Terra, Fome e Sangue: uma análise da política fundiária colonial francesa na Argélia e suas consequências (1830-1880)
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Dissertação de mestrado
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Primeiro orientador
Membros da banca
Roberto do Nascimento Rodrigues
Alexandre Almeida Marcussi
José Carlos Pereira
Alexandre Almeida Marcussi
José Carlos Pereira
Resumo
Esta dissertação tem como objeto de pesquisa a política fundiária colonial na Argélia durante o domínio francês, entre 1830 e 1880. Para tal, recorreu-se à análise das leis e práticas fundiárias como o sénatus-consulte de 1863 e a Lei Warnier de 1873. O objetivo foi analisar como as políticas fundiárias submeteram as populações argelinas a um processo de vulnerabilização sociopolítica e econômica. A partir disso, abordamos questões como: o processo de ocupação da Argélia pela França; a construção de conceitos e categorias que embasaram a formação ideológica do empreendimento colonial; as dinâmicas de disputa pela terra; as implicações das ações coloniais, como a fome; e a disputa de grupos de interesses coloniais, em detrimento das necessidades dos árabes e berberes que compunham a maior parte da população. A pesquisa teve um caráter sócio-histórico, ao integrar bibliografia historiográfica e sociológica. Além da revisão bibliográfica, foram realizadas análises documentais tanto do corpus reunido da legislação fundiária quanto de relatos coetâneos relacionados aos temas abordados (como nomadismo e fome). Na dissertação defendemos como um dos argumentos centrais que a reorganização fundiária do território argelino afetou profundamente os modos de vida das populações rurais, ao desestabilizar as relações que mantinham com o ambiente. Um dos resultados da pesquisa foi o de fornecer um panorama acerca do processo de estabelecimento colonial durante o século XIX e destacar a violência não apenas física que o marcou, devido a qual estima-se que mais de 1.000.000 de nativos morreram. Nas estimativas de mortos pela violência colonial incluímos os vitimados pela fome, entendida aqui não como um fenômeno natural, mas como consequência direta das relações de poder impostas em uma situação colonial.
Abstract
This dissertation examines colonial land policies in Algeria under French rule between 1830 and 1880. To this end, it analyzes land laws and practices such as the Sénatus-consulte of 1863 and the Warnier Law of 1873. The study aims to assess how these land policies subjected Algerian populations to a process of sociopolitical and economic vulnerability. In doing so, it addresses key issues, including: the French occupation of Algeria; the construction of concepts and categories that underpinned the ideological framework of the colonial enterprise; land disputes; the consequences of colonial actions, such as famine; and the clash of colonial interest groups at the expense of the needs of Arabs and Berbers, who constituted the majority of the population. The research adopts a sociohistorical approach by integrating historiographical and sociological literature. In addition to a bibliographic review, it conducts documentary analyses of both the compiled corpus of land legislation and contemporary accounts related to the topics under discussion (e.g., nomadism and famine). In my dissertation, I argue that one of the central points that the territorial reorganization of Algeria profoundly disrupted rural populations’ ways of life by destabilizing their relationship with the environment. Among the study’s findings is a comprehensive overview of the colonial establishment process during the 19th century, highlighting not only its physical violence (which resulted in an estimated death toll of over 1.000.000 natives) but also its structural dimensions. The death toll from colonial violence includes famine victims, understood here not as a natural phenomenon but as a direct consequence of power relations imposed under colonial rule.
Assunto
Territorialidade humana, Invasões de terra -- Violência, Propriedade territorial -- Legislação, França -- Colônias
Palavras-chave
Argélia, Colonialismo francês, Terra, Violência, Leis Fundiárias