"Criada e constituída para isso" : tornar-se mãe de santo na umbanda : um estudo de memória social
Carregando...
Data
Autor(es)
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
“I was raised and made for this” : becoming a 'mãe de santo' in umbanda : a social memory study
Primeiro orientador
Membros da banca
Sonia Regina Correa Lages
Antônio Marcos Tosoli Gomes
Antônio Marcos Tosoli Gomes
Resumo
A umbanda é uma religião afro-brasileira que se fundamenta no culto aos antepassados e às forças da natureza. Suas raízes estão mergulhadas nas tradições africanas – sobretudo nas culturas dos povos bantos – e indígenas. A organização e institucionalização do campo umbandista se deu em meados do século XX, em um processo histórico de assimilação de valores oriundos do catolicismo popular e do espiritismo kardecista. A religiosidade de terreiro, praticada por sujeitos de diferentes camadas sociais, se coloca como uma síntese de encontros e confrontos diversos. Observa-se, nesse contexto, uma condição de abertura e flexibilidade, sendo a tradição reinventada cotidianamente em âmbito comunitário. Os saberes e práticas são transmitidos pela oralidade, tendo como referência elementos de recordação. Por intermédio da memória, os conhecimentos e as experiências dos ancestrais podem ser reconstruídos e, assim, se prolongar no tempo e no espaço. O trabalho da memória sustenta, portanto, a existência das comunidades tradicionais de terreiro. Nessas comunidades, as mães de santo assumem a posição hierárquica mais importante, e se tornam as principais responsáveis pelo cuidado da família de santo. Além disso, são reconhecidas como grandes guardiãs das memórias da tradição, sendo respeitadas por possuírem uma sabedoria prática que resulta de uma história vivida dentro e fora da religião. De suas trajetórias, são tirados ensinamentos e valores considerados importantes na preparação das mulheres para o sacerdócio. A preparação dessas mulheres envolve o aprendizado de um conjunto de habilidades consideradas indispensáveis para o exercício da função. Considerando os aspectos citados, buscou-se, neste trabalho, descrever e analisar como se constitui o processo de tornar
se mãe de santo na umbanda. O estudo, de natureza qualitativa e exploratória, foi desenvolvido a partir do método fenomenológico, adotando a entrevista semiestruturada como principal instrumento de construção dos dados. Participaram da pesquisa quatro mães de santo que atuam em terreiros de Belo Horizonte. Para a análise dos relatos das mesmas, utilizou-se os pressupostos teóricos do campo da Memória Social. Os resultados encontrados revelaram a existência de experiências comuns que marcam as trajetórias das mulheres umbandistas em direção ao sacerdócio. Os aspectos mais importantes dessas trajetórias foram organizados em
três vias que se articulam: a) aquela que passa pelo início da trajetória; b) a que aponta para o período em que as entrevistadas tornaram-se umbandistas; e c) a que leva ao período em que se tornaram mães de santo. A análise e a discussão dos dados levaram ao entendimento de que a caminhada dessas mulheres é guiada pelo trabalho de reconhecimento e reconstrução de
lembranças. Nessa caminhada, o aprendizado ocorre a partir da participação ativa no terreiro, sendo que a prática cotidiana faz recordar formas de ser e atuar no mundo ligadas aos feitos de outras mulheres que já passaram por terra. Disso resulta uma pluralidade de formas de fazer-se umbandista e mãe de santo, a depender das experiências vivenciadas e das memórias
evocadas. As questões levantadas nesta pesquisa podem contribuir para ampliar o debate sobre as vivências das mulheres na umbanda, considerando possíveis intersecções entre as categorias de gênero, raça e classe social.
Abstract
Assunto
Psicologia - Teses, Mães-de-santo - Teses, Umbanda - Teses
Palavras-chave
Mãe de santo, Umbanda, Gênero, Memória Social