Análise da tendência de mortalidade por homicídios entre adolescentes residentes em um grande centro urbano: Projeto BH Viva, 2002 a 2020.
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Dissertação de mestrado
Título alternativo
Analysis of the mortality trend due to homicides among adolescents living in a large urban center: BH-Viva project, 2002 to 2020
Primeiro orientador
Membros da banca
Amélia Augusta de Lima Friche
Adalgisa Peixoto Ribeiro
Adalgisa Peixoto Ribeiro
Resumo
Introdução: A mortalidade por homicídios entre adolescentes constitui um problema de saúde pública com graves repercussões sociais e econômicas. A violência está associada a fatores como desigualdade social e urbanização desordenada, afetando desproporcionalmente jovens em áreas vulneráveis.
Objetivo: Descrever o perfil das taxas de mortalidade por homicídios entre adolescentes de 10 a 19 anos e analisar a tendência temporal em Belo Horizonte/MG, entre 2002 e 2020.
Métodos: Foi conduzido um estudo ecológico com análises de séries temporais para investigar a mortalidade por homicídios entre adolescentes de 10 a 19 anos, utilizando dados do Projeto BH-Viva, desenvolvido pelo Observatório de Saúde Urbana de Belo Horizonte (OSUBH).
Os óbitos por homicídios foram classificados de acordo com o conteúdo do Capítulo XX denominado - Causas externas de morbidade e mortalidade (códigos X60-Y89), da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-10). Após essa etapa, foi estimada a associação entre as taxas de mortalidade e a faixa etária, local de residência e efeito do ano por meio da utilização de uma sequência de modelos de regressão Binomial Negativa log-linear. Para confirmar a robustez dos resultados, foram realizadas análises de sensibilidade utilizando a distribuição de Poisson. Neste estudo foi adotado um nível de significância de 5%. As análises estatísticas foram realizadas no programa Stata 17.0
Resultados: No período estudado, BH registrou 2.073 óbitos por homicídios entre adolescentes. A taxa acumulada no período foi de 35,71 homicídios por 100.000 habitantes em BH, sendo de 29,82 homicídios por 100.000 habitantes na cidade formal e 92,80 homicídios por 100.000 habitantes nas favelas e comunidades urbanas. Houve uma tendência geral de queda no risco de homicídios ao longo dos anos analisados (RR= 0,94; IC95%= 0,92–0,95), sendo o risco maior entre adolescentes mais velhos (RR=14,18; IC95%= 11,48–17,51) e em favelas e comunidades urbanas (RR=3,11; IC95%=2,64–3,67). A redução foi maior nas favelas e comunidades urbanas (8% ao ano) que na cidade formal (5% ao ano). Adolescentes de 15 a 19 anos residentes em favelas e comunidades urbanas tiveram risco aproximadamente 44 vezes maior de serem vítimas de homicídio do que adolescentes de 10 a 14 anos da cidade formal. Mesmo com tendência de queda ao longo dos anos, sendo maior nas favelas e comunidades urbanas, constatou-se que as taxas de mortalidade permanecem elevadas, com diferenças significativas de acordo com o local de moradia.
Conclusão: A redução das taxas de mortalidade por homicídios entre adolescentes em Belo Horizonte reflete avanços no período estudado, possivelmente relacionados às intervenções do Projeto BH-Viva e outras ações locais. No entanto, é necessário aprofundar investigações para confirmar essa relação. A persistência de altas taxas de mortalidade em áreas vulneráveis evidencia a necessidade urgente de políticas públicas abrangentes, voltadas para a equidade social e para a proteção de adolescentes em situação de vulnerabilidade, abordando os determinantes sociais da violência de forma integrada.
Abstract
Introduction: Homicide mortality among adolescents constitutes a public health problem with severe social and economic repercussions. Violence is associated with factors such as social inequality and unplanned urbanization, disproportionately affecting young people in vulnerable areas.
Objective: To describe the profile of homicide mortality rates among adolescents aged 10 to 19 years and analyze the temporal trend in Belo Horizonte/MG, from 2002 to 2020. Methods: An ecological study with time series analyses was conducted to investigate homicide mortality among adolescents aged 10 to 19 years, using data from the BH-Viva Project, developed by the Belo Horizonte Urban Health Observatory (OSUBH). Homicide deaths were classified according to Chapter XX of the International Statistical Classification of Diseases and Related Health Problems (ICD-10), titled "External Causes of Morbidity and Mortality" (codes X60-Y89). Subsequently, the association between mortality rates and age group, place of residence, and year effect was estimated using a series of log-linear Negative Binomial regression models. To confirm the robustness of the results, sensitivity analyses were conducted using the Poisson distribution. A significance level of 5% was adopted in this study. Statistical analyses were performed using Stata 17.0.
Results: During the study period, Belo Horizonte recorded 2,073 homicide deaths among adolescents. The cumulative rate for the period was 35.71 homicides per 100,000 inhabitants in Belo Horizonte, with 29.82 homicides per 100,000 inhabitants in the formal city and 92.80 homicides per 100,000 inhabitants in favelas and urban communities. There was an overall downward trend in the risk of homicides over the years analyzed (RR=0.94; 95% CI=0.92–0.95), with higher risk observed among older adolescents (RR=14.18; 95% CI=11.48–17.51) and in favelas and urban communities (RR=3.11; 95% CI=2.64–3.67). The reduction was greater in favelas and urban communities (8% per year) compared to the formal city (5% per year). Adolescents aged 15 to 19 years residing in favelas and urban communities had an approximately 44 times higher risk of being homicide victims than adolescents aged 10 to 14 years living in the formal city. Despite the downward trend over the years, with a more pronounced decrease in favelas and urban communities, it was found that mortality rates remain high, with significant differences according to place of residence.
Conclusion: The reduction in homicide mortality rates among adolescents in Belo Horizonte reflects progress during the study period, possibly related to the interventions of the BH-Viva Project and other local initiatives. However, further investigations are needed to confirm this relationship. The persistence of high mortality rates in vulnerable areas underscores the urgent need for comprehensive public policies aimed at social equity and the protection of adolescents in vulnerable situations, addressing the social determinants of violence in an integrated manner.
Assunto
Adolescente, Homicídio, Violência, Saúde Pública, Epidemiologia
Palavras-chave
Adolescentes, Homicídios, Violência, Saúde Pública
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