, Oposição (Ciência política)

Palavras-chave

Patrimônio cultural, Ontologias, Teoria ator-rede, Ciência, Política

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